Ola Educadores, eh um prazer imenso para o Traquinagens* disponibilizar em totalidade a oportunidade que o Estado Brasileiro nos da para nos tornarmos educadores.
Agradecemos imensamente a oportunidade de ser uma fonte de informacoes pedagogicas/educacionais para que voce melhor entenda o universo da educacao e sua fenomenologia fantastica.Autores e leitores em geral acho inconsistencia nas postagens? Escreva-nos.
Nas andancas e debrucos sobre esse grande universo, que eh o universo educacional, uma dia desses nos perguntamos, bom o tempo passa para todos, isso eh bem logico. Mais logico ainda, eh pensar que a primeira juventude brasiliense, aquela mesma punk rock, do rock do legiao e dos anos oitenta agora, sao pais e maes de familias e de uma certa forma, deixaram a juventude.
Em sentido conceitual, ate que ponto, poderiamos afirmar que a segunda geracao jovem de brasilia, essa segunda juventude, a juventude do "porra vei" midiatizada, pode ser caracterizada como uma juventude em termos de ativismo politico quase que diametral (pelo apatismo) politico em relacao a primeira? A variavel midia, pode ser considerada variavel desse imbroglio?
Ate que ponto, podemos categorizar a juventude do "porra vei", enquanto uma "segunda" juventude brasiliense com fortes caractisticas de individualismo, semianalfabeta, narcisismo, sentimentalismo egocentrico e apatia politica?
Ate que ponto, em termos de agir politicamente, podemos estabelecer uma tese, inclusive em contra pontos visiveis de maiores acessos a informacoes, maior dominio de linguas, jovens contribuindo para inovacoes tecnologicas etc.
Entao educadores, como podemos tracar essa tese, pensando inclusive na feitura de instrumentos de pesquisa empirica para comprovar parcialmente ou refutar a questao posta acima. O Portal espera o comentario de voces professores e educadores(as).
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domingo, 17 de março de 2013
Midia e a segunda juventude Brasiliense, uma tese?
Postado por Ciência da Educação às 15:06 0 comentários
sexta-feira, 8 de março de 2013
Mídia, medicalizacão e Cidadania - Relações com uma educacao voltada para o futuro.
A literatura vista na disciplina Avaliação Educacional da pessoa com necessidades educacionais especiais na analise critica/conceitual do programa da Radio CBN – Caminhos Alternativos do dia 25 de Fevereiro de 2013 sobre o aumento do uso do Cloridrato de Metilfenidato (Ritalina) entre os anos de 2009-2011 segundo ANVISA. O discurso e as categorias preconceito, deficiência e inclusão pensando uma pedagogia para o futuro.
Objetivo de Pesquisa:
Analisar criticamente, tendo por base a bibliografia vista sobre preconceito, deficiência e inclusão – a entrevista da CBN sobre a Ritalina nos casos de TDA/H em pauta. Analise do discurso da entrevista da CBN pela perspectiva de RAAD et al sobre o diagnóstico, a medicalização da sociedade e o preconceito da deficiência.
Objetivos Específicos:
1) Transcrever a entrevista da CBN (Caminhos Alternativos do dia 24 de fevereiro de 2013 – Sobre a utilização da ritalina pelos alunos brasileiros) Duração da entrevista 20 min;
2) Identificar as principais categorias que os médicos falaram sobre os diagnósticos e sobre a TDHA;
3) Identificar as principais categorias que RAAD et al fala sobre o diagnostico e sobre a deficiência;
4) Dissertar sobre as possibilidades de se ver as manifestações da própria diversidade existencial por uma perspectiva ética e com uma práxis voltada para o futuro.
Justificativas da Pesquisa
A existência humana é algo extremamente frágil e que, segundo BURSZTYN apud HOBSBAWN (1998) p. 38 que o século vinte, depois de ter herdado por grandes revoluções técnicas/cientificas e no mundo do trabalho e da proteção social, foi um século vinte de guerras e contra revoluções e que ao invés do que falavam os analistas, as desigualdades sociais cresceram e com esse crescimento de desigualdades de base social, também se estabeleceu toda uma serie de argumentos que sempre sugeriu que existem homens superiores e homens inferiores. Mulheres superiores e mulheres inferiores.
Vemos portanto, que toda uma serie de discursos ideológicos – se formaram com o pensamento eugênico, ate em diversos estigmas de grupos que também sofreu por meio não somente de guerras comerciais, mas em guerras de pilhagem de ordem inclusive cultural. Sim, a eliminação de documentos, arquivos, livros, pecas arqueológicas, manuscritos, registros fotográficos etc
Essas guerras, também são por motivos políticos, étnicos, raciais, de gênero e geracionais. A modernidade acelera a obsolescência de mercadorias e exércitos de reserva para dar conta da dinâmica do capital. Essas características assinalam um discurso de que existiria na espécie humana um centro de normalidade, da qual, qualquer situação ‘fora’ desse núcleo de normalidade deveria ser podado inclusive do consumo.
Tal discurso se identifica com um histórico patriarcalista de monopolização da terra e bens de consumo e serviços que levariam no seu bojo, por consequência – inúmeros discursos preconceituosos, que não “respondem-responsabilizam” (ver Buber) pela diversidade. Como a escola é nada mais nada menos que os reflexos da sociedade que a cerca, a escola publica terá também algumas dessas características. Ora, de forma análoga – também para com os profissionais da educação que fazem o dia a dia da escola a incorporação de inúmeros discursos sobre as diferenças seja na condição anatômica ou psicológica dos alunos ditos “deficientes”.
Uma das questões que fica clara para entender essa situação, também vista no decorrer dos interessantes debates na disciplina a Avaliação Educacional da Pessoa com Necessidades Educacionais Especiais seria como se categoriza o preconceito da deficiência. Segundo CAVALCANTE (2004) pela redução do outro, falta, negação da diversidade, o desencontro mediado, descompromisso e o exílio relacional das pessoas e por conseguinte na escola – tais categorias do preconceito aplicados aos alunos com deficiência.
Diante desse contexto de conjuntura política sobre da metade do século XIX ate a modernidade da Internet/Intranets e das TIC`s, enquanto práxis de fato na transformação da educação publica e enquanto variável que segue a vida das pessoas por toda a existência.
Esse contexto político, conforme nos aponta BURSZTYN (2010 p. 38) trouxe a democracia por meio de um “estado de bem estar social” mas as desigualdades de base material – não fez diminuir, por contrario – aumentaram.
Toda essa situação material da sociedade – também reflete no discurso e nos mecanismos culturais para se excluir alunos deficientes. Nesse contexto, uma outra situação que se apresentou em termos históricos foi uma rápida deteriorização e decadência das leis trabalhistas – também trás reflexos na proletarizacao do trabalho docente – culminando na formação agora, de discursos pedagógicos permeados pela psicometria e pelo poder social/institucional da medicina.
Façamos uma digressão sobre os antagonismos citados por exemplo por TUNES (2007 p. 68) Apud CANGUILHEM (1990) entre os estados ditos normais e patológico.
O que TUNES (2007 a) quer dizer é que sempre se estabeleceu na historia social dos povos um núcleo de normalidade e etnias e outros homens e mulheres eram considerados como etnias periféricas, seres secundários, com inteligências medianas, inclusive impossibilitados de entender e/ou participar de uma cultura superior.
Porem, tal digressão nos faz necessárias por que pode o leitor achar que não existem estados patológicos. O que de fato é um engano. A medicina tem por registro centenas de estados de tecidos que sofrem com bactérias comedoras de carne, leucemias e cânceres que matam e de fato mudam o estado antes tido como “normal” de uma célula e tecido, outra e incorporar o avanços da biomedicina chancelando o eugenismo ou o perfeccionismo biomédico que ao mesmo tempo da vida ao preconceito enquanto atitude voltada para a sectarização, negação ou isolamento do deficiente, cuja categoria de signo linguístico tem ate adjetivos específicos, palavras especificas para denomina-los – enquanto novamente segundo TUNES (2007 b), basta chamar-lhe pelo nome.
A autora TUNES ( 2007 b) expõe que a questão do diagnostico cristaliza algo que é um processo. Ora, ainda se torna titubeante as situações da entrevista do programa Caminhos Alternativos no tocante a “É...acho que a banalização talvez seja um dos fatores, eu concordo que sem duvida nenhuma, alguns casos onde a medicação foi utilizada, casos graves de hiperatividade e déficit de atenção que inviabiliza o crescimento, a atenção e o aprendizado da criança e inviabiliza a relação com a escola e ate com a família e ai nesses casos a medicação pode ser muito útil.”
Tal discurso começa ao nosso ver de forma acertada mas ainda não demonstra como seria essa inviabilização do crescimento( como assim?), da atenção? Como identificam essa categoria “atenção” em sala de aula. Tem aluno que esta sentado na sua frente, balançando da cabeça dizendo que esta entendendo mas não esta entendendo nada por não estar com a atenção focada no momento presente.
Ainda, também em momento nenhum da entrevista como seria, especificamente a identificação do TDA/H como uma sistematização de sintomas, mas enquanto práxis conectada com a escola, com sua a comunidade que ainda insiste em esconder, humilhar, subestimar e ate torturar, quando o exílio sofre as manifestações agudas do preconceito, se materializando em atitudes de extermínio. Para a autora TUNES (2007 c) o futuro ainda é uma incerteza perturbadora para as políticas e agentes da inclusão – que pode ate gerar novos holocaustos.
Temos que se fossemos analisar questões sobre o discurso, divaga o Doutor Daniel Becker (entrevistado pela CBN) quando não tipifica o diagnostico e ainda relaciona de forma temerária atenção, crescimento e aprendizado. Categorias essas na educação que podem ter uma outra acepção, não sendo a da categoria medica.
Sabemos que de forma geral, a pediatria adota para a aferição do desenvolvimento – a curva pediátrica, relacionando indicadores biomédicos, como peso, altura, glicose, hormônios, creatina, componentes do sangue, exames clínicos e sintomatológico durante o período da infância onde “desvios” acentuado dessa curva já apontaria uma situação que destoaria do normal, ou daquilo que a medicina moderna considera como normal.
Por outro lado o próprio entrevistado, sob nossa analise acerta em termos gerais ao refletir sobre a banalização da medicação e essa medicação inclusive, sendo utilizada e prescrita de maneira errônea. Notem a passagem transcrita que indica tal situação: Que é como a Doutora Nívea falou...é, quando você tem um diagnostico, fique calma, procure uma segunda opinião, buscar mudar um pouco o olhar sobre a criança. Buscar outras opiniões do ponto de vista psicológico ou terapia familiar em termos inclusive de questionar a escola na sua proposição, com aquela criança que é medicada e que a medicação nunca pode ser uma solução fácil, buscar uma situação multiprofissional e multidisciplinar. Buscar também oferecer para essa criança uma vida de melhor qualidade. (Anexo I).
Outra interessante questão que fora captada durante a disciplina foi que a deficiência gera dinheiro e que a temática já esta difundida na mídia e nos meios de comunicação de grande alcance, porem em termos materiais e de renda – a organização social ainda não mudou.
Trazendo a importância da perspectiva histórica e social dessas anotações – apelando para o educador Paulo Freire (das redes sociais em 2013), quando cita “que seria uma atitude muito ingênua, achar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitisse as classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma critica” assim também seria ate certo ponto ingenuidade, achar que não existe um grande lobby da industria farmacêutica que de forma a cooptar agentes da educação pode responder pelo o que foi noticiado, no inicio da entrevista pela CBN – no aumento de 75% do consumo do Cloridrato de Metilfenidato e o Brasil sendo o segundo maior mercado do mundo no consumo da Ritalina e correlatos.
De forma ate irônica para não dizer trágica, um dos remédios também à base do Cloridrato de Metilfenidato se chama Conserta . Sim, do verbo “consertar”. Ora, inclui-se ainda na política de venda e nas diretrizes do remédio – um componente comportamental e ate ético. A normalização da diversidade humana ate impressa em caixas de remédios que contém anfetaminas
Acertadamente a Psicopedagoga cita sobre o componente ético e também sobre o contexto pelos quais estão se receitando a Ritalina para os alunos supostamente com TDA/H : “E... e uma criança que chegou aqui, sentou no colo da mãe, com o pai do lado, com um livro debaixo do braço, uma criança não apresentava nenhum sinal, nenhum comportamento violento, ela dormia na casa de amigos, os amigos dormiam na sua casa, ela se comporta bem na escola, mas esta com dificuldade em duas matérias, presta atenção, conversou direto com a gente, não apresentou nenhum sintoma de hiperatividade. Os pais não referiam qualquer sintoma de hiperatividade ou qualquer que tipo de dificuldade de atenção ou concentração.Essa criança tinha um relatório de trinta paginas com vários questionariozinhos, e apontando distúrbio de agressividade, distúrbio de atenção/concentração e receitando a Ritalina no final.Bom, isso é chocante!”
Como a mídia também divaga e muitas das vezes não sabemos as reais intenções dos entrevistados tentamos o acesso o endereço da rede www.andea.org.br durante a semana que se seguiu a pesquisa, mas infelizmente o portal esta fora do ar, sendo estranhamente identificado pelo nosso software antivírus (avast) como endereço que possui inconsistência de segurança do tipo trojan. Bom, de qualquer forma, ainda não conseguimos captar a linha política dessa associação voltada para o “desenvolvimento” da aprendizagem dos alunos – o que é certo é que a neurologia e a psicologia são carros chefes para guiar essas ações.
Retornando nossas analises para as políticas publica que possuem um centro ideológico sobre a normalidade, geralmente de caráter de classe media alta, branca, do gênero masculino e que possuem a oportunidade de colocar os mais diversos discursos, geralmente procurando ou justificando o bem estar social, mas sendo o próprio estado uma das grande instituições que ainda patinam em termos de compromisso social e ações para a acessibilidade.
Devemos lembrar e salientar que um dos grandes argumentos que sustentou o nazismo foi a primazia de uma etnia e de uma nacionalidade ligada ao espaço e a cultura. Hitler quis reerguer a Alemanha por meio de uma suposta superioridade intelectual pelo meio simbólico da nacionalidade alemã da época (1935 em diante) que via na união desses super homens que parte da Europa e a própria Alemanha, dada agora o comando de novas terras e meio de produção, poderia dar vazão esse planejamento nazista.
A Historia mostrou que, não somente a extensão territorial da Rússia e seu inverno avassalador, com o ponto culminante em Stalingrado (1945), o próprio enfraquecimento do exercito alemão ela fome e pela falta de meios para manter os insumo da guerra, trouxe uma segunda derrota ao povo alemão e europeu em menos de duas décadas. – porem, o Eugenismo e neonazismo sobrevive e vem solapando a todo custo a diversidade humana.
Como a competitividade e os modelos de avaliação escolar preza pelo ritmo e por modais voltados aos “ alunos normais” grandes variáveis conjunturais para trazer ações inclusivas como as TIC`s, ações em desenvolvimento sustentável, do turismo para a acessibilidade e produtos desenvolvidos para os deficientes também seguiu as conjunturas do pós-guerra e novamente os estados e inclusive o Brasil, decidiu ao invés de matar por estado de sitio, no pós-guerra decidiu, pelo isolamento e pela invisibilidade – matar (indiretamente/socialmente) quem possuía alguma incapacidade.
Torna-se ate engraçado ver que a todo momento – falamos sobre o cadeirante ou sobre o deficiente mental dentro de uma classificação histórica e socialmente construída, mas no dia a dia levando tais cidadãos pela ótica da invisibilidade.
Apelando para o teórico MOSCOVICI (2003), de forma representativa – tais comportamentos são ancorados justamente em ideias/temas muito antigos. Ora, não é de hoje que acreditamos que possamos ser superiores que outras pessoas por conseguir passar no vestibular ou ter acesso a um certo status profissional que lhe trará reconhecimento etc.
Não é de hoje que acreditamos que supremos magistrados ou grandes mentes na ciência teriam o poder de agir em políticas publicas, para sectarizar o outro por meio da concretização das verdades que foram chanceladas justamente pelos títulos reconhecidos pelo estado ou pela sociedade e que na verdade pode ser a reprodução de pensamentos eugênicos, mas com discursos psicometricos e mais atualizado de cientificismo.
Para Bartholo (2007 p. 39) citando Buber – a existência humana é frágil e deve ter um imperativo ético voltado para uma alteridade (qualidade daquilo que é do outro).
Ontem, deficientes eram jogados nos penhascos - hoje, exilados em quartos, escondidos ate da família e de vizinhos.
O baixo aproveitamento escolar esta se tornando a grande válvula de escape para essa enxurrada de prescrições do Cloridrato de Metilfenidato (Ritalina ou Conserta) aos alunos do ensino fundamental e médio. Associado ainda (segundo os entrevistados da CBN), vida “corrida” e de maior acesso aos bens tecnológicos como games e TV`s que por conseguinte – trouxe o isolamento, e as vicissitudes de um menor contato familiar.
- Alguns bons argumentos, porem vemos algumas racionalizações por parte dos entrevistados. Novamente vemos trechos se remetendo a competência dos médicos e a incompetência dos professores com alunos que possuem TDA/H. Vejamos: “(Nívea) Tenho casos de crianças que estão ótimas e que de fato tinham o TDAH. Existe também a necessidade do trabalho da escola e eis ai um grande problema, a questão da inclusão esta imposta de uma forma muito generalista e os professores não estão capacitados e ficam perdidos”
Os principais debates da disciplina também nos alertou para essa situação de falso dilema pedagógico com relação ao estar não pronto para o contato com o outro. Ora, quem realmente esta pronto para apreender, planejar e ter a petulância de ensinar algo. As desculpas para racionalizar e para tentar justificar o descompromisso com os deficientes vem ao encontro de alguns discursos no tocante a “os professores não estão capacitados e ficam perdidos” nos remete a questões do tipo? Quem então está pronto para esse encontro não racional, não mensurável pela psicometria cientifica, mas encontro existencial.Lembra-nos Buber que o homem não é consciência de si, mas o homem só é homem no encontro com o outro.
Tudo isso envolve uma responsabilização para com o outro (que para Buber é resposta atenta). Essa desresponsabilização também sustenta essas idas e vindas do discurso da prescrição de Ritalina para (ironicamente falando) “consertar” os alunos. Por vezes os entrevistados identificam os extremos abusos e impactos na saúde geral dos nossos alunos, porem sugestiona situações do tipo:
- Para a reportagem da CBN: Doutor Daniel essa informação – aumento de 75% do uso da Ritalina entre 2009 e 2001 é um surto? As nossas crianças estão mais doentes?
Aqui, já se tem a presunção generalista (isso por que não sabemos nem QUEM EH REALMENTE A CRIANCA que cita o entrevistado, o Doutor Daniel (Pediatra Integral) e por que já partir do pressuposto que TDA /H tem sempre por traz um quadro patológico, que pode se submeter a um diagnostico pela medicina – abrindo assim centenas de justificativas medicas para prescrever a Ritalina e semelhantes.
Contribuindo para a difusão da informação e inclusive como alerta social, o entrevistado também contribui de forma muito positiva ao enxergar que o abuso de Ritalina é um abuso grave e que existem riscos vejam:
- Olha, não assunta não? Apavora. Acabo de ver aqui que o Brasil acaba de se tornar o segundo maior mercado de Ritalina no mundo, depois dos Estados Unidos. Eu tenho minhas duvidas quando você olha para uma doença para uma condição qualquer ..tem alguma coisa muito grave acontecendo, uma epidemia que estão causando que as crianças fiquem hiperativas ou simplesmente estamos cometendo um abuso gravíssimo dessa medicação colocando as crianças em risco e em risco grave podendo afetar não somente seu desenvolvimento e tentar procurar uma solução clássica que resolver um problema procurando outros problemas.
Esse abuso pode soar como uma armadilha para o professor, pais podem muito bem, admitindo facilmente que as informações e os nomes dos remédios e substancias correm na mídia e pais podem muito bem pedir conselhos e pedir “receitas” ou indicações para quando o aluno esta com dificuldade de aprendizado (outra categoria de palavra perigosas para lidar) pode-se pedir ao professor, já que ele detém o conhecimento, para prescrever alguma medicação para que seu filho aprenda como os outros.
Ora, de forma direta, professor não prescreve remédio e aquele que o faz pode responder por exercício ilegal da medicina, expõem crianças a riscos desnecessários e ainda incorre em questões que ferem a ética de docente.
Segundo LOPEZ (2007 p. 157) apud INE, Inserso e Fundação Once as categorias para a incapacidade (uma das características da deficiência) na triagem de serviços hoteleiros/turismo seriam: a) Deslocamento de casa; b) Realizar tarefas de casa; c)Deslocar-se; d) Utilizar os braços/mãos; e) Ver; f) Ouvir, g) Cuidar de si mesmo; h)Aprender a desenvolver tarefas; i) Relacionar-se com as pessoas; j) Comunicar-se.
Podemos notar de forma analítica de que, todas as categorias sempre nos remete a falta, mas de forma muito curiosa, a categoria “j” para comunicar-se traz em seu bojo o poder da palavra.
A sociedade não coloca em nenhum momento, a palavra dos médicos em xeque, não somente por uma relação desigual de poder, mas também em termos técnicos e de fato assim as coisas se apresentam porem outra coisa completamente diferente, seria para casos específicos dizer o que realmente acontece – quando estabelecemos uma visão pedagógica de futuro para trazer a cada dia, oportunidades de chegar cada vez mais perto de situações que trazem emancipações no seu dia a dia e isso podemos dizer que também trará qualidade de vida para esse aluno e cidadão.
Não se trata de uma dicotomia de saberes (medicina/psicologia x pedagogia), mas de uma complementaridade para uma ética profissional e para a qualidade de vida – um dos objetivos de políticas inclusivas. Lembrando que tais políticas não devem ser encaradas como geralmente são – como assistencialismo para aqueles ceguinhos. “Ah, isso é....sabe aqueles manquinhos lá da APAE, aqueles mongoloides e deficientes da APAE que precisam de dinheiro para seus projetos.”
Esse próprio tipo de discurso torna-se uma desresponsabilização pela problemática que não deve ser deslocada para uma ótica de assistencialismo, mas de atitude ética inclusive para explorar toda a composição de direito e garantias que prevê nossa Constituição Federal (1988) e as leis sobre a temática.
O sujeito que encerra e que imaginamos conceitualmente nesse trabalho estará sempre sob uma dimensão histórica e social. Isso significa dizer que preconceito guia atitudes para classificar o deficiente, porem essa mesma pessoa, cujo imperativo não deveria ser sua deficiência e sim seu nome e identidade – também se encontra na mídia diminuído, reduzido em sua existência. Afinal precisa-se de demanda para se consultar, se submeter a um diagnostico e vender remédios.
Assim, em pleno domínio da racionalidade tecnológica e cientifica – sendo essa racionalidade difundida como proselitismo fundamental, o outro ainda se encontra envolto de mistério e de desafios – principalmente se colocamos essas questões dentro agora do campo ético e para uma pedagogia voltada para o futuro.
Aqui reside parte da relevância dessas anotações – contribuir para se entender discursos sectários e promover insistentemente mudanças pedagógicas, integrando essa grande luta da inclusão na pauta das lutas sociais dentro desse novo século que já possui quase que uma década e meia mas que vem com muita forca para de um lado manter a conjuntura e a organização social pelas políticas neoliberais e por outro o compromisso de poucos que visa expor tais situações sociais vinculados ao mundo da educação.
Ainda, em pleno século vinte e um – esse objeto de pesquisa – o outro; se mostra dialético, fluido, não mensurável e de uma diversidade que se faz ontologia dentro da própria existência. Admitimos a diversidade na escola e fora dela não por polidez política e ética enquanto pedagogo e profissional da educação, mas admiti-se a diversidade pelo simples motivo de ser factual a pluralidade de rostos e existências.
Metodologia de Pesquisa e Procedimentos
A perspectiva metodologia é histórico-cultural para se identificar o homem como produto dessas dimensões e analisar o discurso e categorias básicas identificadas na entrevista da CBN, do programa caminhos alternativos sobre a utilização do Cloridrato de Metilfenidato na melhoria ou melhor, numa hipotética melhoria do próprio processo de ensino e aprendizado. Que em ultima analise, não se pode prever ou controlar totalmente a situação, quica a energia de crianças que querem aprender, mas nem sempre com as pautas e planejamentos dos professores, orientadores ou neuropsicólogos podem conceituar ou controlar.
O próprio exercício de ler ou escutar e depois transcrever entrevistas se torna uma atividade pedagógica que pode ser fomentada par aqueles alunos que tem algum gosto pelas TIC`s seja para estudar mesmo ou para criar mecanismo de acessibilidade.
Utilizamos também para estabelecer as presentes proposições, de anotações feitas captando os ensinamentos durante os debates feitos pela disciplina em questão. O objetivo aqui, seria captar máximas(aforismos), situações vistas enquanto padrões de discurso e padrões do preconceito na dimensão relacional, nesse encontro imprevisível com o outro.
Em termos dissertativos, pode perceber o leitor que, muitos dos assuntos tratados são assuntos que convergem para o entendimento da literatura levantada de que são assunto que ainda estão em aberto no campo dos debates sobre educação, saúde, preconceito, deficiência e inclusão.
Tais anotações em dissertação visa também, identificar algumas categorias muito relatadas sobre a deficiência de um lado pela perspectiva de um medico pediatra e de uma neuropsicóloga e de outro – algumas identificações nos discursos desses profissionais que não rompem com o paradigma educacional e aqui é que reside grande pertinência da pesquisa, não somente identificar como pensa a mídia médicos e mestres sobre o processo de ensino e aprendizado em situações diagnosticadas, mas como se apresenta uma ética de descompromisso que fala, mas não faz, que fala e classifica o “deficiente” – mas não instrui para a cidadania e para o futuro.
Em termos metodológicos, o objetivo será problematizar não responder. Lançar luzes em hipótese e não afirmar. Descrever a historia e o que alguns teóricos dizem sobre toda essa problemática da mídia e de especialistas sobre diagnósticos e sobre o TDA/H e de outro lado um objeto de pesquisa que extrapola a própria racionalidade das ciências modernas – o sujeito, que muitas vezes fica em segundo plano – eclipsado justamente por seu diagnóstico. Admite-se portanto a total abertura de alguns assuntos aqui abordados.
Conclusões parciais de pesquisa
Estabelecemos como nosso objetivo geral de pesquisa em nosso trabalho final as seguintes questões a saber: Analisar criticamente, tendo por base a bibliografia vista sobre preconceito, deficiência e inclusão – a entrevista da CBN sobre a Ritalina nos casos de TDA/H em pauta. Analise do discurso da entrevista da CBN pela perspectiva de RAAD et al sobre o diagnóstico, a medicalização da sociedade e o preconceito da deficiência.
Esse objetivo de pesquisa possibilitou entender parte da literatura que foi utilizada na Disciplina A avaliação Educacional da pessoa com necessidades especiais educacionais, não levando a questão para uma dimensão somente dialética e de lógica conceitual, desta ou daquela linha teórica.
Percebemos que não somente a mídia, mas também profissionais da classe médica, juntamente com a indústria farmacêutica de hoje – possuem uma grande influencia social e a utilização da medicação vem ganhando muitos dividendos com a prescrição de remédios , a feitura de consultas.
Os impactos físicos e sociais? Ainda não sabemos ao certo, mas vemos que alem de considerar os profissionais da educação, como profissionais de segunda linha nas decisões sobre a educação dos alunos (as) que se torna temerário qual a repercussão dessas ações adotadas a longo prazo.
As TIC`s dentro de um contexto socioeconômico vem ajudando muito no desenvolvimento de ferramenta para o ensino de pessoas com necessidades educacionais especiais, porem ainda vemos um grande desmande na escola e ainda grande duvidas de ordem conceitual e epistemológica de se associar o consumo do Cloridrato de Metilfenidato com uma hipotética “melhoria” na atenção, desenvolvimento e aprendizagem dos alunos do ensino fundamental e médio.
Hipóteses essas que infelizmente possuem peso na classe médica, ao lançar mão de um medicamento não para trazer benefícios aos alunos, mas por vezes, somente ganhar dinheiro com a venda da medicação e ainda brincar profissionalmente com conceitos do tipo ‘desenvolvimento’ ou aprendizagem por meio da prescrição desenfreada e com risco de remedicamentos voltados não para a resolução de problemas que as vezes nem existem, mas para uma ética de tutela e controle – de muitas crianças que as vezes não apresenta nada...somente algumas traquinagens naturais de criança que estão cheias de energia e que precisam se movimentar, sonhar...existir.
Referencias Bibliográficas
CAVALCANTE, Andréa V. O preconceito da Deficiência no processo de Inclusão Escolar. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, 2004.
TUNES e BARTHOLO – Nos limites da Ação: Preconceito, inclusão e deficiência – organizado por Elizabeth Tunes, Roberto Bartholo – São Carlos – EDUSFSCAR – 2010, 117p.
RAAD, Ingrid Lilian Furh – Em intervenções orais dentro da disciplina a Avaliação Educacional da pessoa com necessidades educacionais especiais – (2013).
Nota Bibliográfica: Sabemos que pela ABNT, os anexos seguem como um texto com formatação normal do texto. Porem aqui, de forma deliberada, mantivemos o anexo I e todas sua citações literais com o tamanho de fonte em italico, visando unicamente tornar mais fluida/fácil a leitura ((Autor))
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ANEXO I
Programa – Caminhos alternativos – (Radio CBN – 25/fev/2013) – Transcrição da entrevista – Por TraquinagensPedagogicas*.
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(ruídos, arquivo começa com 15 segundo de atraso. Tempo de entrevista 20 minutos).
- ...levantamento feito pela ANVISA aponta que as vendas do (cloridrato de metilfenidato), conhecida como a Ritalina, usada no TDAH. Um crescimento de 75% entre 2009 e 2011 aqui no Brasil, só pra lembrar que, os dados são em crianças Fabíola,
- -e em crianças que são diagnosticadas que chamam de TDHA e o uso da Ritalina divide opiniões causa também uma reflexão nos pais e educadores. Será que e o caminho para que a criança tenha mais atenção na sala de aula. É uma discussão importante. Em julho de 2011, juntamente com o Conselho de Psicologia no fórum de medicalização iniciaram junto à comissão de direitos humanos um a campanha, a campanha não a medicalização da vida. Por isso hoje, nos estamos aqui nos Caminhos alternativos com dois especialistas que lidam muito com criança para falar e a gente poder saber mais sobre esse assunto.
- Conosco no estúdio a psicóloga, ela lida com crianças ela é psicopedagoga, trabalha numa escola inclusiva e defende a pluralidade ne? Estamos falando da doutora Nívea Fabrício, ola como vai?
- Tudo bem.
- Também estamos em contato com o doutor Daniel Becker ele é mestre pela universidade federal do rio de janeiro e atua na área da pediatria integral. Doutor bom dia?
- - Bom dia a todos.
- Doutor Daniel essa informação – aumento de 75% do uso da Ritalina entre 2009 e 2001 é um surto? As nossas crianças estão mais doentes?
- Olha, não assunta não? Apavora.Acabo de ver aqui que o Brasil acaba de se tornar o segundo maior mercado de Ritalina no mundo, depois dos Estados Unidos. Eu tenho minhas duvidas quando você olha para uma doença para uma condição qualquer ..tem alguma coisa muito grave acontecendo, uma epidemia que estão causando que as crianças fiquem hiperativas ou simplesmente estamos cometendo um abuso gravíssimo dessa medicação colocando as crianças em risco e em risco grave podendo afetar não somente seu desenvolvimento e tentar procurar uma solução clássica que resolver um problema procurando outros problemas.
- Bom, nos estamos também em contato com a doutora Nívea aqui no Caminhos Alternativos, ela que também lida com crianças, é diretora do colégio. É... você percebe que as crianças estão mesmo hiperativas?
- - O que é ser hiperativo?
- Seguindo o Doutor Daniel, acho que é uma coisa exagerada, fazendo uma correção, não é somente a Ritalina, são dois ou três medicações na mesma linha ta.
- O mais conhecido mesmo é a Ritalina (cloridrato de metilfenidato), mas que também tem dois ou três nomes comerciais. E tem sido exageradamente usado. Quando indicado adequadamente tenho visto resultados muito bons. Eu vejo uma guerra de ortodoxia sem lógica.
- Por que vendo as crianças dentro do culegio em que a medicação é bem feita – excelente.
- Porem os números são muito menor do que foram apresentados (era isso que Ia falar) onde a gente observa isso no cotidiano.
- Olha, veja hoje a sociedade é mais agitada, ponto por n razoes – atitudes familiares, enfim n razoes. Por outro lado, acho que vivemos numa sociedade menos intolerante com as traquinagens das crianças. Eu vejo assim, eu...minha infância a 60 anos atrás, eu tinha a rua, eu tinha o quintal que era enorme, eu tinha espaço. Hoje, a criança é muito presa.
- A gente se incomoda quando a criança vai num restaurante e quer levantar da cadeira, tem essa coisa de levantar da cadeira, o que é normal.
- Então tem assim, ainda muita confusão na minha opinião.
- Mas ai, ela pode gerar uma confusão do diagnostico doutor Daniel?ou de banalizar o diagnostico da hiperatividade?
- É...acho que a banalização talvez seja um dos fatores, eu concordo que sem duvida nenhuma, alguns casos onde a medicação foi utilizada, casos graves de hiperatividade e déficit de atenção que inviabiliza o crescimento, a atenção e o aprendizado da criança e inviabiliza a relação com a escola e ate com a família e ai nesses casos a medicação pode ser muito útil.
- O que nos estamos questionando aqui, não são nos casos onde a medicação e necessária mas exatamente o diagnostico errôneo, um diagnostico excessivamente fácil, e que isso na verdade implica/significa no uso de uma medicação, para mudar o comportamento de uma criança e torna-la mais adequado, a digamos as exigências da família e da escola tornando uma criança ai sim, com problemas mentais.
- Podemos então criar uma criança atípica com o remédio quase...
- Mais do que uma questão de banalização, acho que existe ai, um certo conluio, com base no mercado e que isso gera dinheiro, gera a movimentação de mercadoria, tanto de mercadoria, quanto de serviços e medicamentos.
- Então, existe ai, uma mão pesada do mercado de psicólogos de neuropsicologos e também profissionais da indústria farmacêutica, que também favorece também professores em escolas, que pra eles é muito fácil, pois a criança pode ter alguns distúrbios de comportamento e ai é medicada...que ai ela passa a ser tornar uma criança mais mudável.
- Não te trata de mais uma banalização, mas de uma conspiração social que leva a medicalização nesses níveis.
- Agora, e quem e pai que tem alguma criança? Também tem responsabilidade, chamando então, inclusive a classe medica para dividir essa responsabilidade. Os pais tem alguma responsabilidade nessa questão ou não?
- Não tenho a menor duvida. Quando um pai não questiona um diagnostico, ele facilmente aceita que o filho dele tem um distúrbio psiquiátrico. Por que isso são distúrbios psiquiátricos e aceitam uma medicação psiquiátrica, derivada da anfetamina... para uma criança que é um pouquinho mais fraquinha ou um pouco mais agitada. E assim como a doutora colocou.... elas estão vivendo em espaços mais cerrados, fica mais em casa, por que ela não tem mais aquela rua, por que ela tem pouco contato com a natureza, por que ela esta sempre vendo programas de televisão, de jogos, de aparelhos eletrônicos portáteis, facebooks e computadores com o contato com corantes e edulcorantes. Muito conservante já na sua comida que é industrializada... uma serie de fatos que estão levando as crianças a se tornarem mais agitadas, hoje em dia você tem provas cientificas de que o corante mais usado nos refrigerantes e nas bebidas em geral chamado benzoato de sódio, eles causam a hiperatividade.
- Hoje em dia, vemos a criança tomando refrigerante como se fosse água ne...e ainda achamos que os refrigerantes lights pode ir inclusive na mamadeira.
- A doutora Nívea que esta com a gente aqui também... ela é também psicopedagoga. É claro que ai, tem também a responsabilidade dos pais perceberem.
- Agora também é difícil quando você leva, quando você percebe algo na criança e não sabe nem por onde começar...
- (Nívea) – Eu vejo muitos pais angustiados e ai, nos montamos uma associação, a associação nacional da dificuldade do ensino e da aprendizagem que serve também para os pais. O site é www.andea.org.br e que nos dispomos a responder duvidas.
- Geralmente os pais que chegam ate nos, passam por uma romaria e muitas vezes a inadequação da criança gera diferentes diagnósticos, dependendo de onde ela vai.
- (repórter) – Os pais são vitimas também?
- (nívea) – Os pais são vitimas.
- (Dr. Daniel) – concordo integralmente com ela. Pra você fazer algum diagnostico dessa complexidade precisa-se de uma abordagem de múltiplos profissionais e deve ser multidisciplinar.
- Um dia desses chegou uma criança de dez anos, que estava em recuperação em duas matérias e que tinha sido reprovado. A escola mandou um laudo de um neuropsicologo (não sei de La onde, não estou aqui para citar nomes mas...)
- E... e uma criança que chegou aqui, sentou no colo da mãe, com o pai do lado, com um livro debaixo do braço, uma criança não apresentava nenhum sinal, nenhum comportamento violento, ela dormia na casa de amigos, os amigos dormiam na sua casa, ela se comporta bem na escola, mas esta com dificuldade em duas matérias, presta atenção, conversou direto com a gente, não apresentou nenhum sintoma de hiperatividade. Os pais não referiam qualquer sintoma de hiperatividade ou qualquer que tipo de dificuldade de atenção ou concentração.
- Essa criança tinha um relatório de trinta paginas com vários questionariozinhos, e apontando distúrbio de agressividade, distúrbio de atenção/concentração e receitando a Ritalina no final.
- Bom, isso é chocante!
- (repórter) Mas doutor Daniel, o que pode causar numa criança, um medicamento mal aplicado? Esse medicamento que estamos falando, a Rita Lina, e que se usada de forma abusiva, em que o senhor estava relatando o caso dessa garota. O que pode trazer de consequências na vida dessa criança?
- (Dr. Daniel): Como qualquer outro remédio psiquiátrico, existem vários efeitos colaterais ne. Ela (Ritalina) pode tirar o apetite, pode mexer no sono, perde-se o movimento normal... pense no cérebro de uma criança. O cérebro de uma criança, esta sempre em desenvolvimento e se você favorece certos processos bioquímicos, ativando processos bioquímicos por meio de uma substancia e processos bioquímicos desnecessários e certos processos psíquicos (que estão todos interligados). Vão ser prejudicados.
- É o foco excessivo na criança, da necessidade da criança processar varias situações ao mesmo tempo, e você (ao mesmo tempo também) estar interferindo em processos de desenvolvimento e fisiológicos da criança, e isso acabara levando ao uso de outras medicações.
- Um outro caso, ouvi de uma mãe de criança que já estava no quarto remédio psiquiátrico e que começou a ter alterações no sono.... e depois outras alterações de comportamento, e ai isso se torna uma bola de neve e alem disso, poda da criança, aquilo que pode solucionar o problema.
- Se você, digamos assim “tampa” um probleminha que esta por trás da hiperatividade, talvez pela ausência dos pais, pelo excesso de tecnologia, a falta da natureza, a falta de convívio familiar etc., etc. Você não oferecer a oportunidade para a criança de uma vida melhor...
- E ai, essa criança na vida dela, vai ficar com os mesmo fatores (que esta levando ela a ser hiperativa) e você vai cair em outra situação mas não livre do remédio.
- Novamente, não estou dizendo... e acho que a (nívea) colocou de forma muito pertinente que existem crianças com alguma alteração especifica grave e que precisa de medicação, porem essa é uma minoria absoluta.
- A doutora nívea que falar aqui também. Doutora nívea, você acompanha um pouco de como encontrar alguma saída para isso. A gente já esta terminando nosso papo aqui, e agente tem que deixar um recado bacana para os pais que buscam algumas saídas pra isso e como tratar.
- (Nívea): As crianças hoje são muito traquinas e as vezes, não e nada mais nada menos que uma criança que mais inteligente do que as outras na media. Uma criança fora da curva, na classe...
- (repórter) Tem que deixar ela brincar ao ar livre.
- Tem que se identificar na criança, dar mais atenção pra ela. Para tratar o TDAH não basta o remédio, tem que usar estratégias adequadas.
- (Nívea) Tenho casos de crianças que estão ótimas e que de fato tinham o TDAH. Existe também a necessidade do trabalho da escola e eis ai um grande problema, a questão da inclusão esta imposta de uma forma muito generalista e os professores não estão capacitados e ficam perdidos.
- E o que nos estamos fazendo esse ano? Um congresso de capacitação de professores, que vai ser em agosto – na universidade presbiteriana Mackenzie e um dos grandes fóruns são a questão da TDHA.
- Por que o professor fica muito angustiado com uma criança e que deixa os pais também muito angustiados.
- (repórter) Eu queria deixar dois caminhos. Acho que doutora nívea já trabalha há muito tempo com essa historia de inclusão e também no caso do doutor Daniel, que trabalha com a perspectiva da pediatria integral. E a gente acaba escutando esse bate papo de hoje, o que suscita muitas angustias para os pais que buscam um caminho. Então queria que a doutora e o doutor Daniel pudessem dar dois caminhos para os pais. Para que os pais possam continuar...
- (nívea) Busquem orientação para tomar a decisão certa. Por exemplo no site da www.andea.org e que La, a gente da uma boa orientação.
- Por que se viver alguma indicação de medicação, por que a medicação salva a criança.
- (repórter) Mas a maioria das indicações que chegam para os pais são erradas, como os pais podem saber quais indicações são certas e quais são as incorretas? Por que essa é a angustia dos pais dado o numero no aumento de 75% da venda desses medicamentos...
- Busque o nosso site por exemplo e um terapeuta que saiba avaliar essa criança?
- (repórter) – Essa é a grande dificuldade não é doutor Daniel?
- Busquem o nosso site e outros, mas já existe uma associação especializada no TDHA, alias a sede da associação brasileira e no Rio de Janeiro e eles podem orientar tão bem quanto a andea.org. Por que assim, existem n contraindicações – eu concordo com o Doutor Daniel.
- (repórter) – Daniel, dois caminhos (rapidinho), agente tem um minutinho...
- Que é como a Doutora Nívea falou...é, quando você tem um diagnostico, fique calma, procure uma segunda opinião, buscar mudar um pouco o olhar sobre a criança. Buscar outras opiniões do ponto de vista psicológico ou terapia familiar em termos inclusive de questionar a escola na sua proposição, com aquela criança que é medicada e que a medicação nunca pode ser uma solução fácil, buscar uma situação multiprofissional e multidisciplinar. Buscar também oferecer para essa criança uma vida de melhor qualidade.
- Hoje, foi como a gente conversou...as crianças estão cerradas em casa, tendo uma alimentação extremamente toxica, sem contato com a natureza, sem a possibilidade de brincar fora de casa. Com uma agenda extremamente pesada (aula de inglês, corte, costura, culinária juntamente com pouca atividade física), então seria dar um pouco mais de atividade física, de atividades livres, seria fundamental para que elas (crianças) escapem um pouco das garras do medicamento inadequado.
- (nívea) Eu queria somente acrescentar uma coisa...pedir a orientação de alguém para a escola por uma das fontes de muita ansiedade na família é a escola. Não somente a escolha da escola, mas como a escola deve lidar com aquele aluno. Muitas vezes a escola precisa disso...
- (repórter) Bom, muito bom isso que nívea falou – de estimular o nosso pensar sobre a escola. Muito obrigado aqui, pela presença da doutora Nívea Fabrizio que esta aqui conosco e também ao doutor Daniel Becker pediatra e especialista em pediatria integral que é um conceito muito interessante para os pais não somente sobre hiperatividade, mas como tratar seu filho pela pediatria integral. Doutor Daniel Becker, muito obrigado.
- (Dr. Daniel) Foi um prazer conversar com vocês (do programa Caminhos alternativos) e com a Nívea.
- Nos estamos na CBN e voltamos na sequencia.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Diagnostico e avaliacao psico-pedagogica ( Uma resenha critica pedagogica sobre a dissertacao de GURGEL, C (2002) ).
Resenha 2 – GURGEL, Carolina Provvidenti de Paula (2002) – O relatório psico-pedagógico e sua importância para o trabalho do professor. UnB p. 1-30.
1) Uma introdução Critica
A todo momento, a educação escolar nos impõe na pratica docente e também na cultura escolar uma pecha ao aluno deficiente. Deficiência ou maneiras diferentes inclusive de existir? De forma quase que inevitável esses estereótipos, vão impedir ou abortar o ensino dos alunos deficientes. Notem, o ENSINO, não sua aprendizagem.
Essas barreiras, inclusive institucionais e de práxis docente foram identificadas pela mestra em educação Andrea V. Cavalcante (2004) em alguns fenômenos bem documentados sobre a deficiência como por exemplo o isolamento/exílio do deficiente da sociedade. Tendo por responsável a família e em última instância o estado que ainda esconde a diversidade humana. Em sentido ontológico seria da própria natureza da espécie humana, ser diversa e plural.
Apesar de termos, nos humanos uma diversidade de fenótipos que nos mostra nativos da Austrália, num padrão fenotípica (geralmente negros, rosto típico, comportamento também identificado de forma comum enquanto cultura), outros, como os asiáticos, já com um “padrão” identificável. Porem, o padrão vai entre aspas, mesmo por que ainda dentro os asiáticos a diversidade e também imensa, assim como latinos diversos, germânicos, etc.
Porém, mesmo dentre essa grande diversidade de rostos e melanina, alturas, cor dos olhos, nariz, boca, cabelo, tipos ósseos... tudo isso não torna essa diversidade, enquanto diversidade de espécie. A espécie humana se expressa ligada geneticamente em uma e somente uma espécie – prova disso que existe sempre compatibilidade sexual entre macho e/ou fêmeas para com qualquer outra etnia, não a sua – que ainda sim, nasce uma criança humana.
Lembremos que tais situações são expressões de espécie, agora outra dimensão da existência humana e sua dimensão enquanto ser histórico e que produz, constrói e reconstrói cultura.
Dentro desse contexto agora (cultural), inclusive de interesses políticos (forjando ciências e verdades na ciência), se utilizando porcamente do que deixou Darwin/Wallace et al para criar toda uma forma de ver o mundo onde existiria uma linhagem de humanos superiores (e essa ideia não e do nazismo e sim muito anterior, talvez ate com conteúdo mítico) e humanos inferiores – onde logicamente, os deficientes seriam pessoas inferiores e não diferentes, dada a pluralidade do existir humano.
Toda essa matriz ideológica identificada como eugenismo ajuda na cultura do diagnóstico e da avaliação psicoterápica do aluno e isso vem sendo grande obstáculo para emancipações de alunos que são grandes cidadãos somente estão num processo de invisibilidade. Os professores e a cultura escolar vêm levando os deficientes, pouco a pouco ao isolamento e a invisibilidade social.
Inúmeras são as situações históricas que o aluno deficiente passa em detrimento de quem é considerado normal, o que são meros conceitos desarticulados, aliás, pré-conceitos que falsamente se articulam muito bem e ate por vezes são convincentes em seus discursos, porém identifica GURGEL (2002 p. 25) que “Não há ajuda que compense o ônus do rotulo de desviado, a pessoa é isso e apenas isso e que a linguagem classificatória aplicada pela burocracia escolar não cumpre uma função psicológica ou cientifica tanto quanto se supõe.”.
Isso está acontecendo diariamente com a escola também por esses fatores. Assim, podemos identificar em trabalhos posteriores, que o próprio discurso do isolamento ou da redução do Outro torna-se mola propulsora para propagar as lógicas do preconceito sendo uma das ferramentas mais consagradas pela sociedade – o diagnóstico psico-pedagógico que se fundamenta quase sempre na psicometria.
2) Sobre a avaliação psicológica – a origem
Segundo GURGEL (2002 a), tanto as revoluções (industrial na Inglaterra – provavelmente pela fabricação das máquinas a vapor, e também pela complexidade social que derivou a Revolução Francesa – consequentemente, trazendo um novo modelo fabril, econômico e social trouxe consigo também para se emancipar, para ser aceito no mundo econômico ter aptidões. Ora, se já não tem coordenação motora para desempenhar um determinado trabalho, o isolamento e a pecha de deficiente inválido, quase sempre será escutada ou utilizada como racionalizações (freudianas) para tornar o deficiente invisível.
Diante desse contexto conjuntural da sociedade – toda uma grande literatura eugenista foi difundida para justificar os que estão aptos, fortes e normais (inclusive para consumir) e os que são inaptos, fracos e deficientes, a craniometria de Paul Broca, as escalas de Binet por meio de testes para mensurar a inteligência dos alunos atrasados e provavelmente centenas de testes psicometricos foram sistematicamente desenvolvidos.
O tempo histórico passou e o debate esquentou com relação à eficácia dos testes psico-pedagógicos. Para Gonzalez Rey (1999) nenhum teste seria capaz de mensurar a diversidade humana e inclusive a singuralidade de cada homem e mulher e de cada aluno.
Para Moysés e Collares (1992) toda essa forma de pensar – ao rotular e classificar os alunos por meio de testes produz uma generalizada isenção de responsabilidade, resta à criança, o estigma e a baixa autoestima.
Para GURGEL (2002 b) citando Correa (1995) uma espécie de inversão dos fins da escola ao invés de emancipar, seria um ambiente propicio a geração de obstáculos ao ensino de qualidade.
Em termos gerais e segundo GURGEL (2002 c) citando Machado (1996) e de fato uma OPÇÃO social por um modelo de saber e de filosofia de sempre se buscar um culpado, concluindo que o fracasso escolar é a principal fonte de produção da deficiência mental, sendo balizada pela avaliação psicológica e sendo utilizada para fins também escusos à educação.
3) Repercussões da avaliação psico-pedagógica para a carreira escolar do aluno
Vemos que a deficiência tem uma explicação histórica e também por construções de discursos sociais que introjetam uma espécie de pensamento que reduz ou que falsamente induz os leitores a entenderem que se a pessoa não possui a aptidão para desempenhar uma determinada função social por meio do trabalho, tal pessoa deve ter algum ¿déficit (em sentido irônico, a existência sendo convertida numa balança comercial?), ora então os normais teriam um ¿superávit da inteligência pelo fato de responderem os testes?
Os desafios apontados por GURGEL (2002 c) em relação às limitações da psicometria enquanto “virtuosa” ciência que vem limitando a existência de centenas de milhares de seres humanos, também refletindo sempre interesses escusos para uma educação de qualidade.
Temos então, que o entendimento que por ser uma sociedade que não irá contestar o poder de médicos e psicólogos, a criança sempre será o foco desse tipo de discurso, inclusive estabelecendo sempre relações de poder desiguais e injustas – em termos políticos, identificado por Patto (1997) ate como crime de lesa humanidade tamanho estrago ideológico/cultural na esfera da educação e na existência de alunos que somente vivem e que querem aprender por meio de instituições que ofereçam gratuitamente um ensino/instrução de qualidade.
Assim, as práticas escolares tendo por fundamento o diagnóstico psicológico e médico para dizer se nossas crianças se desenvolvem, vem mostrando em diversos casos a possibilidade de falsear tais discursos – mas infelizmente mudanças sociais não são tão rápidas quanto queremos que acontecesse – o que possibilitaria inclusive causar um grande ponto de inflexão nas forças políticas que dominam a escola, as práticas, os saberes e até a própria existência.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O preconceito da deficiencia por CAVALCANTE (2004) - Uma resenha critica
Fonte teorica: CAVALCANTE, Andréa V. O preconceito da Deficiência no processo de
Inclusão Escolar. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação, Universidade de
Brasília, 2004.
1)Introdução histórica sobre a deficiência e objeto de estudo da dissertação de
CAVALCANTE 2004;
A República, a coisa pública no Brasil relacionado a políticas que abordam
educandos com necessidades educacionais especiais possui um mote básico sobre tal
problema educacional e social – a prática da exclusão.
Inicialmente tal estado da arte sobre o problema hoje, está pautado no foco na própria
deficiência e não no ser. Na medicação e no diagnóstico da deficiência e não numa
avaliação cujo foco é o seu desenvolvimento não somente do “cognitivo” mas de suas
potencialidades enquanto seres humanos, que apesar de “diferentes” (o que somos
todos). Na delimitação de objeto de estudo a mestra CAVALCANTE (2004) irá abordar
o tema sobre o preconceito na deficiência enquanto variável que irá estancar o processo
ESCOLAR de inclusão.
A autora CAVALCANTE (2004 a), tratará o tema preconceito sobre a matriz
analítica de G. W. ALLPORT (ate um certo ponto) e também sobre uma antropologia de
BUBER. Segue então o tema como uma construção de ordem histórico cultural sobre a
deficiência, onde a pesquisa foi capaz de reconhecer os principais elementos que constrói o
preconceito da deficiência.
Remete-se então que seu objeto de estudo, se refere à ideia de que se
avaliarmos tal literatura (ver os teóricos Allport e Buber) e os discursos dos professores
entrevistados esta qualificação
2)A parte teórica sobre o preconceito e a deficiência;
Tentando seguir os planejamentos de nossos anexos (I e II), vemos que a
dissertação de divide basicamente em duas partes, uma primeira parte – um levantamento
teórico sobre o preconceito da deficiência e em seguida uma parte mais empírica e de
análise de dados coletados em campo sobre a vinculação (no discurso dos entrevistados)
sobre o preconceito da deficiência enquanto DISCURSO analisado.
Algumas questões inicias sobre seu levantamento teórico sobre o preconceito
da deficiência é que, “o preconceito é como um conceito prévio de generalizações ligada à
hostilidade, dependente também de uma matriz emocional” (CAVALCANTE 2004 p.14).
Em suas ações negativas estariam as situações padrões do tipo: 1) Falar mal; 2) Evitar
contato; 3)Discriminação; 4)Ataque físico; 5) Extermínio.
Diz a autora que se diferem preconceito e discriminação, sendo essa última uma ação
negativa do próprio preconceito.
Nos instrui também a entender que, todo preconceito é um pré julgamento, mas nem todo
pré julgamento é um preconceito.
Cita também CAVALCANTE (2004b) que os significados da deficiência, até o
Renascimento e o advento das ciências de uma forma geral e em especial da medicina que
a deficiência era baseada em visões fatalistas do mundo pro vias sobrenaturais e também
naturais... mas sempre relacionado a um processo de irreversibilidade, predestinação,
castigo, possessão demoníaca ou maldição.
Agora com o “enfoque” médico a deficiência entre em um novo patamar de
conflito entre saúde x doença. “O médico agora é o novo árbitro do destino do deficiente.
Ele julga, ele salva e ele condena” CAVALCANTE Apud Penotti (1984 p. 39).
Surge o discurso eugenista que relaciona a questão da deficiência, quanto seres
inferiores, genes de má qualidade ou homens e mulheres em uma raça distinta, ou numa
espécie degenerada. Aqui, necessita o pedagogo(a) ou pesquisadores em geral terem um
extremo cuidado teórico sobre questões em termos de espécies, ou das relações
filogenéticas estabelecidas pela espécie humana que é, em termos epistemológicos (apesar
de sua diversidade de fenótipos) somente UMA espécie, não subdividida em “sub-
espécies” conforme querem nazistas e eugenistas de uma forma geral. Não existe por
exemplo processo de especiação entre um pigmeu africano e um caucasiano nórdico. Todos
são pertencentes a mesma espécie – apesar de grandes diferenças em termos de fenótipo.
Nos séculos dezessete e dezoito, deficiência vista enquanto loucura ou
enquanto sob uma dinâmica de patologia\doença. Para o fatalismo orgânico a deficiência se
relaciona a um quantum de inteligência e que tinha como pano de fundo, ideias do tipo de
caráter hereditário ou congênito.
Traça a autora, toda uma análise teórica sobre como que dentro da história os
significados atribuídos à deficiência impedem a realização de uma relação EU-TU, sempre
reduzindo o deficiente num EU-isso. Ou seja, a redução do Outro (aqui um outro
generalizado) num rótulo.
Inverte de forma criativa algumas problemáticas secundárias de sua dissertação
a autora CAVALCANTE (2004c), de que o deficiente em sentido pedagógico é um
sedento por interação e saber. Ora, que irônico, igualmente uma criança ou um
jovem “normal”, que está também dentro da dinâmica social e humana, enfrentando
também desafios escolares e sociais.
Defende a ideia de que o desenvolvimento acontece de forma diversificada e
peculiar. Se indaga de forma crítica citando TUNES p.69 “Não estamos preparados para o
deficiente, ou não queremos aceitar o desafio”, aceitar o desafio de ensinar alguém com
alguma restrição.
3) A parte empírica e metodológica da pesquisa.
Seguindo também o que foi proposto em nosso anexo II, cita a autora
CAVALCANTE (2004d), de que em termos metodológicos e de caminho empírico, captar
e analisar os dados de campo não foi tarefa nada fácil. Se pergunta a autora: - Como
estabelecer uma pesquisa não preconceituosa sobre o preconceito da deficiência e sobre os
discursos dos entrevistados? Qual método escolher?
Inicialmente foi aplicado um questionário qualitativos que sugeriu categorias
principais do tipo: preconceito, deficiência, Inclusão e a identificação de barreiras para a
viabilização de práticas em educação especial. Então, por meio de um roteiro de pesquisa
semi-estruturada (30 perguntas) também se identificou os elementos constitutivos do
preconceito da deficiência conforme as seguintes categorias:
a) Redução do Outro;
b) Sujeito da falta;
c) Negação da Diversidade;
d) O desencontro mediado;
e) Descompromisso;
f) O exílio relacional.
Assim, dentro da dinâmica de seu trabalho de dissertação, a autora CAVALCANTE
(2004e) cita que apesar das dificuldades de se estabelecer tal pesquisa, os instrumentos de
pesquisa e seu próprio levantamento teórico se mostraram adequados para interpretar os
dados captados em campo – onde a pesquisa teórica CONSTATA a pesquisa empírica, na
identificação prévia de categorias que iriam qualificar essa deficiência, ora sobre discursos
fatalistas, ora de controle e tutela do diagnóstico e de médicos, ora sobre a redução do
outro, ora negando a própria diversidade humana, ora enxergando somente a deficiência
num sujeito que sem lhe “falta” alguma coisa – influenciando a quantidade e a qualidade de
suas amizades, de sua forma de se relacionar na sociedade... constatando um outra categoria
teórica que sim, fora vista nos discursos captados em campo sobre uma espécie agora de
categoria sociológica da deficiência – o exílio relacional que irá estancar a possibilidade do
deficiente estabelecer relações profundas com o Outro, onde aqui no caso, numa relação de
fato enquanto relação EU-TU.
Porem, conforme o preconceito foi se construindo historicamente, por vias culturais
diversas o primado do EU, não possibilitaria o reconhecimento de um Outro, de um TU,
que se reduz agora num isso, num objeto... uma alienação (aqui alienação em termos
marxistas mesmo) do homem pelo próprio homem que o coisifica, que o torna um isso –
inclusive em seu discurso, inclusive em nosso discurso cotidiano na rua e logicamente –
na escola. O reflexo desse discurso posto é justamente o freio em ações de inclusão. Uma
impossibilidade hoje construída, mas que historicamente, sob o acúmulo de forças políticas
e institucionais e de base pode desconstruir tais discursos pela prática e assim criar uma
espécie de cultura da inclusão – porem isso aconteceria somente também por construções
historicamente voltadas para uma cultura da inclusão.
Postado por Ciência da Educação às 05:21 0 comentários
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Algumas questoes sobre o iluminismo, o esclarecimento e a Ciencia atual.
Existe ainda hoje uma atualidade impar na filosofia kantiana acerca do que e' o esclarecimento, a ilustracao, ou o movimento iluminista em termos historicos quando falamos em igualdade, liberdade e fraternidade entre os homens. Nesse contexto defende Kant em seu texto O que eh o esclarecimento em 1873, isso cinco anos de acontecer a Revolucao Francesa - de que, existe uma possibilidade filosofica de admitir, que precisamos da interacao e do contradito, para estabelecer uma especie de razao que hipoteticamente vai para alem de razoes de ordem privada. Isso estabelece uma bencao e uma desgraca na vida politica da civilizacao.
Uma desgraca por que institui o contratualismo pela lei e natureza juridica das leis, estabelecida pelos "consensos" na formacao dos estados e nacoes, isso sob uma natureza de estado democratico DE DIREITO, que tambem casara com a logica capitalista contratual. Por outro lado, o mesmo Kant pode ser visto como ponto de inflexao na forma de ver o mundo, instituindo o contradito e uma logica de utilizacao publica da razao, em detrimento a uma utilizacao privada para trazer a possibilidade do homem a liberdade. Liberdade essa que esta linkada para o autor, a liberdade de pensar, de crer, de pesquisar, de perguntar, de criticar, de tirar sinteses necessarias e parciais para o aperfeicoamento do como enxergamos o mundo.
A separacao historica entre religioes e Estado, entre a sociedade juridicamente ordenada e a ordenanca da Eclesia e do Abadiado, entre templos confessionais diversos na transformacao de espacos plurais de pensadores livres da filosofia, ate a biotecnologia aplicada hoje serve como exemplo para demonstrar a existencia de um tensionamento historico entre o sagrado e o laico, entre revelacoes e construcoes cientificas.
Tal separacao se da principalmente pela forma de como se estrutura a propria cosmovisao laica, secular, historica e socialmente vista. Ou seja, pelo iluminismo, pela logica livre - nao se necessita da biblia, ou do corao, ou dos Vedas, ou dos mestres budistas, ou dos gurus indianos, ou das imagens arquetipicas junguianas, quica de se ter experiencias holotropicas grofianas para se estabeler uma forma de ver o mundo.
Caracteristicamente e de forma qualitativa, nos parece que por exemplo a Ciencia e parte da filosofia, se apresente de forma a se estruturar sob falseabilidade, sobre publicidade e em publicidade em peer review, sobre empirismo, sobre Teorias (inclusive em sua construcoes paradoxalmente sobre doxas/opinioes para depois se estruturar axiomas, teoremas demonstraveis e a partir dai o estabelecimento do mais alto grau abstrato em Ciencia que se pode ter - Teorias. Ou modelacoes teoricas).
Por uma outra forma de utilizar a razao, agora sob uma logica privada dar-se-a vazao a dimensao religiosa, subjetiva e idiossincratica de cada ser humano enquanto participante de uma especie, mas dotado de peculiaridades. Nem melhor nem pior ao nosso ver do que a utilizacao publica da razao no estabelecimento de uma nacao em termos historicos - somente estruturada de uma outra forma. Forma essa que para a dimensao do sujeito pode nao tem mesmo logica, nem se precisa de demonstrabilidade ou provar a existencia desse ou daquele objeto de "pesquisa" em termos religioso ou holotropico grofiano. Nao diz o tetragrama sagrado YHVH do hebraico יה-וה - "eu sou aquele que sou". Se eh por que eh, nao tem que se perguntar se eh assim, demonstre que eh assim...
Em termos historicos, nos parece que a reverberacao da Revolucao Francesa e a perspectiva de tirar sentido da vida, sob uma otica publica de uma nacao civilizada abraca muito bem toda uma matriz de pensamento material, empirico e livre em detrimento ao modal espiritual e nao demonstravel.
Porem, na realidade dos povos, novamente em termos historicos - declaramos por liberdade, optar pela dialetica, por Drummond na perspectiva de ser mais interessante pesquisar e se dedicar ao tempo presente, aos homens presentes do que eldorados (termo antropologico) que sao importantes para atender personalidades humanas distintas - porem torna-se mais atraente pesquisar por exemplo... o atual diverso da teia da vida em aproximadamente 30 milhoes de especies catalogadas pela atual taxonomia, mas com uma biota de cerca de 100 milhoes de especies, de seres organicos TODOS eles simbioticos e em simbiose com o sistema aberto chamado Terra. Assim e de forma paralela... juntamente com todas as preciosidades da P&D, C&T, juntamente com as tecnologias da informacao, as ciencias da natureza e essas em rapidissimo processo de revisao, todos os mestres da ciencias sociais que pela compilacao do conhecimento historico possibilitou alem do milagre da civilizacao que segundo Freud, S. (1900), "liberdade nao foi um presente da civilizacao, maior do que isso fora que acontecesse qualquer civilizacao" possibilitou fazer funcionar um computador, ou sua panela de pressao e que por sua vez possibilita o ato filosofico, o ocio, o prazer, o deleite do sexo e "n" liberdades individuais.
Se asceticamente, tanto os engravatos de jesus, ou os esfarrapados de buda e do outro lado, se milicos, socio-marxistas ou neocapitalistas exploram o Outro (aqui o Outro em termos generalizados) - inclusive vampirescamente sugando ate as ultimas energias do Outro (pela escravidao/tutela/ e "n" relacoes difusas de poder)TANTO por meio da Biblia ou por meio da utilizacao insana dos escritos de Darwin, ou Marx para criar o darwinismo social, ideologia eugenista que nao se estabelece por distorcoes e fraudes - nada disso, sinceramente,nada disso nao nos parece colocar em xeque a cultura dos preguicosos teologos de gravata que ficam berrando nos pulpitos da igrejas o proselitismo dominical, nem sequer tambem - as liberdades filosoficas que pensadores idiotas, petulantes e iletrados possam falar ou agir no mundo sem dar qualquer explicacao para isso. A utilizacao publica da razao para estabelecer o sentido da vida - temos como uma forma pedagogica de inclusive estabelecer livremente qual o sentido que damos para a vida e para a existencia.
O gostinho drummoniano de traduzir o que o mundo e os fatos nos dao durante a Historia - nos parece e nos aparece com cores mais atraentes do que o ascetismo cinza que estabelece a holotropia grofiana na procura de eldorados no post mortem por meio de imageticos difusos, imageticos altamente simbolizados sob uma dimensao edipica e parental (ambos termos freudianos).
O proprio cotidiano e vida dos esfarrapados agora de Paulo Freire e esse cotidiano patologicamente apresentado por Freud - visoes essas abertas e contemporaneas nos atraem mais ate do que algumas ortodoxias em termos de analisar o porvir ou o post mortem e a imortalidade da alma.
Analisar o devir koraniano (ver Walter Koran), o devir dentro mesmo da vida de criancas, adolescentes e seres adultos em termos pedologicos (desenvolvimento) e pedagogico (aprendizado) eh tambem objeto de estudo do Traquinagens. Objeto esse que tambem esta pautado em grandes ancoras teoricas onde para o Traquinagens, em strictum sentido pedagogico se caracteriza principalmente em Vigotski et al - inclusive na exploracao da dimensao humana em termos de relacoes filogeneticas, ate suas subjetividades em termos micro.
Se a luminescencia desse periodo historico ainda reflete em mentes mais de duzentos anos depois, pode-se ate pensar na ilusao dos pirilampos ao seguir luminarias a noite pensando que esta de dia, retrazendo as metaforas evangelisticas de que "ninguem que acendendo uma vela a coloca debaixo da cama, mas sim num lugar mais alto", a isso especificamente nos garante, pelo impacto da nossa ignorancia a benevolencia e misericordia divina no post mortem - porem, HOJE, AGORA, na vida presente, no tempo presente drummoniano Kant nos traz a possibillidade de entender a amplificacao historicas das liberdades individuais advindas da Revolucao Francesa e da instituicao de se poder utilizar a razao em termos publicos para efetivamente resolver questoes de ordem tambem publicas.
Algumas luzes para guiar o caminho de uma civilidade equilibrada e a docilidade de bons argumentos nos parece ser uma devida explicacao historica inclusive quando nos confrontamos com a violencia intrusiva do proselitismo neocristao. Essa violencia por vezes se caraceterizara por alta erudicao discursiva, pelo sentimentalismo de adultos-infantins, e por uma estrategica de grande sucesso no angariar fieis geralmente identificado no discurso por enganos como falacia circular de paley, de antiguidade, apelo a ignorancia, autoridade - articuladamente forte para inclusive ter peso politico dentro da logica publica ao legislar sobre tambem o publico.
Sabemos que a sociedade eh algo extremamente fluido e falar sobre laicidade e historia nao agrada a muitos...porem nos aponta a propria historia que nossa sociedade hoje - possui alicerces fincados no capital, no urbano-industrial, no racismo, no sexismo e que veem durante a historia tentando apagar algumas "luminarias" (leia-se drummon's, Kant, Marx, Vigotski, Freire, Gould e tantos outros. Nao para instituir uma nova idade das trevas (algo que nunca existiu em se tratando de idade medida), mas simplesmente para organizar currais que injetam felicidade, mas ninguem sabera ao certo quais os resultados de tais felicidades assim introduzidas no ideario dos povos. Por isso de tambem uma razao publica para tentar solucionar demandas que aparecem do proprio seio da sociedade.
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
A valsa do branco comedido
O branquinho comedido foi sempre um cidadão de bem
Quando tinha um tempo em sua vida, olhava o mundo aquém; dançava valsa com a branca e não pensava em mais ninguém.
Feliz e realizado, completo e pleno.
Era sempre comedido, dançava valsa, sempre com a roupa nobre porem sua comiseração cristã era veneno.
Diferente dos plebeus da noite, coitados. Mouros, malhados.Malvados e malfeitores.
O branquinho era comedido, usualmente se portava bem
Era pai de família, vivia numa “ilha” sempre comia bem
O branquinho era comedido nunca torturou
Porem, seu equilíbrio se “amadurou”, rasgou o atlântico com os negreiros. Metade perdurou.
O resto? Três milhões ao mar. Alvas brancas, almas alvas agora podem rezar.
Maldita poesia negreira de uma tal de Alves, talvez Castro, talvez Alves, talvez alva, talvez uma malva literária.
Foi histórico, foi guerreiro – mesmo tendo por sinhosin
O branco “zen”, o branco cidadão de bem que nunca matou ou roubou
A valsa nos salões da casa grande era uma pequena Europa
A capoeira e o samba na senzala, eram vultos do diabo que cultivam roça.
Roçado quilombola tinha batata doce, mandioca e galinha, por vezes até fartura de peixe, farinha.
Amor de branco é o seu amor e é o amado
Amor de preto é o terror, é o incesto é a cópula do mal, onde a cúpula racial brada direitos
O branco dançador de valsa, alva cor quer pintar o diferente.
Mouro roto, foi pintado pela mais ideal cor de malva. Para passar na TV? Não Malva, mas cara alva que mascara.
Porem, a história nos mostrou os fragmentos do tambor em seu ardor de prosseguir;
Mouros, se fizeram negros. Rotos, se fortaleceram.
O samba ajudou-os a prosseguir.
No discurso alvo, denegrir figura a mancha, figura a mãe escura, figura a loucura.
O tempo passou e o idealismo voltou. Mouros se fizeram alvos. Novas almas “alvas” para o Vaticano.
Agora, Palmares nos presenteia com a resistência, com a uma contra opulência do viver Massai de pé no chão.
Mouros se fizeram negros, Rotos se fortaleceram.E as brancas valsas, das mentes do aquém mal brada o cheiro da Malva, mal escondem a comiseração branca e cristã que sempre pregará: somos de fato do bem.
Mas saibam mouros fétidos, pretos rotos, vagabundos toscos – que nesse salão só se toca a valsa da social democracia. Não se aceita nenhum tipo de samba, nenhuma escura arredia. Somente mucamas, escrava minha,vadias.
Somente a acometida e sem sal valsa alva, que sequer deixa os raios de sol brilhar, que sequer entende as savanas, que sequer roça sua sobrevivência, só se escuta negro mouro, negro diligência. Não se entende o olhar.
E no raio de visão do ignaro que constrói tal enredo, as tensões se sucedem quaase do mesmo jeito.
Isso se dá, por que mouros negros – escurecereu a pálida valsa alva;
Isso se dá, por que filhas da noite, endureceu a pálida democracia.
Isso se deu e isso se dá, por que tanto mouros, quanto mães, quanto banto, quantos nós
Quantos mais de nós? Aos milhões. Mas ainda temos o tambor, o amor – contudo o pé no chão. Como um Massai esguio.
Não pela altura, mas pelo chão; mas pela altivez de resistir à valsas alvas, aos venenosos enredos de retórica malva à serviço do moralismo cristão.
Por fim, onde se permite ou reside o egoísmo e a miserabilidade de minha existência alva, alvamente opressiva.
Tento por um momento, ter a intempestiva negra criatividade de Alves, seja Castro, seja Alves.
Criação e Concepção: Traquinagens* Pedagógicas. [Também em repúdio ao terrorismo psicológico para com a comunidade Universidade de Brasília em Abril de 2012].
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Síntese Crítica - Curso da Pedagogia no Brasil (DA SILVA, C. S Bissoli 2006)
Síntese crítica do livro de – Curso de Pedagogia no Brasil – História e Identidade – DA SILVA, Carmem Silvia Bissolli (2006) - Polêmicas do nosso tempo – 3ª Edição – Autores Associados –p. 108.
SÍNTESE CRÍTICA
De forma invariável, o curso de Pedagogia em seu histórico no Brasil mostrará muitas faces, muitas dimensões, muitos desafios, incontáveis conceitos e terminologias que durante o tempo histórico sofreu modificações, outros conceitos se estabeleceram, outros caíram em desuso, uns com mais prestígio no próprio meio pedagógico, outros conceitos nem tanto.
Para a autora DA SILVA (2006), desde o final da década de sessenta, o curso e a natureza da Pedagogia (com sutilezas/peculiaridades, com singularidades) ou não, estendendo tais premissas para o conteúdo, para o método, currículum, ou história crítica sofreu e ainda sofrerá várias modificações quanto sua configuração interna e externa para com a realidade existencial e outras ciências ou outros campos do conhecimento que, de forma invariável segundo a autora possibilitou, diante de um desdobramento de dois amplos projetos de pesquisa sobre a história a identidade do curso de Pedagogia no Brasil que dentro mesmo da história – um panorama por vezes assertivo (quando visa formação contextualizada e crítica), mas geralmente solapado (visando por exemplo somente o currículum), ou uma formação técnica.
Segundo a autora DA SILVA (2006) esses dois projetos de pesquisa possibilitaram, durante um razoável tempo (três décadas), compilar e analisar, o que a autora chama de “etapas” que de forma bem superficial teríamos na primeira etapa: identificação dos problemas vividos e aplicabilidade no mundo do labor e para com sua regulamentação. Num segundo momento, para com a própria identidade do curso de Pedagogia no Brasil. Tal preocupação teve desdobramentos, na percepção do estado, na legislação, na Educação para o mundo do trabalho, mas um mundo do trabalho, agora, muito especializado e técnico (Industrialização do Brasil nos anos 70 - ¿década perdida para o Brasil).
Agora, de uma forma parcial, a legislação iria buscar uma reorganização da estrutura curricular e tal reestruturação também visando o ensino superior e principalmente o magistério. As especializações em Pedagogia, para a autora, fragmentaram a própria identidade do curso. Muitos dirão na contemporaneidade, que a Pedagogia, seria um curso de mulheres(não é uma questão de gênero) “frustradas” que não arranjam marido, ou um profissional de tão generalista passa a não ter “face”, identidade – singularidade enquanto um ramo do conhecimento epistemológico que possa ser de uma certa forma: compreendido, testado, reproduzido – porem – com algumas restrições nesse sentido de “ser científico” – pois enquanto fenomenologia pedagógica – de forma inclusive fantástica/apaixonante é que, mesmo não se estabelecendo um processo pedológico (de desenvolvimento) visível e mensurável, a aprendizagem se consolida se dada a chance do educando aprender interativamente. O cérebro humano, em termos de aprendizagem, não está restrito (e isso é ainda uma fenomenologia em aberto...) ao processo natural de desenvolvimento natural por exemplo do córtex, lobo frontal, lobo temporal e demais estruturas e “natural” aprendizagem... funções do tipo cognição, equilíbrio, emoções, capacidade motora, capacidade de raciocínio, percepção e interação espaço-temporal etc se dá pela aprendizagem, defendemos de fora (ação intencional, política e externa) para dentro, para o mundo do humano, incluindo inclusive também processo de dentro para fora (Exemplo: nuances da criatividade – ver o teórico González Rey, Albertina Martinez 2011).
Para não se estender muito em nuances de neuropedagogia, o cérebro humano, por conexões em sinapses ou não, por conexões cerebrais, pela interação pedagógica em intervenções intencionais e não neutras é (¿seria) capaz, de sem se ter tais estruturas anatômicas, mesmo assim... aprender. Um aprendizado restritivo, mas a existência de um aprendizado e de forma mais fantástica ainda, um aprendizado, ou re-aprendizados que possibilitam ativar novamente o processo pedológico (de desenvolvimento).
Em citação do teórico SAVIANI (1976), admite a teórica em questão que a pedagogia, enquanto teoria geral da educação se faz necessariamente a posteriori da prática pedagógica. Isso por que será a realidade concreta da situação dos povos é que dará uma boa ancoragem teórica para se estabelecer de forma “inversa”, ou para se dizer melhor, de forma concomitante a própria feitura/re-feitura da teoria – pautada da prática dos ambientes pedagógicos – em seu lócus por excelência na escola pública.
Numa terceira “etapa” DA SILVA (2006) identifica estereótipos, facetas, imagens “populares” do pedagogo (a) em inúmeras representações sociais (ver teórica MASAGÃO 1999), que durante a prática docente no curso de formação de pedagogos (as) sempre foi se remetendo cada vez em sua “identidade” no senso comum, enquanto curso acadêmico.
Na década seguinte (a partir de 1990), que a teórica chamará quarta etapa, a identidade estará ainda em jogo na pauta dos assuntos educacionais entendidas pelo estado, mas agora, após o processo de redemocratização, o Brasil juntará esforços para atuar na formação global do pedagogo para as séries iniciais enquanto meta de política educacional de Estado. Ou pretensamente era o que os “constituintes” em 1986 pretendiam.
No decorrer dos embates das idéias sobre o tema e nas contradições inerentes às políticas de governo (não de estado) sobre o objeto, o método e conteúdo que pergunta a autora: “E a antiga questão que eu já havia me posto voltou a incomodar: a amplitude da realidade educativa, com seus múltiplos processos e diversificadas tarefas, não estaria suscitando um conteúdo pedagógico de tal dimensão que se incompatibilizaria com os limites de um único campo?” (p. xxxix da construção do objeto de estudo).
Durante o tempo da pesquisa, outros teóricos como Libâneo (1996), Brzezinski (1996) possibilitaram marcos na construção dessa “identidade pedagógica” dos cursos – aqui no Brasil.
Quando se fala em identidade da pedagogia para autora DA SILVA (2006) deveremos lembrar das fontes dos documentos legais/históricos, das propostas dos profissionais da educação e nas manifestações dos atores envolvidos na educação pública do Brasil.
Um amplo histórico sobre alguns marcos legais acerca da natureza ou identidade do curso de pedagogia no Brasil que irá se estender desde as concepções legais/teológicas do Ratio Studiorum e até atualmente das PUC’s e do poder do cristianismo institucional (catolicismo/protestantismo) na educação pública até as marcos legais do estado novo, passando pelas deliberações do CFE nos pareceres n. 252/69, no decreto lei 1.190/39, no CFE n. 251/62, dentre outros registros da legislação - onde alerta a autora que toda uma sistemática bibliografia foi revisada e utilizada como fundamento para explicar como, quando, por que e por quem foi estabelecida tal legislação (aqui em estrito sentido ao objeto – natureza do curso da Pedagogia) e seus reflexos de tais marcos legais/institucionais para o atual estado da arte em termos de identidade, objeto e cientificidade do curso da Pedagogia no Brasil.
Cada marco, em especial (os voltados para a criação, e os pareceres CFE nºs 251 e 252 de 1962 e 1969 respectivamente). No decorrer dos embates políticos e ideológicos dos atores educacionais (basicamente Professores, alunos, funcionários, o Estado e a iniciativa privada) formou-se uma ampla jurisprudência (entendimento jurídico, das instituições jurídicas, por exemplo tribunais, sobre um objeto, ou peça jurídica) sobre inúmeras variáveis desse complexo ambiente – o pedagógico em detrimento ao currículum, OEB, Sistema(s) de ensino, o papel da união, estados e municípios na educação básica, a educação para o trabalho, questões sobre as relações entre licenciaturas e os bacharelados, questões técnicas, questões de recursos humanos para a educação (justamente a formação docente), de financiamento, objetivos, metas a serem alcançadas, questões ambíguas sobre o campo pedagógico que precisariam ainda ser melhores esclarecidas, do que pode e do que não pode fazer o pedagogo (a), do que compete ou não ao pedagogo (a). Poderia-se atuar em questões de pura didática qualquer graduando? Dentre inúmeras outras questões, que de fato, ajudou a pautar as futuras discussões populares, institucionais e de governo para com a identidade do curso de Pedagogia e sua respectiva identidade na cultura, no zeitgeist vivido pelo Brasil, na construção dos projetos de pesquisa da autora durante o período visto entre 1970 e 1995.
CONCLUSÃO DA CONCLUSÃO (Sobre as Regulamentações, Indicações, Propostas e Decretos).
Em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, inclusive visando a consolidação de pautas e de assuntos de ordem convergente dentro da amplitude dos movimentos sociais e atores pedagógicos vista na diversidade e complexidade da sociedade da década de noventa em diante, principalmente com o advento dos meios de comunicação e internet, ocorreu um salto principalmente qualitativo e científico na percepção da natureza dos fenômenos estritos vistos na pedagogia com uma “maior amplitude” do que outros campos da ciência. Podendo justificar, podendo trazer esboços, “rascunhos” da face da Pedagogia enquanto ciência, enquanto curso acadêmico.
A formação docente, sob uma formação em strictum sensu superior passa agora a ter uma consistência maior, mesmo o Estado brasileiro já “admitindo” anteriormente na legislação, de forma difusa (no sentido não de direito difuso, mas de imprecisão de objeto, método e até de estabelecer um corpo epistemológico próprio) para aí sim, tentar responder qual a identidade da Pedagogia no Brasil.
CONCLUSÃO PARCIAL CRÍTICA SOBRE O ESTADO DA ARTE DA CIÊNCIA PEDAGOGIA NO BRASIL NOS DIAS ATUAIS E OUTRAS FRENTES TEÓRICAS.
Entende de forma crítica que o advento dos meios de comunicação, a internet e até com o advento do próprio ente capital, que agora atua sobre uma conjuntura política-econômica multi-polar, de novas configurações societárias e de associação em forma normativa jurídica tipificada como (Estados Democráticos de Direito – doravante EDD). Entende-se aqui, um sistema estatal, guiado pelo direito, cunhado sobre uma historiografia que toma uma forma mais definida e aguda a partir de Locke, Rousseau, Montesquieu e demais teóricos contemporâneos MUDA e veem mudando radicalmente a difusão do conhecimento humano aos povos e a própria natureza do atuar docente, do atuar do pedagogo (a) nos inúmeros espaços que legalmente e politicamente temos direito e dever cidadão de nos apropriar.
Paradoxalmente, nunca tivemos tanto acesso à informação, à dados brutos e sistematizados – mas como nunca – os povos necessitam de conhecimento promovido pela sua própria nação. Feito e estabelecido enquanto política pública educacional intencional, necessariamente não neutra.
Mas a questão não é tão linear e simples assim. Sabemos que a difusão de conhecimento nunca é uma questão de fácil tratativa. Muitas outras variáveis estão em jogo – justamente pensando numa dimensão mais filosófica e política do fazer docente – difundir o conhecimento para as massas. Uma das restrições gigantescas são as rubricas para as políticas bélicas. Hoje, vivemos momentos conjunturais extremamente difíceis para a cidadania e para a existência dos povos.
Tal feeling pedagógico e de cidadania, tal “conscientização” (atenção às aspas) – não é uma espécie de eldorado pedagógico que a tudo responde, mas uma questão de ação em política pública para a educação, concebida e alimentada pelo Estado e para sua nação, de forma integral, perene, sistemática, intencional, articulada, regulada, pública, democrática e emancipatória mas no sentido material dialético e material existencial – para depois aí sim, pudermos – após instituir uma base de fato, uma infra-estrutura (termo marxista) na projeção de superestruturas políticas, jurídicas e pedagógicas/educacionais que possam trazer uma conscientização agora sem as aspas – pois se torna pautada na realidade concreta do estado da arte do curso e da formação do Pedagogo (a) enquanto profissional da educação, enquanto educador.
Em questão de democratização do conhecimento por ações estatais “o céu é o limite” – porem, em sentido conjuntural, de negociação, de tornar posse cultural do brasileiro, o saber e o saber acadêmico enquanto pesquisador – iremos admitir tais negociações sempre em sentido restritivo – pois, assim como existem ações virtuosas do ente estado... esse mesmo estado está sob uma dinâmica capitalista que de forma invariável impõe politicamente dicotomias e inúmeras contradições à práxis pedagógica.
O resultado à essas restrições da prática do pedagogo (a) causa impacto desde a criação de estereótipos do curso em questão até o boicote de ações políticas mais agudas – inclusive cobrando do estado suas prerrogativas constitucionais que além de ter obrigação de difundir C&T e P&D, tem por obrigação constitucional difundir lazer, cultura, saúde... aceitação da difusão do conhecimento laico dentro das pluralidades pedagógicas, filosóficas, culturais, sapiensais e de visão de mundo (cosmovisão).
Além disso, para o coletivo – direitos sociais como jornada de trabalho, FGTS, 13º salário, férias remuneradas, de associar-se livremente, de participar de partidos políticos, de ter acesso ao SUS e a todas a políticas sociais estatais, ao seguro desemprego, às proteções inerentes aos trabalhadores que sofrem pela automação, à aposentadoria de forma constitucional inclusive em seu caráter universal e irredutível e a todas as benesses da justiça enquanto cidadão nato.
Lembrando que em sentido conjuntural e até existencial a conscientização da identidade pedagógica na contemporaneidade não é questão simples e linear mais dialética, por vezes difusa, por vezes até sem resposta mesmo – onde não se trata de uma espécie de agnosticismo pedagógico, mas da admissão novamente que; para se entender melhor sobre a natureza e identidade do curso da Pedagogia no Brasil – além dos registros legais e históricos – a cultura, a percepção imagética projetiva do “imaginário popular da pedagogia” que vai da própria conjuntura histórica e cultural do que vem a ser a curso da Pedagogia, pintando-o de forma incompleta, geralmente caricatural e até ideologicamente enganada – passando por um amplo e virtuoso acúmulo de forças políticas e sociais (dentro e fora da escola) para traçar um esboço mais adequado e científico do curso e práticas do pedagogo (a) nos dias de hoje.
Tal desafio é imenso e só pode ser resolvido pela coletividade, onde; (identificar de forma histórica e científica) a natureza, a identidade e os fenômenos que vemos nos ambientes pedagógicos onde existe a interação significativa dos homens com eles mesmos e dos homens em sociedade Torna o debate, torna tal objeto de estudo muito fértil, polissêmico, apaixonante e que linear não tem nada. De fato – uma polêmica do nosso tempo.
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