quarta-feira, 15 de julho de 2009

Artigo Final - Sociologia da educacao

Universidade de Brasília

Faculdade de Educação – Sociologia da Educação

A/c: Profª - Drª - Sonia Carvalho




Artigo Crítico da Obra Vigiar e Punir (FOUCAULT, Michel) – Corpos dóceis. Condicionantes disciplinares em FOUCAULT do pedagógico disciplinar ao pedagógico sócio interacionista. A mecânica própria de poder descrito em FOUCAULT e os impactos no fenômeno pedagógico - Este como fenômeno multidimensional, forjado nas interações sociais, aberto e também de natureza imaterial/cultural. Da fase bárbara das idéias à sociedade do conhecimento. Ensaio de uma crítica sociológica sobre a mecânica de poder em Foucault e o fenômeno Pedagógico contemporâneo. O fenômeno pedagógico como constituinte relevante da investigação sociológica.



Sob a avaliação da Profª - Drª Sônia Carvalho da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília – Campus Darcy Ribeiro.



Abstract



The system prisional current, the aphorisms that the government uses in the policies making of public safety, the relation prostitute between state and bellicose commerce, the coercion and the discipline in your concepts singularity in FOUCAULT, allied objectively to the impacts of the wars and of the death tolls in your more widespread and gloomy meaning – also under FOUCAULT's Perspective is intrinsically linked with modus operandi of the capital and under a continuous process of meticulous control of the individual body and also of the collective body(society).In the chapter - Docile bodies; a great panorama of as a structure, a power mechanics, which with pass it of the history, a great ideological reverberation in a form of was done think “Roman’s” school for juridical ideal and for a contratualism under the aegis to Loque and Rousseu’s a logic impregnated of the dynamics of microphisical of the power imposing a strong discipline and control varied dimensional in the bodies, which then they become “docile”, as grows exponentially the relation between obedience and utility; utility and obedience. A critical panorama to the coercion mechanism that FOUCAULT introduces in her Work so much in the current society, regarding the education. To the pedagogical phenomenon, it remains the fight by the deepning of a society of the knowledge that aims the mutual human development and the breaking of instituted powers. Under a acurated and perfected to look critical, FOUCAULT undresses a coercions head office imposed to the man conditioning the pedagogical phenomenon in the History and the History in the pedagogical phenomenon. The pedagogical phenomenon as important constituent of the sociological investigation.



Words keys: Pedagogy, Foucault, Power, body, Discipliny.



1. Introdução e problematização



O sistema prisional atual, as chacinas urbanas e rurais, os aforismos que o governo se utiliza na feitura de políticas de segurança pública, a prostituta relação entre estado e comércio bélico, a coerção e a disciplina em sua singularidade de conceitos em FOUCAULT, aliado objetivamente aos impactos das guerras e das mortandades em seu significado mais extenso e sombrio – também sob a perspectiva de FOUCAULT está intrinsecamente ligado com o modus operandi do capital e sob um processo contínuo de controle minucioso do corpo individual e também coletivo molda, condiciona e ainda persiste no fenômeno pedagógico.

No capítulo Corpos dóceis um grande panorama de como uma estrutura, uma mecânica de poder, que com o passar da história, uma grande reverberação ideológica se fez de uma forma de pensar que “romanizou” a escola por um ideal jurídico e “contratualizou” sob um viés loqueano/rousseano seu mantimento impondo uma forte disciplina e controle multidimensional nos corpos, que por sua vez se tornam “dóceis”, à medida que cresce exponencialmente a relação entre obediência e utilidade; utilidade e obediência. Um choque ideológico se faz presente, pois o homem rechaça a opressão física e psíquica e em outros não se faz diferença alguma, seja pelo conformismo, seja por um fatalismo existencial, na condição de conceito de Paulo Freire – os esfarrapados: homens e mulheres que se encontram no fatalismo da nulidade de consumo e nutrição.

Assim, de uma maneira histórica, o fenômeno pedagógico em suas dimensões fora institucionalizado e disciplinado de uma forma minuciosa visando a eficiência do governo/administração do rei, autoridade, ou estado.

Pela divisão do trabalho e um extenso e dissimulado processo de concentração de poder, o corpo do homem e o homem num corpo social passa a ser moldado, inclusive de forma fisiológica ao idealismo vigente – um processo de alienação que se cristalizou na lei e nas convenções da sociedade moderna. Fazendo um corte transversal/analítico entre a História e a Filosofia:



Nossa revisão das instituições educacionais leva a uma revisão da imagem que temos do homem. As criaturas de que necessitam as escolas como clientes não têm autonomia nem motivação para se desenvolverem por si mesmas. Podemos dizer que a escolarização universal é a culminância de uma empresa de Prometeu e que a alternativa é um mundo feito para o homem epimeteu. Enquanto dizemos que a alternativa para os funis escolásticos é um mundo tornado transparente pelas verdadeiras teias de comunicação e enquanto sabemos exatamente como poderiam funcionar, só podemos esperar que a natureza epimetéia do homem reapareça; não podemos planejá-la, muito menos produzi-la.(ILICH, Ivan – Sociedade sem escolas – p. 113-14).



Vemos um interessante jogo de metáforas e de significados conceituais da mitologia grega que nos remete ao papel da escola na sociedade hodierna. Pode soar até como um falso ascetismo, mas a metáfora vai de encontro a situações que fazem parte do discurso político vigente que aplicará chavões acerca da Pedagogia que confundem o senso comum e a sociedade.Com isso, de modo bem simplificado, também se faz uma crítica dentro da atual crítica que seria as ações de Prometeu, “na abertura da caixa de pandora”, e no intuito rasteiro, por ser vão seu fim de imputar todas as mazelas do mundo no chavão da falta de educação. Ilich vai além e coloca um ideal de homem, o homem Epimeteu, não pro falso ascetismo (novamente) mas pela necessidade de uma nítida evolução do pensamento, inclusive do pensamento pedagógico. Á frente veremos que estamos ainda na fase bárbara na concepção de idéias.

A produção e distribuição da riqueza se concentram com instituições poderosas enquanto que tanto o corpo do homem individual quanto o coletivo irá sofrer duplamente pelo impacto da sectarização, da classificação, da formação cita FOUCAULT de quadros-vivos, conceito esse que significará uma técnica de poder ou um processo do saber, trata-se da quintessência da microfísica do poder, seria a mecânica da microfísica do poder. Como que por um processo histórico e violento o homem fora moldado ao ideal da belle époque, na “virtude cavalheiresca” do homem e da mulher “civilizada”. Hoje, nosso sistema prisional está institucionalmente fundado em masmorras, viciado em sua subsistência, podre, fétido, para masoquistas ou cult’s(1) do negativismo como fim o estado e seu povo se aliena e onde a idéia de um homem constituído de uma moral e livre torna-se carta fora do baralho na dinâmica da sociedade capitalista.



(1) Denominação dada a qualquer nuance dos componentes de uma cultura, ou de grupos culturais específicos que se unem, ou se identificam de forma padronizada, onde o padrão pode ser uma moda, uma ideologia, religião, estilo musical, formas de sentimentos e comportamentos podendo caracterizar uma tribo, segmento social que adota um mesmo sistema simbólico para um determinado padrão social e de relação com o meio, conforme cultura autodeclarada. Esta como declaração livre de seu adepto. Logicamente que o conceito que em parte é cunhado na literatura mundial, mas ao mesmo tempo se mostra em aberto, por que tanto o movimento pedagógico, o processo de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo e afetivo de um humano, a composição e absorção de sua matriz cultural e demais influências que a compõem, necessariamente possui uma dimensão subjetiva e intransferível. Atemporal para aquela criança ou jovem que sente o mundo e reflete sobre o mesmo. O conceito cult não é uma classificação, mas dentro do contexto político, a palavra remete-se a uma estrutura de cultura criada pelo capitalismo que subsiste pelo controle amplo dos corpos ao aprender, pensar, vestir-se, organizar-se em grupo, exercer e pontuar como quiser a cidadania e a difusão do saber. O cult ao negativismo como fim, seria uma construção social, que geralmente se torna falsa sob a égide dos fatos sociais ao se relacionar, liberdade, ética e cidadania em sentido lato ao cidadão. O cult ao negativismo não é uma classificação tribal, tipo a tribo dos skatistas, ou dos hippies – trata-se de uma superestrutura de ordem cultural, que torna-se uma força condicionante que se encontra além das percepções e dos pensamentos comuns, mas somente uma reflexão elaborada, uma reflexão sociológica poderá desvencilhar determinadas causas a determinados efeitos ou fato sociais. Fato social como fato exterior, coercitivo e generalizante conforme Durkheim.























Um paradoxo de literatura se apresenta. Como? Onde? Um paradoxo de literatura histórica e filosófica se apresenta na composição e comparação entre ILICH e FOUCAULT dentro da seguinte situação:

Ilich em Sociedade sem Escolas coloca a obrigatoriedade de um currículo, Foucault em Corpos Dóceis identifica que o currículo também é uma nuance da estrutura de poder que se forma nas idéias e nas ações das escolas. Por um lado Ilich tem o tino de perceber a necessidade de um resgate do homem em uma dimensão maior do que seu próprio extermínio, mas ao mesmo tempo para o fenômeno pedagógico escorrega e impõe obrigatoriedade de um currículo de disciplinas mediante a idade e critérios que podem atualmente não corresponder a real realidade do fenômeno pedagógico com ou não conteúdos pré-estabelecidos. Seria quem sabe um choque ideológico de uma corrente conteudista e uma pedagogia aberta, libertária, dialética, histórica e evolutiva – fincada no empirismo e não no mero conteúdo (mesmo sendo parte desse conteúdo, conteúdos científicos).

Ilich não se encontra dentro de uma crítica conteudista, mas coloca uma obrigatoriedade curricular.Não se torna uma critica final aos conteúdos, mas para o referencial do fenômeno pedagógico, não somente conteúdo faz o educando aprender efetivamente, mas uma conjunção entre sociedade educada, governo representativo e democrático e uma filosofia pedagógica voltada para a formação de sujeitos que estabeleça contato com meios e possibilidades que estejam para alem da formação de corpos dóceis, fossilizados ao fatalismo e também à violenta alienação na formação de uma sociedade esfacelada e dividida intencionalmente para o controle ideológico.

Trata somente de um complemento crítico à democratização de conhecimento, pensando numa possível sociedade do conhecimento. Estar ainda na fase bárbara das idéias, conforme Morin – não se faz de nada absurdo e sim plausível. O absurdo é sim a realidade que se apresenta onde não temos a mínima decência de assassinar irmãos em plena luz do dia, mas nos utilizamos da “noite” para fazerem seu rasteiro proselitismo moralístico na TV, impondo fazer sexo às escondidas por exemplo por ser pecaminoso e vexatório à balança do senso comum e da sociedade sectária e maniqueísta. Essa lógica de pensamento se encontra em Lennon que diz literalmente:

"Vivemos em um mundo onde nos escondemos para fazer amor...e enquanto isso a violência é praticada em plena luz do dia.LENNON, Jonh – Integrante dos Beatles.)"



2. Vigiar e Punir (FOUCAULT, Michel) – Corpos dóceis; uma perspectiva crítica quanto ao fenômeno pedagógico contemporâneo.



Nesse pendulo de relativismos morais falemos mais especificamente do texto de FOUCAULT, que inicia sua análise com uma frase significativa. A existência de uma retórica corporal e de uma estética de retórica corporal. Essa lógica e essa estética corporal darão o norte no tratamento da aprendizagem e do ambiente pedagógico nas instituições que são tidas como rígidas, disciplinadas ao extremo, como as instituições religiosas e militares.

Nesse contexto, FOUCAULT identifica uma espécie de redução materialista da alma e também identifica uma teoria geral do adestramento. Nessa teoria geral do adestramento, o corpo (doravante sempre como individual e social) está preso no interior de vários poderes que imporá limitações e coerções diversas ao corpo.

A coerção tem seu peso mais pela força física do que por um sistema de sinais, uma ideologia.Entende-se por disciplina, uma relação entre docilidade mais utilidade. A disciplina não é tida como uma escravidão, não é apropriação de corpos, não é uma domesticidade nem vassalidade (uma submissão codificada historicamente), mas sim um mecanismo que impõe uma relação de obediência e utilidade e utilidade e obediência. O corpo então entra numa maquinaria de poder que o reconstrói (conforme ideologia, religião, cosmovisão).

Cita uma anatomia política como uma multiplicidade de processos disciplinares. Seria verossímil afirmar a disciplina no processo pedagógico contemporâneo? Sim. Plenamente factual a proposição. Motivo esse que impede uma verdadeira democratização de C&T visando uma sociedade do conhecimento, não a atual sociedade proibicionista e violenta.

Trata-se de um salto qualitativo do processo pedagógico em sentido de expansão e transformação social ainda não abraça setores da sociedade, os bolsões de pobreza são um bom exemplo. Afirma FOUCAULT que não é objetivo traçar um histórico das instituições disciplinares, mas de investimento político e detalhado do corpo numa nova microfísica do poder.

O autor também trará uma detalhada análise das dimensões ínfima e infinita. Assim, o autor tratará de como que a sociedade, a religião, as instituições de ensino na idade média e posterior, os agentes da educação e o próprio conhecimento se especificou, se identificou aos detalhes, ao ínfimo, ao minucioso em suas investigações e também ao Infinito, sendo essas agudezas de pólos - situação chamada pelo autor de um cálculo místico entro o ínfimo e o infinito. Ou seja, especificando demais a realidade ou obscurecendo-a com o Infinito, com o dogma religioso. Assim, uma rigorosa classificação dos corpos sob destreza, habilidade ou força individualizou o processo agora do trabalho.

Essa estrita relação do calculo místico entre o ínfimo e o infinito, também se reflete na disciplina, no currículo, diretrizes, planejamentos, arquitetura e método escolar.Ora, um currículo extremamente detalhado poda a personalidade do educando, podendo ser um processo de extremo sofrimento biopsíquico.

O homem se compôs em sua história sócio-interativa, pelo trabalho e pela evolução, no trabalho, que agora se encontra totalmente imbuído da ideologia da disciplina, tratará de alienar o homem em última instância – a orgânica/fisiológica. A reverberação no estado, durante a história e durante a história da disciplina é claro, configuração de um estado proibicionista, violento e disciplinador.

Cita FOUCAULT que por uma romanização da república, que tinha por base um ideário individual na imposição de uma sociedade disciplinada, hierarquizada e militar. Gerando assim, um alinhamento obrigatório de toda a sociedade e o sujeito enquanto sujeito se identifica ou é identificado por uma classificação.

Numa citação muito interessante, o autor afirma da necessidade de um novo espaço geográfico para o fenômeno pedagógico acontecer, o problema é que as dimensões para que tal fenômeno ocorra são complexos, arquiteturais, funcionais e hierárquicos.

O autor cunha o termo “quadros vivos” da sociedade que passa a moldar as massas perigosas à sua multiplicidade organizada e controlada. Os quadros são a difusão de uma sociedade protocapitalista até os dias de hoje que tentará racionalizar natureza, sociedade e homem. O quadro é ao mesmo tempo técnica de poder e um processo de saber, trata-se de organizar o múltiplo para dominar. Configura-se aqui, a mecânica da microfísica do poder celular. Uma mecânica de poder, que tem caráter disciplinar e calculado matematicamente para ser mais eficiente, num menor espaço de tempo, sendo a dimensão tempo toda ela sistematizada de forma única por FOUCAULT. Vejamos a frente algumas possíveis considerações sobre essa relação disciplina, tempo e corpo.



2.1 FOUCAULT e a dimensão do tempo na coerção minuciosa dos corpos.



“O tempo penetra no corpo, e com todos os controles minuciosos do poder”.(FOUCAULT, Michel).

O conceito de minúcias nos remete à forma da disciplina de uma boa caligrafia, de como manusear um fuzil, trançar um tapete funcionalmente - criando assim uma codificação instrumental do corpo.

Dentro de uma lógica de máxima eficiência em menor tempo a economia alienou o trabalho e todas as normas educacionais temporais, num intuito claro de condicionamento ou manipulação gerando manobras excessivamente artificiais.

Torna-se agora a coerção um processo natural e orgânico.Inicia-se no oriente e Europa a aprendizagem corporativista (as corporações de tapeceria em 1667 são um bom exemplo), em 1737 inaugura-se uma escola de desenho com técnicas minuciosas de ensino.

O tempo disciplinar imporá pouco a pouco ao processo pedagógico inúmeras restrições e limitações. Nas instituições militares não foi diferente, o tempo descrito por FOUCAULT terá um cálculo exato para obtenção de melhores resultados. Isolar o tempo de formação, organizar seqüências de atividades conforme um planejamento/análise e finalizar segmentos temporais sob uma prova e ciclicamente apertar cada vez mais a forma e a estética no tratamento do tempo se apresenta como panorama possível. Questão que possui em FOUCAULT uma profundidade analítica e que caberia uma séria análise sob o ambiente pedagógico e escolas em geral. Não se torna nem um pouco absurdo afirmar que a História da Pedagogia também é a História da disciplina coerciva de viés conservador.

O que conhece o homem da matéria, do meio em que vive, do espaço sideral ou de sua natureza? Incitamos a reflexão não em relação aos doutos em ciência, ou ao pronto erudita. Incitamos agora a reflexão em termos de soberania nacional e de democratização radical ao acesso ao conhecimento. O homem douto em ciência sabe muita coisa relevante, o conhecimento atual sabe muita coisa relevante, técnica e que opera verdadeiras maravilhas ao homem, mas o cidadão não tem acesso a esses louros.

Com não seria diferente, a história da disciplina, formará uma pedagogia analítica e minuciosa em inúmeros processos e subprocessos, séries e subséries, grupos e subgrupos.

Uma micro e macrofísica do poder se apresenta. Com novas técnicas de sujeição a dinâmica de controle dos corpos passa de um controle de dinastias/autoridades religiosas para evoluções contínuas dos quadros vivos, onde cada quadro, uma classificação um estereótipo ou subclassificação.

Dar-se-á então, vazão na história da educação a um aperfeiçoamento autoritário. A micro e a macrofísica do poder se manifestará não apenas na coerção à danação eterna, mas por uma geometria de segmento divisíveis que visará calcular (literalmente) movimentos avançados para os próximos passos da manipulação.

Então a disciplina visará também obtenção de um aparelho eficiente – onde sua identificação é por um lócus na fábrica, por uma função, dentro de um horário. Uma grande e longa crítica ao pensamento “tempos e movimentos” de Taylor e Fayol – pais da administração e com vasta literatura aprovada em todo o mundo dos executivos, tomadores de decisões ou autoridades pode ser feita sob a perspectiva pedagógica sob a visão disciplinar de FOUCAULT.

A escola por sua vez, levará ao automatismo no trato com o fenômeno pedagógico contemporâneo ou a um sistema de sinais que pela disciplina influencia os corpos que controla sob as dimensões: celular, orgânicos, genética e combinatória (que seria a junção de todas as dimensões). Essa combinação levará a táticas ideológicas. Identifica o autor que a tática mais elevada seria a combinação calculada.

Finaliza FOUCAULT com um esboço sistêmico do pensamento da época onde os juristas procuravam um pacto com um modelo primitivo para reconstrução do corpo social e o militares desenvolveria inúmeras técnicas de coerção e opressão ao corpo individual quanto ao corpo coletivo. A combinação de ambos traria um dos germens do atual estado da arte da sociedade globalcida. Nada diferente da moenda humana, descrita no livro O Povo Brasileiro (RIBEIRO, Darcy) ou quadro socioeconômico da ONU onde bilhões vivem menos de um dolar ao dia.



3. Considerações Finais



A História da Pedagogia e a Pedagogia na História se vêem imersa numa superestrutura e numa infraestrutura coerciva e excessivamente/artificialmente disciplinadora. Propõe sob restrições, identificação mais acurada do fenômeno pedagógico admitindo inclusive uma dimensão cultural e imaterial, desmistificar o excessivo peso imposto aos agentes da educação, admitir posteriormente que uma maquinaria de poder influencia cabalmente nossos compostos mentais, atitudes, sentimentos, comportamento até nossa fisiologia.

Sim, admite-se que a disciplina sob a égide de FOUCAULT tem uma dimensão orgânica e fisiológica – calculada justamente para o controle. Sob uma geometria calculada, adquiri-se táticas para o controle extremo dos corpos e mentes em todo o globo.

Essa maquinaria de poder é também fato social e poderá ser identificado no contato reflexivo com grandes pensadores, pela observação e reflexão detalhada da realidade e dos fatos sociais, comparando-os com a literatura apresentada literatura essa que deve preferencialmente ter peso científico e acadêmico.

O fenômeno pedagógico nas dimensões histórico-cultural fica somente na difusão de conhecimento relevante aos círculos dos catedráticos e possuidores de poder (ideológico ou material). O estado brasileiro ainda não possui mecanismos civis para avançar para uma sociedade do conhecimento.

O autor FOUCAULT em sua obra Vigiar e Punir, mais especificamente no capítulo Corpos dóceis – nos remete a uma detalhada análise sobre como uma microfísica do poder atua. Condiciona e alinha os homens numa padronização disciplinar, se utilizando da dimensão tempo e de uma geometria para obter o máximo de eficiência num menor período de tempo.

Ao fenômeno pedagógico contemporâneo - o não determinismo de formas de aprendizagem padronizadas, violentamente impostas e minuciosamente monitoradas visando lucro ou um resultado útil. Em FOUCAULT, poderemos obter dados e situações empíricas que se apresentam ao fenômeno pedagógico contemporâneo como restrições de análise e a partir daí, encontrar sínteses e soluções práticas e operacionalizáveis na recomposição do fenômeno pedagógico na história ou mesmo no próprio entendimento do fenômeno pedagógico contemporâneo.

Tratou-se também de encontrar padrões, formas cíclicas dos fatos sociais para inferir da possibilidade concreta de entender melhor o fenômeno pedagógico contemporâneo na desvinculação de determinadas causas sociais e também naturais a determinados fatos sociais (geralmente de cunho ideológico, determinístico ou dogmático) que não reflete a realidade num possível desencadeamento entre causas e efeitos sociais mensuráveis de alguma forma. Em outras palavras, tenta desmistificar que a educação não tem por potência a resolução das mazelas da “caixa de pandora”, mas pela educação, abrir a possibilidade de uma sociedade mais cidadã, includente e verdadeiramente democrática.

Seria encarar o fenômeno pedagógico atual, como um fenômeno multidimensional, aberto, dialético, imprevisível em sua totalidade, forjado pelas interações sociais e que possui inclusive em sua constituição ontológica, uma natureza imaterial e cultural. Mas para que se encontre e que se dê vazão a tão , deve-se à medida do possível, novamente sob inúmeras restrições, fomentar a difusão do conhecimento às grandes massas que possibilite acesso aos louros da produção capitalista. Tudo para dar possibilidades de aprofundar as conquistas civis e política/institucional de uma sociedade do conhecimento.



4. Referências Bibliográficas



ILICH, Ivan – Sociedade sem Escolas;

FOUCAULT, Michel – Vigiar e Punir – Cap. Corpos dóceis;

FREIRE, Paulo – Pedagogia do Oprimido – Sobre o conceito dos esfarrapados;

MORIN, Edgar – Os sete saberes da Educação – Sobre a era bárbara das idéias;

TAYLOR, F e FAYOL, Henri – Acerca da teoria geral da administração em choque com a disciplina em FOUCAULT;

RIBEIRO, Darcy – O Povo Brasileiro – Acerca da característica da monocultura da cana e da casa grande serem uma moenda humana, uma moenda que tem por combustível o homem e toda sua energia corporal. Uma moenda que consumia humanos;

Ver mitologia grega clássica de Prometeu e Epimeteu, A caixa de Pandora;

STRAUSS, Levi – O que é Mito – Coleção primeiros passos – Acerca de o mito ser uma mensagem codificada e com significados múltiplos;

LENNON, Jonh – Integrante dos Beatles em analogia às inversões de valores da belle époque;

MARX, KARL – Sob a conceituação de infra e superestrutura;

PEREIRA, Saulo F – Em análise ao ENEPE 2009 sob a conceituação dos esfarrapados de Freire – Disponível em: http://traquinagenspedagogicas.blogspot.com/;

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ilha das Flores - Aos esfarrapados de Freire ao ENEPE

EMANCIPAÇÃO FREIRIANA – ESBOÇO CRÍTICO PARCIAL DA PEDAGOGIA LIBERTÁRIA AOS ENGODOS DE PEDAGOGIAS SALVÍFICAS E IDEOLÓGICAS.

Perspectiva Freiriana ao documentário Ilha das Flores (FURTADO, Jorge). Elucubrações de ruptura ao capital por políticas inclusivas visando necessariamente os esfarrapados de Freire. Vislumbres teóricos e prospectivos de um quadro de hegemonia da lógica capitalista – instituída socialmente e naturalmente aceita sob um contrato social loqueano/rousseano. Do não nominalismo a um possível entendimento e instituição de um projeto pedagógico universal ou uma pedagogia salvadora/salvífica.Possibilidades de ruptura política do atual estado da arte da sociedade capitalista/global em detrimento à segurança existencial dos esfarrapados de Freire pelo acúmulo de forças políticas progressistas e pelo desafio de conscientização pedagógica freiriana das massas em eterno movimento dialético real e inclusivo.
Abstract

Sketch critic under the perspective Freiriana to the Island of Flowers documentary of the FURTADO Jorge and reverberation in purses of poverty.Hypotesys of rupture to the capital for inclusive politicses necessarily aiming the tattered of Freire. It is an exercise hyphotetical and theoretical and prospective of a hegemony picture of the logic instituted capitalist socially and naturally accepted under a social contract locke’s and Rousseaus’s.Of the not nominalism to a possible understanding and institution of an universal pedagogical project or a pedagogy redeeming. Possibilities of policy rupture of the current state of the art of the society capitalism in detriment to the existential safety of the tattered of Freire by the accumulation of progressive political forces and by the challenge of pedagogical Freire’s understanding of the group(masses) in eternal dialectic, interactive, real and inclusive action.




Devido ao processo histórico mercantilista e ao advento do capital, seres humanos são renegados ao degredo social. Homens e mulheres dentro dessa dinâmica se encontram fatalmente em exclusão.As restrições existenciais impostas pelo capital tornam os Direitos Humanos uma mera e vazia carta de boas intenções. Segundo a ONU são três bilhões de humanos que vivem com menos de um dólar/dia, sem acesso a água potável ou saneamento básico. O estado da arte em Ilha das Flores se estende (mesmo admitindo peculiaridades socioeconômicas) a todo bolsão de pobreza extrema. Entende-se por pobreza estrema - os esfarrapados de FREIRE. Milhões de humanos que não possuem capacidade estrutural em termos biopsíquicos ou base familiar/social. Assim, aos farrapos, à nulidade de consumo e nutrição - o fatalismo excludente se concretiza. Falamos de estruturas sociais tradicionais que são tidas como naturais e que beiram o absurdo moral e existencial. A fatal reverberação do capital nunca garantiu a existência humana mas seu já corriqueiro extermínio. O globalcídio da espécie Homo Sapiens é visto diariamente em todo o planeta – onde a realidade se apresenta ainda mais mórbida, sectarizada, intolerante, supersticiosa e fetichista, pois informações de guerra e genocídios não chegam em sua totalidade aos tribunais internacionais e/ou governos. Milhares sucumbem diariamente a esse fatalismo: seja pela guerra, doenças ou má nutrição.Aos esfarrapados de Freire resta necessariamente a exclusão, exclusão que hoje se apresenta em escala global e muito mais nociva à existência humana. Mulheres e crianças são os primeiros a sofrer tais opressões de força maior. No atual estado da arte - vemos em sentido sociológico - uma exclusão fatalista ao extrato social oprimido - dar-se-á também o nome de monopólio radical (TUNES, Elizabeth 2007). E dai pergunta-se: O que fazer no sentido de romper com o capital global e suas atuações restritivas ao campo sociopedagógico? O que fazer para concretizar uma emancipação social? Acumular força política e conscientizar as massas. Que em unidade propositiva política, possa estancar um processo excludente que chamamos de aumento do torno da mais valia absoluta - isso dentro de uma transição histórica de acúmulos sucessíveis de forças política – tudo para se ter campo social fértil que possibilite não uma ruptura violenta, obscura ou casuística (somente nas esferas da ideológica e do formalismo jurídico). Não se trata de uma proposta de organização política ao romance filosófico do contrato social de Rousseau, ou um pífio ajuste teórico às concepções de uma lex naturalis loquiana para garantir o formal e mentiroso direito natural à vida dos esfarrapados. Todas as convenções mundiais em seus tribunais, em suas respectivas cartas e manifestos admitem tal premissa - a validade ontológica da vida humana no social e no universo pedagógico mas concretamente a lei capitalista se torna aos pobres uma lex caesum cedere. Ou seja, legal e legítimo no capital é a matança e a exclusão. Assim, o acúmulo de forças progressistas locais em célula/entidades de base e também global da força trabalhadora seria uma ponte libertária para que possibilite, também sob restrições concretas, um protodebate político relevante e real, a proposição, a concepção e a feitura de um modelo social, de uma reestruturação social em sentido includente. Tratemos como um salto qualitativo de feeling humano e que demanda tempo; da radicalização do humanismo sob fins freirianos, não sua romantização voluntária que vimos na retórica pedagógica dos amigos da escola, nas ongs fisiologistas ou na dependência de uma solidariedade cristã tacanha e identificada em Mézaros como um gradualismo pedante no trato dialético com a realidade imposta pelo capital. O gradualismo em Mézaros seria a adoção de políticas de resultados parciais em detrimento a uma ruptura com as estruturas incorrigíveis do sistema capitalista. Nem sequer se restringe a um nominalismo mágico, ou um realismo ante rem platônico ou in re aristotélico, pelo transcendental ou pelo caráter imanente dos conceitos – onde traçaríamos um definitivo plano político pedagógico libertário. Não se trata de dar solução às peculiaridades culturais, estruturais e subjetivas de cada desafio pedagógico seja municipal, estadual e finalmente sob o prima da União sob balizadores da soberania nacional. (Isso teoricamente, sob a proposição em Freire, e sob uma forma operacional não faz qualquer sentido), não existe pedagogia salvacionista/salvífica – a pedagogia não tem essa agudez de escopo mesmo admitindo em Freire a não existência de uma pedagogia neutra; mas pela atuação possível de uma práxis de entendimento real mesmo dentro de restrições regionais, legais e materiais.Trata-se de uma radicalização de entendimento político libertário aos esfarrapados de Freire que sequer decidem sob sua existência biopsíquica. Vivem e viveram sob o fatalismo da exclusão existencial que inequivocamente decidirá o que terão que comer e o que pensar até seu mantimento inteligente/estratégico aos farrapos (para composição de um exército de excedente ao capital) ou seu total aniquilamento existencial seja por inanição ou pelo extermínio fatal da sociedade capitalista e globalcida. Não podemos nos iludir pedagog@s e demais agentes da educação; a personificação do capital se reflete na matança ou exploração do oprimido por que precisa se sobrevalorizar, não tratem a questão como uma figura de linguagem mesmo por que o capital possui sua fisiologia e metabolismo próprio sendo um organismo que está institucionalizado no estado, na sociedade, na moral, na religião em nossos arquétipos e comportamento. Diante disso torna-se plausível um real choque dialético entre a lógica freiriana et al em corrente histórico/cultural e a tábula rasa loquiana/rousseana/religiosa – que por vezes é forjado pelo romantismo ideológico/religioso e que não atingem o tecido do real, o tecido da realidade por que não possui internamente uma práxis e perigosamente impõe ao entendimento pedagógico libertário: Determinismos, erros historiográficos, falsos dualismos escolásticos, engodos ideológicos, falácias, enganos pessoais seja por ingênuas ou intentas doxa, classificações (ver GOULD. J – A falsa medida do homem), cultura etnocêntrica e a sectarização justamente dos esfarrapados de Freire que por uma gama de estereotipias socialmente adquiridas e manifestadas pelo comportamento opressor e violento (germe do capitalismo) se concretiza por ferramentas como uma pseudociência (geralmente uma ideologia ou religião), instituição ou algum agente social ou um composto desses;que negará aos esfarrapados de Freire o bem estar social que esteja para além do capital.

Palavras chave: Pedagogia, Política, Capital, Ilha das Flores, práxis.,

terça-feira, 26 de maio de 2009

Psicologia da Educacao - Henri Wallon

Atividade 4 – A criança concreta, completa e contextualizada: A Psicologia de Henri Wallon.

Pergunta 1 –

Wallon irá modelar sua forma de Psicologia tendo por base toda a formação da criança. A Psicogênese seria a junção de todas as esferas que a criança se interage, inclusive com o meio para melhor tirar suas conclusões sobre o processo (seja cognitivo e/ou Psicológico) de desenvolvimento da aprendizagem. a) O eu e o outro são parte interdependentes e complementares na formação de sujeitos completos. b) O desenvolvimento se relaciona em Wallon com um modelo integrado, dialético, histórico e também afetivo e cultural. Todas as esferas deveram ser consideradas para a efetividade de um processo pedagógico que propicie seu desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo.c) a predominância seria uma característica própria de cada fase do desenvolvimento que “falará mais alto” no comportamento e a alternância seria a incorporação das características da fase anterior em aplicabilidade adaptativa e dialética com o meio e outros seres – tudo formando a personalidade do sujeito.d) A emoção é também movimento e como o modelo de Wallon é dinâmico (em movimento) também absorve essa visão dando importância aguda (inclusive importância pedagógica) de que o pensamento/linguagem e as emoções devem estar em movimentos para a efetivação da aprendizagem.Aqui, Wallon tem importância pedagógica.

Pergunta 2 –

Wallon informa-nos que o movimento para a criança é de extrema importância para seu desenvolvimento cognitivo e também afetivo. A disciplina imposta pela escola muitas vezes (para determinados alunos) são recebidos com intenso sofrimento. Desejar efetividade no aprendizado impondo um forçoso conteúdo fora de hora ao aluno, ou um imobilismo aos jovens que torna-se impossível cumprir à risca. O movimento, a motricidade da criança é estimulada a todo instante onde parte de nossos músculos e mente sempre está hora em estado de relaxamento, ora de tensão. Torna-se por vezes para o educando um extremo sofrimento ficar horas sentado numa carteira dura.
Conforme descrito acima nas primeiras questões, seu modelo pedagógico é dinâmico e engloba todas as esferas interativas da criança, portanto – uma pedagogia estática, que doutrine o educando no formalismo ortodoxo, ou no castigo ao imobilismo, impede por vezes do educando de aprender, ou assimilar algum conteúdo. Isso devido aos conceitos de Wallon que nos remete que o aprendizado pedagógico é um eterno movimento. Admitem muitas crianças, por exemplo, que sua aula preferida é educação física. Para o jovem, aulas artificialmente teóricas podem não significar absolutamente nada em detrimento uma intensa integração com outros sujeitos em uma aula dinâmica, movimentada, interativa e que possibilite não somente interação, mas um salto qualitativo em sua estrutura psíquica que agora, “retoma” características afetivas, pela recém adolescência adquirida e suas respectivas mudanças biopsíquicas na interação com o meio, outros seres e a cultura.


Pergunta 3 –

O desenvolvimento e aprendizagem para Wallon irão seguir uma construção sob o conceito de alternância funcional. Ou seja, ora a estrutura psíquica é voltada para o desenvolvimento das funções de cognição, ora a estrutura psíquica do educando é voltada para o desenvolvimento das funções afetivas. Tem-se uma explicação orgânica, mas também pelas respostas aos estímulos do meios e sociedade que tem o jovem que absorveu signos e sistemas éticos e morais e que terá que DECIDIR sobre tais estímulos e cobranças em direitos e deveres. Trata-se do eterno movimento em forma cíclica que irá tratar de emoções, descobertas sensoriais/motoras, funcionamento cognitivo, linguagem/pensamento abstrato de forma linear num primeiro momento e depois, emoções, descobertas sensoriais e motoras, funcionamento cognitivo e pensamento de forma agora não linear, mas circular.Novamente, ambas as fases podem estar em atuação no psiquismo ao mesmo tempo, mas sempre com uma característica em maior evidência, seguindo padrões de idade e desenvolvimento geral. Adquiri-se pensamento abstrato o jovem, mas por o homem não adquirir um equilíbrio pleno de suas funções psíquicas – emoções podem retornar de sua infância ao domínio comportamental do homem. Seria a retomada de “fases” adquiridas quando se era mais jovem, num movimento cíclico de alternância, ora cognitiva, ora afetiva, ora cognitiva-afetiva.

Pergunta 4 –

A consciência de si acontece sob a perspectiva de Wallon aproximadamente aos três anos. Onde a criança passa a desenvolver a “negação do outro” mas indicando em Wallon que a criança nega o outro para se conhecer. Na verdade a negação do outro é a afirmação do eu, enquanto desbravador do mundo e do meio (desconhecido ainda à criança) que se apresenta de forma desafiadora, punitiva ou conforme formação, de forma afetuosa, dinâmica e tolerante. Negar o outro para a criança é forma uma idéia de si mesmo, do corpo, dos sentimentos, da linguagem etc.

Na adolescência, com toda uma mudança na estrutura orgânica do jovem, Wallon afirma, segundo seu modelo de desenvolvimento, que na fase categorial, onde a criança desenvolverá funções cognitivas importantes aproximadamente aos seis anos de idade, terá novamente suas funções voltadas para a afetividade não mais para uma desenvolvimento simplesmente afetivo. Não quer dizer que a criança ao se maturar ao seis anos com pensamento verbal, não tenha sua afetividade também desenvolvida, mas nem Wallon, nem Piaget, coloca fases com “princípio”, meio e fim bem definidos, tudo dependerá de contingências e demais situações do meio e cultura que a criança e o jovem terá que interagir. Wallon defende que na adolescência, o jovem não é problemático por natureza, mas que existe uma mudança de sua estrutura psíquica (antes para o desenvolvimento cognitivo) agora para um desenvolvimento voltado para a afetividade.


Pergunta 5 –

Assim com em Vygotsky, Wallon é também um interacionista que formata uma Psicologia da Educação de forma a prescrever ao tradicionalismo educacional que existe uma importância fundamental na interação livre da criança com o meio e com os outros agentes sociais, que a vedação, a poda arbitrária de um modelo tradicionalista/”homogeneizador” poderá fazer um papel inverso pedagógico, transformando a escola tradicional num verdadeiro martírio ao educando pelo doutrinamento sem sentido que por vezes impõe uma pedagogia robótica, uma pedagogia bancária (ver Freire) onde os educando são meros recipientes de depósito de conhecimentos empoeirados. A visão holística de Wallon trará ferramentas importantes para a formação do professor, seu melhor entendimento em sala refletindo inclusive num sistema que possibilita uma mudança agora institucional nas escolas tidas como tradicionais.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ilha das Flores - Aos esfarrapados de Freire

Considerações gerais ao documentário Ilha das flores. Vislumbre prospectivo sob um cenário políitoco/institucional de ruptura com o capital e uma possível reestruturação social e pedagógica inclusiva.

Devido ao processo histórico e advento do capital e sua sociedade, seres humanos são renegados ao degredo social. Seres humanos valem menos do que animais e menos que o resultado de uma produção industrial, ou mercadorias em geral.Existe, mediante o próprio metabolismo da sociedade capitalista, restrições e desrespeito aos direitos humanos. Os direitos humanos restringue-se a uma mera carta de boas intenções. Apesar de institucionalizada no mundo ocidental - não é seguida. Segundo a ONU são três bilhões de homens/mulheres que vivem com menos de um dolar/dia, sem acesso à água potável e saneamento básico. A renegação social em ilhas das folhes, se estende a todo bolsão de pobreza extrema*. Entende-se por pobreza estrema - os esfarrapados de FREIRE. Milhões de seres humanos que não possuem capacidade estrutural biológica, que não possuem uma base familiar/social para lhe garantir o mínimo de dignidade e que ao farrapos, à nulidade de consumo e nutrição - se encontram num fatalismo social excludente. Lembremos que falamos de estruturas sociais e tradicionais que são tidas como naturais e que beiram o absurdo moral e existencial, a fatal reverberação do capital, à segunça existencial de milhões. Milhares sucumbem diariamente a esse fatalismo: seja pela guerra, pelas doenças, má nutrição, exclusão, preconceito... Estruturas sociais viciadas para com os "esfarrapados de Freire" tendo por metabolismo sua necessária exclusão.Exclusão necessária para mantimento do status quo. No atual estado da arte - em se tratando a exclusão e a desigualdade social, vemos em sentido sociológico - uma exclusão fatalista ao extrato social de pobreza extrema - dar-se-á também o nome de monopólio Radical (TUNES 2007). Uma estrutura social, uma tradição que já está posta e que sob uma perspectiva individual/subjetiva não se pode fazer absolutamente nada. E dai pergunta-se: O que fazer em sentido a romper com essas estruturas viciadas e excludentes? O que fazer para concretizar uma emancipação social? Acumular força política e conscientizar as massas.Em unidade propositiva política, de um modelo de sociedade - isso dentro de uma transição histórica de ACúMULOS sucessíveis de forças POLÍTICAS - para se ter campo social fértil que possibilite o debate, a proposição, a concepção e a feitura de uma reestruturação social em sentido includente. Tratemos como um salto qualitativo de feeling humano;da radicalização do humanismo não sua romantização voluntária, de humanização do humano necessariamente ao extrato social pobre, aos esfarrapados de Freire que sequer decidem sob sua existência biopsiquica. Vivem e viveram sob o fatalismo da exclusão existêncial que fatalmente decidirá o que comerá e o que pensará - até seu aniquilamento seja por inanição, seja pelo extermínio da sociedade capitalista global.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Análise Crítica 1 - O educando com necessidades educaionais




Universidade de Brasília
Faculdade de Educação
Departamento de Teorias e Fundamentos
Disciplina – O Educando com Necessidades Educacionais Especiais
Professora: Anelice da Silva Batista

Análise crítica do artigo O silêncio ou a Profanação do Outro (TUNES e PEDROSA 2007) e do filme Uma lição de Amor no Brasil, I am Sam nos EUA com PENN, Sean e FANNIN, Dakota.


Sob termos gerais, mas empiricamente demonstráveis – a sociedade capitalista padronizou suas ações em detrimento à produção material e ao fomento do conhecimento humano. Essa padronização alienou as relações sociais a tal ponto que hoje temos uma imensidão humana, uma massa humana de aproximadamente três bilhões de seres humanos vivendo com um dólar/dia. Em se tratando de restrições aos direitos humanos, a humanidade perece pela fome, doenças, guerras, etnocídios, pela opressão e coação do estado ou pela força da lei instituída. Falamos de restrições ao básico para a dignidade humana. Metade da espécie Homo Sapiens*, no séc. XXI, sequer consegue ter a possibilidade de romper com tal padronização, vivendo fatalmente longe de exercer suas potencialidades enquanto ser.

Essa estrutura alienada de produção de bens e que, durante aproximadamente seis séculos, pós-advento do mercantilismo e institucionalização de moedas, movimentos cambiais, casas de seguros, bancos e empresas em geral tratou de se se institucionalizar, refletindo decisivamente na produção de conhecimento humano e na forma da escola moderna.

Sob essa massa de excluídos o reflexo fatal da natureza excludente do capital, a escola passa a também ser ferramenta mercadológica e passa também a ser ferramenta de um processo de exclusão. Em TUNES 2005, deixa-se claro que o ideário de inclusão social pela escola está condicionado à exclusão capitalista em sentido histórico e estrutural/conjuntural. Tal situação irá reverbera no universo do trabalho e no espaço sociológico, na tradição, na cultura, e no entendimento pedagógico de modelo institucional escolar.

Não te trata de um fatalismo sistêmico, mas uma dependência histórica evidenciada pelo modus operandi da escola ocidental e até da academia.

Em se tratando da exclusão social, seja pelos estereótipos, pelos diagnósticos psicológicos, seja pelo achismo preconceituoso e de senso comum o universo do trabalho é duplamente negado pelos homens e mulheres que possuem alguma necessidade/deficiência biopsíquica.

No filme Uma lição de Amor (I am Sam nos EUA), Penn – num sublime papel de um pai com dificuldades mentais na fala e em determinados processos cognitivos e sob sua dificuldade de socialização perante sua pequena filha, teve, em sua trajetória com pai, a opressão da lei do estado, que por diagnósticos imprecisos, vetava a convívio entre pai e filha e podava o direito de ambos, sob a justificativa excludente. Levava-se em consideração a dificuldade de Sam em alguns processos cognitivos como a rapidez no entendimento lógico de silogismos propostos (ver cenas dos inescrupulosos interrogatórios do juiz e juizado de menores).O personagem de Penn, pela dificuldade motora e de fala, era fatalmente excluído do mercado de trabalho, não podendo, sob a justificativa da exclusão, obter meios para criação da filha. Em TUNES 2005b, observa-se o conceito de exclusão abrangendo uma condição de vida, em que os seres humanos são reduzidos à condição de animais confinados ou jogados à sorte social, impossibilitando os mesmo do exercício de suas potencialidades. Ilich irá desenvolver os conceitos de monopólio radical, onde fatalmente a não possibilidade de escolha – impõe fatalmente o consumismo e a alienação – tudo legal e institucionalmente válido e “aceito” pela sociedade capitalista e agora global.

As conceituações da exclusão sociais agora por Escorel (1998) têm por referencial também a vulnerabilidade dessas imensa massa humanas sob a padronização capitalista.

A autora TUNES cita: “A participação em um grupo não gera forçosamente uma exclusão”.Defende também que a análise da exclusão não pode ser feita sob a perspectiva de separação dos grupos sociais. Mas em sentido de execução de política pública, conceituaremos exclusão, analisaremos em forma sistêmica, mas o que executaremos? Não se torna uma questão excessivamente teórica em detrimento à feitura e execução de políticas públicas setoriais, específicas e afirmativas? Admitindo-se a veracidade de melhor explicação do estado da arte da exclusão sob uma perspectiva sistêmica e geral, é condicionante, é variável dependente na feitura de políticas públicas setoriais? Sim e não. Sim, por que traçará uma boa prospecção na tentativa política de resolução da exclusão. E não, por que políticas públicas trabalham também com restrições, inclusive as de caráter sistêmico e capitalista.

Concordamos com a autora TUNES que se torna relevante diante de problemas estruturais conceber um modelo de escola libertária e de inclusão. Inclusão como conceito a abraçar inclusive os “esfarrapados” de Paulo Freire. Mas defendemos a validade de políticas afirmativas como a política afirmativa de cotas étnicas. Admitir que a feitura de política pública por afirmações é válida, não é necessariamente descartar a posição de TUNES em defender uma análise mais ampla das estruturas sociais para a inclusão – mas é admitir a possibilidade não só de inclusão mesmo que parcial mas de formação civil de grupos, de grupos étnicos excluídos pela história mercantil/capitalista – isso pela práxis política/civil setorial. Não visando logicamente a panacéia da chaga estrutural.

Admite a lógica escolar – a naturalidade do modelo, pela cultura escolar ser padronizada. Padronização que leva fatalmente à exclusão. Essa exclusão, dentro do espaço escolar terá inúmeras esferas.

Em sentido institucional, mesmo com a criação de somente uma “secretaria de aprendizagem” independente de grupos, as especificidades sociológicas, do extrato social no caso do Brasil negro – poderia não ser alcançada em termos de aprendizagem. Mesmo porque quem conhece o Brasil negro, sabe que sua exclusão é histórica, e fundamentalmente justificada pelo entendimento etnocêntrico. Tudo leva a crer que o espaço social da qual vive o brasileiro ainda permanece excludente, violento e moldado por uma espécie de plutocracia de padrão ocidental.

*Homo Sapiens – Como a unidade da espécie humana – cunhada pelo processo evolutivo darwiniano.Ver processo de especiação, paleontologia moderna, antropologia física.Ver GOULD - et al e todo o campo da genética moderna.


sábado, 4 de abril de 2009

A pesquisa em Educação



Saudações a todos da disciplina Pesquisa em educação, Olá Prof. Kipnis,



A pergunta possibilita várias respostas. Vejo a pesquisa como um exercício reflexivo, ou seja um exercício controlado (in vitro), ou uma tese, uma observação, um relato histórico que pode ser "pequisado" por homens para tentar decifrar ou entender melhor do por que determinado fenômeno acontece.

A pesquisa científica tem uma forma determinada/lógica de ser ou dependendo do objeto a ser estudado, pode-se utilizar mais de um método.

A ciência se utilizará de um método para "pesquisar" as condidionantes ou as causas de um determinado fenômeno concluíndo (mesmo que parcialmente) relações de causa-efeito por meio de evidências, provas materiais, comparações, classificações (taxonomias) para que dentro de um proposta de trabalho, analisar um objeto (de pesquisa) que deve ser mensurável, acurado, objetivo.

Em pesquisa básica pode-se gastar milhões sem um devido resultado ou conclusão. Em inovações isso acontece muito, mas chega uma hora em que o processo da pesquisa, atinge resultados relevantes e importantes para a vida humana, sua saúde, na produção de alimentos etc.

A empresa 3M, gasta milhões em P&D (pesquisa e desenvolvimento) e que não dá nenhum resultado prático, mas volta e meia nas pesquisas, descobre-se uma cola mais resistente, uma fita mais flexível e durável, um plastico com x propriedades úteis, uma ferramenta... inúmeros produtos mais avançado e que terá saída comercial.

Sob a perspectiva pedagógica, trará importantes conclusões (sob estatísticas) para uma tomada de decisão, na fundamentação do repasse de ensino em sala de aula, ou até mesmo na construção integrada de conhecimento relevante com discentes, técnicos, corpo administrativo de uma escola, no fomento de talentos em ciência, na clarificação das disiciplinas científicas vistas nos primeiro e segundo grau...

São palavras comuns no meio de pesquisa, hipóteses, método, metodologia, teoremas, indução, dedução, média, mediana, desvio padrão...universo de pesquisa, ambiente controlado(in vitro).

Depois faço mais alguns comentários - Sds - Saulo Fabrício - 1006584.

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kipnis - A pesquisa requer um método?

Creio que sim, não saber onde quer chegar, nem saber como chegar ao objetivo de um pesquisa, torna-se a coisa impraticável...note que muitas das vezes pesquisa-se (caso da 3M), em inovações mas não se tem claramente um objetivo. mas acredito que os caras da 3M, também não pesquisam por pesquisar...

Mas quando você faz uma argumentação ideológica, você também não usa um método de argumentação a respeito de alguma coisa?

Sim, argumentação ideológica é o que mais norteia pesquisa. Exemplo: as pesquisas de opinião política, ou solicitadas por empresas que queira "fazer seu filme" pode-se até mentir, burlar, envergar resultados obtidos em estatísticas...

Mas parto do pressuposto que em pesquisa científica (impessoal) deve-se trabalhar de forma demonstrável, de forma que quaquer pessoa tenha acesso ao processo da pesquisa, de seu método, universo da pesquisa - isso para que a mesma seja de conhecimento de outos pesquisadores e para que os mesmo possam encontrar inconsistências ou corroborá-la. A pesquisa e seu método devem ser publicadas para que outras pessoas possam entender como que se chegou a tal resultado ou explicação de um fenômeno..

Isso garante lisura científica? A priori sim, mas tenho como pesquisador que admitir que muito do que é feito em pesquisa é puramente ideológico. Com fins exclusivos capitalistas, de merchan, de autopromoção - sem ter a pesquisa fundamento científico claro... apesar da utilização de método etc.

Agora professor Kipnis, tenho também o seguinte pensamento:

Isenção/impessoalidade em pesquisa científica é muito difícil. Dentro do sistema capitalista vejo a pesquisa sendo feita já com "intuitos ideológicos" embutidos já nos início da pesquisa.

No caso de instituições como UnB - já vejo intuito republicano, para todos, mas ainda com um "q" ideológico.

Em suma, ainda não consigo enxergar pesquisa puramente isenta de ideologia. Pesquisa-se para um determinado fim. A arte pela arte (de Nietzsche em para além do bem e do mal), a pesquisa pela pesquisa, a erudição em pesquisa, pela erudição em pesquisa como fim retórico ou para formar opinião destituída de fundamento na realidade, prá mim não faz sentido se a mesma não tem aplicabilidade ao maior número de pessoas.

Sds - Saulo Fabrício - 1006584

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Nem tudo em ciência é relativo...


kipnis - Saulo, como você vê a distinção entre pesquisa básica e pesquisa aplicada?

Saudações Prof. Kipnis e a todos da disciplina,

O debate tá ficando bom...aprovo A pesquisa básica seria a exploração, especulação, o testar de hipóteses ou teses sobre um determinado fenômeno/objeto na tentativa de clarifica-los utilizando-se de um método. Encontra-se uma resultado/conclusão e APLICA-SE (pesquisa aplicada) para um determinado fim útil ao homem. Mas acho que esse ciclo virtuoso dentro da pesquisa não acontece sempre...


Outra coisa: se tudo está "contaminado" pela ideologia, para que fazer a pesquisa científica?

Kipnis e demais, não diria "tudo" mas uma boa parte das "intenções" em pesquisa são para o lucro ou para autopromoção capitalista.

Por outro lado, em quê traria descrédito ao pesquisador e pesquisa se a mesma é voltada para difusão por exemplo de técnicas de plantio no sertão, implementação de pesquisas sobre segurança alimentar?

Analisando friamente por exemplo pesquisas para segurança alimentar e sua aplicabilidade - a mesma pode ter uma "ideologia" humanística - mas totalmente corroborada por um método claro e com resultados sociais pertinentes e aplicáveis. Ora, o pesquisador (com intuito humano, puramente humano) pode concretizar um ciclo de pesquisa impessoal, mas sem ser "contaminado" por sua ideologia humanista ou seja lá qual for.

Notem todos, que nesse embate dialético entre impessoalidade/isenção científica e atuação ideológica na pesquisa não existe no meu entendimento um marco claro que delimita isenção e ideologia. Pesquisa-se para um fim, pesquisa-se tendo por pressuposto uma "idéia" humana...

Não tenho certeza disso, mas a coisa torna-se ainda mais paradoxal ainda dentro do sistema capitalista e em sua estrutura que afeta diretamente os meios para pesquisar e inclusive a mentalidade dos pesquisadores em detrimento a um método isento...

Nesse sentido, as brilhantes "sacações" de grandes nomes da ciência como: Newton, Galileu,Copérnico, Darwin at all, Einstein etc, etc não podem ser consideradas determinadas por uma ideologia. O que esses grandes "descobriram" estão além de um determinismo ideológico - a GRAVIDADE, a SELEÇÃO NATURAL, concordando com ela ou não, torna-se um FATO puro, inconteste ideologicamente por as mesmas estarem demonstradas com inúmeros fatos e experimentações in vitro.

Admito prof. kipnis que em relação a esse embate dialético de ISENÇÃO X IDEOLOGIA na feitura de pesquisas científicas ainda não tenho um panorama claro de tudo que influencia essas questões...esgotar essa questão seria um trabalho de difícil trato.

Por lisura em debate, força-me a deixar a questão em aberto. Alguém poderia complementá-la, ou não concordar com nada que disse até agora?


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A neutralidade do Pesquisador


Olá Pedagog@s e Prof. Kipnis;

A neutralidade do pesquisador, vai depender de um completo entendimento do método adotado sobre um deteminado objeto de investigação que deve ser o mais específico possível. Neutralidade remete-se necessariamente à objetividade. Freire admite a não existência de uma Pedagogia neutra, mas o contexto é em termos gerais, em termos políticos.

Supondo que o método do IDEB seja "ideal" e pertinente, sem falhas...Quando se calcula o IDEB (objetivamente falando) o pesquisador foi neutro em tal situação. Em termos mais gerais (políticos) não podemos afirmar com tanta certeza...

Outra dificuldade também é quanto às conclusões do IDEB, pode-se acertar no método e em seu cálculo mas o índice pode não refletir um nexo causal entre causas e efeitos (dentro do universo da pesquisa e/ou da educação)...

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A objetividade do pesquisador:

De forma análoga ao tópico - da neutralidade do Pesquisador*, também se admite que a objetividade em pesquisa científica deverá se ter uma visão clara e global do "caminho das pedras", ou seja; do método científico adotado para alcançar na concepção de uma pesquisa científica objetividade investigativa.

Objetividade remete-se a delimitação clara de seu objeto de pesquisa. Objetividade e neutralidade são pressupostos interdependentes e complementares em uma "boa" pesquisa científica.


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Considerações gerais sobre a ciência em tópicos debates:


De uma forma geral, ciência é uma forma específica de interpretar e/ou entender o cosmo e a existência humana. Palavras chave: método científico, empirismo, linguagem formal e rígida, conceito, teorias, argumentos, mensuração etc.

jacki - Ciência sempre me conecta a racionalidade. Tudo aquilo que é passível de análise e de respostas humanamente explicáveis.


hum... interessante jacki mas vou discordar em partes. o que seria a análise? o homem não explica definitivamente o que é vida, mas é objeto da ciência o conceito vida e suas estrutura orgânica etc.... a ciência não visa explicar tudo...mas que tentam ... isso tentam... =]


ana - até mesmo através do erro se concretiza algo científico.

hum... poderia exemplificar ana? pensei na descoberta da penicilina por "acidente"...mas acho que não é beem assim não heheh =]

Tainá - Quando penso em ciência penso em algo concreto.

o concreto seria mensurável? uma onda eletromagnética, o espectro "roxo", ou "azulado" da luz solar não é visível a olho nu e nem se pega, mas se mede. =]







Crítica ao Artigo - Solução Definitiva (Cristovam Buarque)




Á comunidade Educacional Brasileira,
Á Antropóloga: Leila Chalub para apreciação;
Ao Senador Cristovam Buarque (PDT/DF);
Aos formadores de Opinião;
Á intelectualidade Brasileira
Aos universitários cotistas brasileiros.

Esse artigo seguirá em resposta ao Senador da República Cristovam Buarque ao jornal – O Globo em 06/12/2008 – Artigo: Solução Definitiva*.

Do romantismo e atos falhos de Cristovam Buarque ao simplismo de uma revolução educacional. Ao simplismo velado do senador às políticas de ações afirmativas e sobre o próprio sistema educacional como função social e de natureza plural.Perspectivas além do maniqueísmo de debate político/educacional nas UF’s e parlamento. Perspectivas de uma agenda política educacional para 2009. Proposições explicativas às PA’s e suas restrições de política temporal e pública. Do entendimento estatístico do Brasil negro.

Prezados irmãos universitários cotistas brasileiros, brasileir@s:

O Sr. Senador Cristovam, finaliza seu artigo ao jornal o Globo – A solução definitiva*: http://www.cristovam.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2345&Itemid=2 admitindo em seu próprio artigo a não aceitação dos “contra” e “a favor” das cotas e das bolsas, argumentando que se torna pobre as idéias dos debates no sistema educacional nesses últimos anos por existir somente esse debate educacional na agenda do Brasil.

Para relembrar a difícil tarefa do estudante brasileiro e dos jovens secundaristas, a agenda da política educacional é vasta, complexa, desafiadora e completamente desproporcional em termos de força e representatividade política em detrimento aos gigantescos problemas da educação brasileira e de seu conservadorismo político.

Tem o discente brasileiro pela frente, instituições de ensino meritocráticas e elitistas que fazem de tudo – inclusive financiando o descrédito de pesquisadores, professores, técnicos, cientistas brasileiros para que o conhecimento chegue à população e se dissipe, se descentralize em mais estruturas que proporcione a difusão de conhecimento gratuitamente.

O que fazer em termos de atuação civil? Ficar no resmungar erudito de Cristovam para atacar as políticas afirmativas, ou traçar um profundo debate transversal, de natureza dialética, até a exaustão se preciso. Ficamos com a segunda opção, mesmo por que seria impor um estranho determinismo em agendas que são plenamente dinâmicas e que por vitórias de acúmulo de forças políticas, tem-se agora um piso mínimo salarial aos docentes e perspectivas reais de fiscalização e cumprimento da LDB e legislações correlatas. No trato atual, ainda tem por relativos políticas já instituídas. O piso salarial ainda não é pago em inúmeros estados. Como o trato político é difícil, muito dessas conquistas estão na letra da lei. Existe legalmente, mas nunca é executada de forma eficiente.

Tem o discente brasileiro pela frente desafios com relação às estruturas e laboratórios das UF’s, à evasão, ao REUNI, ao PROUNI, em relação às PA’s, à Amazônia, à soberania nacional, a uma maior politização e capilarização de bases representativas dos jovens latinos. Uma profunda crise de articulação, união da base do estudante brasileiro se identifica, refletindo inclusive resultados de lutas parciais, sem norte real.

Como o meio acadêmico é virtuoso, mas também vaidoso, o racha na base do movimento estudantil atende a caprichos ideológicos, patotas e currais eleitorais, a não existência de aprofundamentos em debates, folgas estatutárias, corrupção, tudo permeia a atual história do movimento estudantil brasileiro que hoje se encontra a duras penas, na tentativa de retomada a deliberação séria, comprometida, dinâmica e humana.

Torna-se necessário, portanto, conclamar OCLAE, UNE, UBES, todos os DCE’s e CA’s do Brasil e América Latina para a definição de uma agenda conjunta, real, plural, atualizada, uma agenda pedagógica que trate da difusão de conhecimento pertinente e relevante para famílias pobres e que reflita os gargalos e principais questões estruturais da sociedade pobre e do ensino brasileiro. Logicamente que toda essa situação com inúmeras restrições locais, operacionais e ideológicas.

Cristovam romantiza e simploriamente tenta anacronizar e empobrecer uma agenda que não é pobre de conteúdo e além de ser um imenso desafio a todos os discentes, pedagogos, docentes, técnicos, formadores de opinião e a intelectualidade em geral, gente e idéias que convoque uma verdadeira convergência de projeto ao Brasil negro – tudo isso necessariamente deverá incluir as reais necessidades e também a representatividade dos movimentos sociais e dos movimentos negros e correlatos. Tudo isso para aí sim, termos um debate profundo, dialético e produtivo em torno da realidade do Brasil negro. Não resmungos deterministas que apesar de ter boa retórica e peso político não reflete a realidade do Brasil negro (não se constrói argumentação científica com “tijolos” de autoridade, ao contrário, impõe autoridade, pela construção sólida de tijolos de argumentos científicos). O senador Cristovam nessa nuance de concepção e fomento de conhecimento, pelo seu determinismo – arrogou-se a simplificar e a taxar a agenda educacional brasileira de “pobre”, mas paradoxalmente, não aponta soluções pedagógicas, de projeto pedagógico para enriquecer o debate de inúmeros pontos já pertencentes à “pobre” agenda de Cristovam.

Teria o maior prazer em assistir o Senador Cristovam a debater o projeto genoma e seus reflexos econômicos, com os doutores da Embrapa em seus estudos em pragas da laranja e demais culturas, com os pesquisadores da Petrobrás, CNPq ou FINEP na formulação de políticas nesse sentido. Não por exercitar uma espécie erudição pela erudição, L’art pour L’art nitzscheana - mas sim pela comprovação de que a agenda educacional para o Brasil no futuro não é de nada simples e/ou pobre de idéias e projetos. As exemplificações são inúmeras como: A difusão do conhecimento técnico e científico sob os limites do REUNI e da nova estrutura dos CEFET´S. Nanotecnologia, Farmacologia, Geoprocessamento, pólos industriais (vide zona franca de Manaus), germinação de processos de inovação em superimãs ou energia nuclear, incubadoras, as centenas de pesquisas aplicadas da EMBRAPA.

Identifica-se inúmeras contradições estruturais da educação, o piso salarial que não está sendo cumprido aos professores, ensino e material didático desatualizado, deficiências (inúmeros graus) de aprendizado, desnutrição/fome.

Teria o maior prazer em assistir o Senador Cristovam a debater com idealizadores e pesquisadores da FINEP, demais pesquisadores da área de fármacos, transistores, biotecnologia, nanotecnologia (muitos da UnB), matrizes de parques científicos e/ou educacionais, projetar inovações de ensino, como resolver uma definitiva restauração de nossa estrutura de observação astronômica parada?

Inúmeros planetários e observatórios parados. Estrutura pública, caríssima mas totalmente ineficiente ao social. Imaginemos tudo isso sistematizado com fundamento de projeto cada área com inúmeros pesquisadores, pesquisando em rede, de forma integrada a um grande projeto de pais?

Seriam pobres tais desafios respeitado Senador Cristovam? Definitivamente não; nem para visionários como Darcy Ribeiro, tais questões seriam por demais complexas, de difícil trato político, de grande dificuldade de implementação. Mas possível e parte disso tudo é factual.

Se tais assuntos são de natureza desatualizada e pobre, em sentido científico, deve por veracidade argumentativa e intelectual postular os temas que deveriam estar na agenda “pobre” educacional para iniciação de debates de relevância e importância estratégica e real na resolução dos gargalos de agenda educacional e de formação de sujeitos, de formação civil.

Em sentido de projeto político, tem o Senador Cristovam tal agenda alternativa fundamentada na realidade? Sabemos que nem institucionalmente (PDT), partido do Senador Cristovam, tem em sentido político – tal projeto, que o diga de uma “iluminação” de Cristovam. Implementações de projetos estruturais não surgem de iluminações ou insight de gênios, eruditos ou soberbia acadêmica ou notório conhecimento de causa, e sim por processo lento de acúmulo de forças sociais que atuam na educação.

Notem que aqui, a complexidade de composição de agenda, não atinge ainda grande parte dos problemas estruturais da educação brasileira e que são considerados como “triviais”, identificáveis... Alimentação, boa formação docente, continuidade, resolução das causa específicas da evasão, acessibilidade e continuidade de estudos acadêmicos com democratização das IES expansão e reestruturação das cinqüenta e três UF’s.

Uma manobra eximiamente oportunista e rasteira, alienada e conservadora no legislativo e demais poderes, verdadeiramente comprada pela opinião pública de grande mídia a não aceitar um franco debate histórico/dialético, quanto a triste realidade e defasagem social do Brasil negro em detrimento ao Brasil branco é que agora - mistificam o debate das cotas para critérios de 50% dos alunos vindo das escolas públicas.

Ora, tal distorção atende somente ao mantimento do preconceito unilateral. O tratamento deve ser desigual aos desiguais nas oportunidades históricas.

Isso já acontece no acesso das IES públicas, onde na sociedade brasileira, 47% dos alunos das UF’s são das escolas públicas. O problema, a chaga social está justamente na não aceitação da AFIRMAÇÃO ou da proposição (por isso PA – Política de Ação Afirmativa) de que o Brasil é ainda um país essencialmente racista e preconceituoso.

Racista, etnocêntrico e preconceituoso, perante outras culturas, inclusive as de nuances africanas e latinas e também na questão da evasão escolar – no ensino superior muitos recursos e tempo é gasto no trabalho de resultados acadêmicos inócuos.

Um verdadeiro estupro cultural aconteceu/acontece entre o séc. XIV – atualmente em termos de línguas, dialetos, culinária, costumes, religiões e manifestações culturais diversas advindas da África e América Latina e que ainda hoje, demonstram a vampiresca exploração capitalista que a cada vez mais aperta o “torno” da mais valia, centralizando riquezas e principalmente o conhecimento humano.

Um verdadeiro modus vivendi alienado das condições iniciais de trabalho antes Revolução Industrial, uma alienação global que influencia diretamente a produção de ciência e conhecimento, a difusão do conhecimento e da educação para todos. Um capitalcentrismo dá a base significativa para mais uma comprovação da fetichização capitalista na sociedade humana e em suas relações agora “monetarizadas” e nas restrições de concepção de projetos pedagógicos plurais. O acesso tornou-se meritocrático e vinculado ao trabalho. Como a população não tem trabalho, não tem acesso ao ensino superior.

O “torno” capitalista, não produz nem deixa produz emancipação científica – aqui se encontra uma restrição pedagógica, sem difusão livre de conhecimento não se estabelece relação pedagógica. Não se estabelecendo relação pedagógica, não se produz emancipação mental e física.

A maneira de produzir e difundir conhecimento e educação para atender a comunidade negra, esbarra no vampiresco sistema capitalista que ao aumentar a pressão do torno da mais valia, seja pelos juros, movimento cambial ou crises, seja pela violência criada pelas tensões dos explorados, mascara o debate político sobre o tema impedindo a articulação e sincronização da práxis pedagógica para uma educação acurada e que responda ás necessidades do Brasil negro e não só negro, mas para todo o Brasil.

Isso tudo baseado na pseudológica imparcial de critérios meritocráticos. Acessibilidade institucional ao conhecimento seria por critérios meritocráticos. Um verdadeiro funil irracional pensando na real amplitude da relação pedagógica dentro de uma democracia.

Em relação à difusão de conhecimento relevante a academia brasileira ainda é elitista, corporativista, fetichista, conservadora, branca e etnoreligiocentrista. O conhecimento científico brasileiro se movimenta somente e exclusivamente nesse circulo social – a alta sociedade brasileira e internacional.

Todo nosso parque industrial/tecnológico está vinculado à determinante capital, epifenômeno mapeado em Marx at all. Mas a feitura de políticas afirmativas pode romper parcialmente com essa determinante estrutural.

Outro grande engano para a feitura de projetos pedagógicos – principalmente esses (das PA’s) onde o gargalo a ser resolvido (não existência de negros nas UF’s) passa necessariamente pelo mérito escolar, como se a mera contratualização, se meras notas dão valor ao mérito por vezes burlado ou desprendido de relevância para, por exemplo, produção científica – pesquisa e/ou extensão.

Existe claramente em termos socioambientais uma gritante defasagem entre os “brasis” negros e branco. E a mistificação e a não aceitação das “cotas” como política já instituída é por que não querem que o Brasil negro se reconheça e se estabeleça como nação de identidade étnica plural, respeitada, atuante, politizada e emancipada na República Federativa do Brasil, não em outro território, sectarizando a República por um apartheit invisível dada pela boa vontade romântica da “fina flor do lácio” opressor, inclusive em relação à língua, mas por duras batalhas políticas, de acúmulo de forças fundamentada na realidade do estrato social negro e em sua condição concreta de vida.

O Brasil negro, com a proposta de neutralização dos debates das cotas e desvio para o foco da escola pública, não resolve o problema da política afirmativa e também não respeita a autonomia das UF’s sem contar com o atropelo na mensuração de resultados que ainda nem aconteceram... Pois a primeira turma cotista se formará em final de 2009.

O equívoco ideológico é nítido e a vigarice argumentativa dos proponentes permeia e infecta até a ilibada e erudita formação educacional de Cristovam Buarque que se por atos falhos ou por tendências ideológicas mesquinhas – tais ilações não vem ao caso a princípio, mas que ainda assim, não se justifica o artigo onde busca o Senador, a relativização das PA’s, por as mesmas não serem a panacéia dos problemas estruturais da sociedade negra.

Em seguir tal lógica, não sairemos nunca do terreno das idéias e das utopias – isso por que não existe planejamento na resolução plena da educação – o problema é estrutural e de formação histórica, portanto as estruturas condicionantes e determinantes da educação brasileira devem voltar a ter sentido social e o tratamento deverá ser fundamentado nas distorções históricas e na garantia legal de tratamento desigual aos desiguais no decorrer da história.

A alfinetada não é de educador para educador e sim de um pesquisador a um formador de opinião, tratado tudo dentro da esfera científica/filosófica e principalmente na área educacional fundamentada na crítica (acima), crítica estrita pedagógica.

Afinal, é trabalho de educadores, mistificar a realidade existencial em detrimento a publicações simplistas e verbalizadas por ato falho (vide dinâmica do inconsciente, em literatura correlata dentro da Psicologia) de uma crítica rasa a não existência de uma agenda política educacional em debate nas Universidades para relativizar a necessidade das PA’s? A lógica nos remete ao não – não faz parte do escopo das atuações pedagógicas mistificar a realidade existencial para beneficiar uma ideologia ou o doce relato de momento.

Qual seria a correlação positiva ou negativa entre a não existência de uma agenda política educacional “rica” em detrimento ao rechaço da política afirmativa das cotas etnoraciais? Uma coisa depende da outra na práxis pedagógica? Conceitualmente, o que deveria compor uma agenda educacional rica?

Independentemente da resposta, ainda não se resolve o problema da inclusão, que o diga os estruturais da sociedade negra – tanto é que para o autor, o principal problema da sociedade negra, alem do Estatuto da Igualdade racial seria a demarcação das terras quilombolas não a defesa do projeto das políticas afirmativas que também é importantíssima como política afirmativa de acesso aos jovens negros à uma UF.

Essa questão espinhenta passa perto de poucos representantes do povo e fica somente no círculo dos mais abastados de informação e no círculo dos cientistas sociais e demais intelectuais, a representatividade do ser contra as cotas tem seu peso na academia brasileira (que é branca e racista), mas tem sua real representatividade social no povo negro, no Brasil negro/pardo. Por isso de sua institucionalização em inúmeras UF’s do Brasil.

O Brasil negro é a 101ª economia do mundo, enquanto que o Brasil branco seria a 46ª em termos de distribuição de renda, segundo o PNUD.

As desigualdades materiais foram inequivocamente também formadas pela exploração servil do negro. Perpetuada de geração após geração, pela alienação do trabalho pelo capital e no apoderamento do resultado social desse trabalho – solidificando as estruturas sociais desiguais, forjadas pelo sistema político não democrático, mas plutocrático.

São registrados por Darcy Ribeiro, aportados na Ilha Brasil, quatorze milhões de africanos, metade morta nos navios negreiros por desidratação/infecções e maus tratos, outra metade utilizada como ferramenta básica das produções do açúcar, café, minerais, construções das casas grande, comércio, embarcações, ferramentas em geral por dominarem a milênios o ferro etc.

Não sabemos se por “mea culpa”, acreditamos que por ato falho, Cristovam também simplifica o debate aos resultados da PA de cotas etnoraciais, sendo que não existe parâmetro para mensuração da mesma, pois a política ainda não terminou (vide prazos, projetos e critérios em sua UF cotistas). Ora, como mensurar um objeto sociológico (impacto social da entrada de jovens negro para o ensino superior) sem esperar o término da política afirmativa?

Outra falha simplista de Cristovam seria a afirmação (por mais de três vezes e isso em seu curto artigo) que os fomentadores das cotas etnoraciais pensam que as cotas seriam a resolução dos problemas do Brasil negro. Ledo e estranho engano de Cristovam, por isso que a política é AFIRMATIVA e que por isso que tem um prazo (10 anos) para efeito de posterior mensuração de resultado. Não tem por objetivo ser a panacéia do Brasil negro. Torna-se estranho Cristovam afirmar tal situação levando em consideração sua grande experiência como docente e gestor público.

Como o atual artigo de Cristovam, não demonstra e não traz mais especificamente os reais resultados que se tem das políticas afirmativas de cotas etnoraciais nas diversas UF’s, não se pode afirmar, nem negar nada por enquanto. Como são contumazes as proposições ideológicas de Cristovam, o que dizer do artigo Solução Definitiva* sobre a necessidade de que para ter peso científico, proposições de natureza política/pedagógica devem ser empíricas,impessoais e claras? Sendo que o mesmo é composto por senso comum e proposições enevoadas?

Em sentido estatístico factual, Cristovam apressa-se em afirmar questões como: “necessidade”, “pobreza de debate”, “instrumentos de discriminação afirmativa” para relativizar as PA’s. Ora, como se tem distorção em parâmetros (que nesse caso são inexistentes pois a política ainda não acabou), tem-se distorções em amostras – acumulando erros e percepções que em sentido estatístico estão equivocados e não tem qualquer peso científico.

Assim, cai por terra dizeres do tipo: “instrumentos de discriminação afirmativos”. As afirmações pelas quais se baseia a PA, não são discriminatórias e sim, históricas factuais. De resultado prático e includente. Como afirmar discriminação, se a política é inclusiva e focada diretamente no estrato social negro.

A não ser que novamente, queiram reescrever a história da exploração servil de 14 milhões de africanos e de gerações posteriores na Ilha Brasil (RIBEIRO, Darcy – O povo Brasileiro)? Seria Cristovam uma espécie de revisionista?

Ou estaria Cristovam desnorteado pelo fato de seu próprio partido e nem ele como intelectual ter formalizado o “caminho das pedras”, o “como” estabelecer pedagogicamente a equalização dos grandes desafios da agenda educacional brasileira e latina a partir de 2009? Dentro dessa perspectiva, como responde-las ao Brasil negro?

Será que Senador Cristovam ainda tem por discriminatória o entendimento factual histórico/antropológico da existência da exploração servil, por motivos inclusive étnicos? Não se tem provas históricas e documentação histórica convergente em grande número para corroborar tal fenômeno social (escravidão) e impactos análogos durante a história?

Não seria justamente afirmativo o entendimento? Na concórdia e na convergência de inúmeros historiadores? Ou na contra mão de toda essa convergência história o senador Cristovam quer apresentar uma outra visão da exploração servil negra como fato social?

Apresente por lisura intelectual (se esse for o caso) respeitado Senador Cristovam, revisão do fato social – a escravidão no Brasil do Séc. XV até os dias de hoje, e isso sob fundamento empírico, caso contrário, refutadas argumentações anteriores relacionada aos instrumentos de discriminação afirmativos... identificando assim um revisionismo ideológico.

Os atos falhos continuam e quase que por osmose, o próprio artigo – Solução Definitiva* - em termos de feitura de agenda política educacional, não permitem que essas alfinetadas estejam no terreno do simplismo, nem da romantizarão de um projeto educacional, sem a devida base política para tal feitio. Ou seja, em sentido político, escorrega Cristovam por também não apresentar os modelos ou métodos na equalização dos gigantescos desafios pedagógicos ao Brasil do século vinte e um levando em consideração a atual configuração das forças políticas que dominam o conhecimento humano, a ciência e o saber.

Em sentido agora acadêmico filosófico, torna-se até impensável um projeto educacional de nação, que não necessite de cotas e bolsas sem as devidas condições históricas e de forças políticas para isso.

Não nota o Sr. Senador Cristovam Buarque a atual composição de seu local de trabalho (Congresso Nacional)? Maioria homens e homens brancos.

Hoje, a política brasileira é constituída de conservadorismo religioso e de uma bancada política, de número e corpo político, de poder decisório por vezes... E que é também aversiva a um projeto educacional plural e que não pretendem difundir o conhecimento científico, nem mesmo tornar acessível pesquisa e estruturas de produção de riquezas. Emancipação política por políticas afirmativas menos. E pelo simplismo da meritocracia do vestibular aniquila-se do debate nacional os entendimentos históricos/Antropológicos e Positivos/Jurídicos quando se institucionalizou a Política de Ação Afirmativa.

Cristovam ao relativizar a validades das políticas afirmativas, ajuda no coro de vozes, desse mesmo corpo político que decide politicamente assassinar sem terras, camponeses, mulheres e crianças, perseguir lideranças comunitárias, pesquisadores, filósofos, ativistas, jornalistas, historiadores, lideranças partidárias, lideranças de movimentos sociais e do movimento negro.

Emancipação científica, de conhecimento é emancipação social.

Como Ilich cita, as UF’s e os respectivos currículos tornam somente etiquetas comerciais. Ora será que não reverbera uma longa histórica opressiva em detrimento ao recente fenômeno pedagógico – a academia.

Vendem-se diplomas aqui e acolá. Fazem pedagogia não pelo seu poder transformador social, mas sim pelo seu retorno financeiro e monetário. Nuances da fetichização capitalista no processo educacional latino.

A mercantilização da educação em determinados setores e instituições é patente, crescente e de tendência a se estabilizar na forma capitalista/elitista e de não ser ferramenta para o desenvolvimento do país – nota-se o descaso sistemático das IES privadas em fomentar pesquisa e projetos de extensão – manipulam o ensino, oprimem o livre pensamento, disseminam um ensino fraco e despolitizado, lucram absurdamente com matrículas e taxas altíssimas e por fim, alimentam ciclicamente o sistema privado dos tubarões do ensino, grandes corporações com interesses na educação, empresários e políticos.

A alienação e fetichização do capital em detrimento à educação universal e gratuita ajudam a pressionar o “torno” inicialmente citado dentro do processo da mais valia, na difusão e acesso ao conhecimento.

A elitização desse conhecimento e também das vagas nas UF’s e CEFET’s são certos.

O hiato entre o acesso de negros e brancos aumenta em vez de diminuir mesmo com a aplicação das cotas. Motivo para a não aceitação? Justamente o contrário, como a lacuna social/étnica é gigantesca, a política tem que ser de curto prazo e com sua devida radicalização percentual. Defendo o autor, a radicalização das cotas para um terço das vagas ofertadas a cada vestibular seguindo também a proporcionalidade da etnia negra em cada estado.

Ora, não só a aceitação da PA, mas também a proposição de sua radicalização, não em critérios para alunos de escolas públicas, mas sim para sua inclusão pelo fenótipo e por critérios históricos e sócio/econômico. Justificando inclusive o argumento afirmativo histórico/antropológico da PA.

Como o descompasso histórico é grande mais uma justificativa no mantimento e ampliação da política.

A situação torna-se por vezes uma “sinuca de bico” política educacional, pois Cristovam afirma que as PA’s não resolveram o problema (e isso também é um engano de Cristovam – por que a política não tem a princípio esse objetivo, fora limites operacionais) da comunidade jovem negra, mas também não metodiza, não divulga, não concebe uma alternativa que venha a justificar a não aplicação das políticas afirmativas nas UF’s. Não és representante legislativo pra isso?

Ou seja, politicamente, em sentido partidário resolutivo, Cristovam fica “em cima do muro” para mais facilmente, falar negativamente das PA’s mas paradoxalmente também não metodiza um projeto educacional viável para sanar tais disparidades específicas tratadas por exemplo pelos movimentos negros e pela SEPPIR, nem mesmo inclusive dentro de seu partido ou de sua base existe sequer discussão. Somente inúmeras retóricas encadernadas e perdidas nos discursos da casa. Resultado?

Inocuidade política no trato real da agenda educacional brasileira. Pois o criticismo pelo criticismo não atinge o âmago das estruturas viciadas da educação brasileira nem suas relações promíscuas com o capital.

As disparidades mensuradas e depois de mensuradas – superadas teoricamente em formas mais claras, em um projeto educacional plural, hoje se torna o grande desafio aos Pedagogos e formadores de opinião preocupados com o destino do Brasil – nação democrática ainda em formação, essencialmente negra e que ainda é racista e preconceituosa além da defasagem histórica da academia brasileira, surgida três séculos e meio depois das primeiras Universidades latinas.Vide província de Córdoba na Argentina.

Dentro desta perspectiva sócio-política da educação, torna-se ainda mais paradoxal, a postura de Cristovam a imputar nas PA’s principalmente em relação às cotas, justificando não ser a panacéia dos problemas estruturais brasileiros sem ao menos propor alternativas parciais e em curto prazo? Ora, critica-se a não efetividade política na totalidade mas nem propõe parcialmente soluções? Assim o trato político é cômodo e duplamente falacioso. Um, por confundir os objetivos políticos das PA’S. Dois, por não propor nem parcialmente algo que critica em totalidade.

Não seria prezado Senador Cristovam, imputar um peso muito grande numa política que nunca teve esse objeto e não foi projetada para tal fim – ser a panacéia dos problemas estruturais do Brasil negro?

As PA’s não tem por finalidade a emancipação total e plena do Brasil negro – isso não faz qualquer sentido. Um desatino, um disparate filosófico na conceituação de políticas educacionais. A estranha falta de informação de Cristovam sobre a conceituação das PA’S dá o devido espaço crítico ao presente ensaio.

Dizeres do tipo: “desprezo pelos pobres” não condiz com a práxis política de muitos pró-cotas e nem mesmo com as primeiras mensurações (mesmo que parciais) da PA (no caso da UnB), a grande maioria dos cotistas são os primeiros de sua família a gerações que nunca tiveram acesso a uma universidade ou ensino técnico.O apoio à política de cotas não exclui a luta pela igualdade social. Tais analogias ainda não coloca em descrédito a natureza das afirmações da política em pauta.

Esse simplismo novamente destaca mais um ato falho de Cristovam. As PA’s alem de terem levado em conta as especificidades étnicas de cada estado, se destituiu de uma visão maniqueísta. Tanto em termos sistêmicos, quanto em termos de resultado de política educacional e também ideológico.

A PA de cotas não foi concebida para resolver esses “nós” históricos do Brasil negro. A resolução desses gargalos sociais tem um difícil trato político, mexeria com muita instituição e gente poderosa – a resolução não é tão simples assim. Onde além disso, nada exclui uma coisa da outra. Mexamos nas estruturas viciadas, mas também ataquemos nuances pedagogias que são sectárias. A Universidade brasileira ainda sectariza @s jovens negr@s.

Como o conservadorismo impera, as argumentações para jogar a PA em descrédito em sua grande maioria é constituída de uma ignorância política e retórica doce de “igualdade(s)”.

Para tal concepção; fatos antropológicos e históricos foram friamente colocados em discussão nas comissões de cada UF. E que soberanamente, conforme sua autonomia didática/pedagógica decidiu pela implementação da PA – o que falta para acelerar resultados é a sua radicalização. Radicalização essa que ainda não garante resultados reais. Radicalização em percentuais de um terço em detrimento à proporção étnica de estado para estado.

Estranhamente, como docente da UnB, não sabe Cristovam que a PA’s nas UF’s e inclusive na UnB tem um prazo de dez anos e ainda não se concluiu estudos estatísticos sobre seus devidos reflexos na sociedade?

Ou seria mais um ato falho de Cristovam que ainda não se atualizou em sua retórica política e em suas atuações educacionais? Imaginemos à frente a dupla contradição em que Cristovam pode assumir em seu artigo – Solução definitiva* - se os resultados dos cotistas em mercado de trabalho e emancipação civil forem acima das expectativas?

Participo da idéia de Cristovam de revolucionar nosso sistema educacional, mas não participo que nesse meio tempo de coalizões de povos, forças políticas e governos em torno de um projeto progressista de nação para a educação brasileira e latina tenta-se reescrever a história. O que não se deve é formular políticas dessa natureza conservadora, voltada para sistemas monárquicos, de mentalidade do séc. XIX, com mensurações possíveis mesmo que ainda incompletas para a resolução TOTAL da comunidade negra.

Uma coisa nunca excluiu a outra. A implementação das cotas, nunca foi fator excludente de políticas paralelas, sendo essas correlatas e de maior raio de atuação. Falamos de especificidades étnicas por estados, impessoalidade, autonomia pedagógica e deliberativa por parte das inúmeras UF’s que adotaram a política – tudo fundamentada nos fatos e estatísticas (vide IBGE, PNAD, PNUD, IPEA, OIT e relatórios étnicos e de migração da ONU).

A princípio não faz sentido em termos educacionais, nem mesmo em termos políticos a relativização das PA’s nesse artigo de Cristovam. A validade das PA’s ainda não se abalou com a relativização e mistificação do Senador Cristovam ao jornal o Globo em 06/12/2008.

Teremos parâmetro assim que as primeiras turmas dos cotistas retornarem com sua experiência acadêmica ao social. Mas; como mensurar isso? Nunca objetivamente, sob causa x efeito y, mas sim por amostras e comparações de amostrar sob determinados fenômenos sociais. Mas como então falar em parâmetro? Pela inclusão de mercado de trabalho, pela satisfação pessoal, pelo seu aumento de experiência profissional, social e cultural, pela possível valoração curricular, como possível valoração socioafetiva, de integração social etc – as ciências sociais estão sempre atualizadas nessas questões e não seria pela falta de parâmetro claro que a validade das PA’s não seria justificado. Objetivamente cumpri com seu escopo incluir e fazer permanecer o estrato social negro na universidade brasileira.

Aos eruditos, a desmistificação de argumentos não científicos. Aos formadores de opinião um alerta: - Não caiam na esparrela política de relativizar a validade das políticas afirmativas. Á comunidade educacional brasileira: - Força!

Aos universitários cotistas e todos os negr@s do Brasil, minha admiração, respeito, identificação, apreço e reconhecimento social através desse ensaio sobre a cientificidade das políticas afirmativas e sobre os problemas estruturais da educação e devidas contextualizações sócio/pedagógicas. É de extrema necessidade que o Brasil negro se emancipe sob todas as formas legais e políticas. Cotista; siga estudando de cabeça erguida, sinta orgulho de representar seus antepassados. Seu ingresso na Universidade é legal e plenamente amparado por nossa Constituição.

Esse ensaio visa justamente isso – pela exposição argumentativa do entendimento do Senador Cristovam ao “empobrecer” o debate político educacional: apontar, identificar, analisar e mensurar alternativas para melhor entendimento das afirmações (premissas da política), de sua cientificidade e inclusive seu fundamento estatístico, positivo jurídico e histórico em detrimento ao determinismo e falsos juízos do Senador Cristovam e conservadorismo brasileiro no tratamento da agenda educacional brasileira para 2009 e da falta de parâmetro na mensuração positiva ou negativa das políticas afirmativas de cotas nas UF’s justifica-se a institucionalização da Política de Ação Afirmativa já constituída de vasta literatura, vide:SISS Ahyas; MENEZES, Paulo Lucena; TELLES, Edward, BENTO, Maria Aparecida,RIBEIRO, Darcy at all).

Um futuro glorioso a educação brasileira e latina terá na difusão de conhecimento científico e técnico de forma capilarizada, para todos. As restrições e enormes desafios estão aí.

Aprofundar o debate sobre as PA’s, incluir o Brasil negro nas instancias deliberativas. Incluir com carinho a mulher negra no escopo das políticas da SEPPIR. Politizar o Brasil negro, unificar pautas e forças políticas do Brasil negro, rechaçar ideologismos e incorporar boas críticas, clarificar os objetivos das PA’S, desmistificar falácias, identificar as variáveis que compõe a feitura de tais políticas propondo a devida superação histórica e resolução da tensão social pesquisada.



©2007 '' Por Elke di Barros