Relatório 3 – BORTONI-RICARDO, Stella Maris (Educação em Língua materna – A Sociolingüística na Sala de Aula – Capítulo III – São Paulo - Editora: Parábola 2008 – ISBN 978-85-88456-17-4).
1.OBJETIVO
Refletir sobre a variação lingüística no repertório dos professores e nos alunos de ensino fundamental.
2.RESUMO
Inicialmente, a autora irá problematizar uma questão interessante e que irá permear todas as demais discussões quanto à linha pedagógica a se adotar em sala de aula no ensino da língua materna em séries fundamentais. Utilizar ou não a norma culta no ensino do português, e como corrigir eventuais “erros de português”.
Sob a ótica da Sociolingüística, alguns erros de português na verdade são variantes da língua materna, sendo considerado para o processo de aprendizado não erros mas diferenças. Tem a oportunidade o professor de também identificar erros na decodificação de palavras e/ou termos – devendo assim o professor informar o aluno da forma certa, da forma padrão.
Nas relações entre professores e alunos –alguns padrões são identificados pela autora para identificar algumas dificuldades encontradas pelos professores:
1) Não se identifica a existência de diferenças entre dialetos e erros de decodificação na leitura e/ou escrita;
2) Em eventos de oralidade e de letramento, não se utiliza ou se utilizam parcialmente de regras não-padrão (perpetuando os “erros”);
3) Identificam-se regras não-padrão mas não corrigem os alunos para não constrangê-los;
4) Identificam-se regras não-padrão e logo apresentam um modelo variante-padrão;
Levar em consideração que erros de decodificação não devem ser objetos de monitoração lingüística mas sim uma oportunidade para o diálogo, ensino e aprendizagem.
De forma paradoxal, as intervenções dos professores em eventos de letramento – por vezes monitoram concordâncias, erros na decodificação mas deixam escapar alguns pequenos erros na escrita e/ou leitura.
Admitem o monitoramento em vocalizações mas se esquecem de corrigir palavras como “deusde”.
Pode optar o professor em não interromper a leitura pelo conteúdo relevante a ser transmitido em detrimento a um monitoramento que pode não ter valor heurístico/pedagógico, ou de aprendizagem.
Com isso, sob todos esses melindres do COMO ensinar o português, sugere a autora que o interessante ao processo pedagógico seria identificar e conscientizar da diferença existente entre o falar e a escrita formal e que ambos devem compor uma melhor estratégia pedagógica no ensino equilibrado da língua materna.
A conscientização do estilo (fala e escrita) deve ser tratada sem o prejuízo do processo ensino-aprendizagem.
E por fim, identifica que onde existem tensões étnicas, socioeconômicas existem também um maior monitoramento lingüístico.
2.1 IDÉIA PRINCIPAL
No ensino de língua materna para as séries iniciais, fica o professor titubeante em seguir ou não a norma culta da língua e como, quando e sob qual forma fazer a correção dos “erros de português”.
2.2 PRINCIPAIS CONCEITOS
Norma Culta (ou norma padrão), variante-padrão, oralidade, letramento.
3. COMENTÁRIOS CRÍTICOS E PERSPECTIVA QUE A LEITURA TROUXE
Muitas vezes, no ambiente escolar, no ensino da língua materna, o professor domina partes da norma culta, mas por vezes, em eventos de letramento (em um ditado por exemplo) identificam erros de decodificação na palavras e se utilizam do monitoramento, ou por vezes monitoramos concordâncias e esquecemos de corrigir palavras escritas de forma errada.
Sob a perspectiva sociolinguística a importância de se ter “feeling”, ou “jogo de cintura” no ensino da língua materna para identificar erros pontuais, “sem importância” a priori para o processo de aprendizado ou erros na fala ou escrita advindo do não conhecimento da norma culta.
4. REFLITA
Diante do dilema variação vs norma culta, qual deve ser o papel da escola como principal agência de letramento de nossa sociedade?
Essa questão norteará sempre o ensino de língua materna e será sempre uma questão presente na mente dos (as) pedagogos(as) o fim da escola é a formação, a aprendizagem efetiva do educando. Com isso, além de ter domínio da regra padrão do português deve o professor ter o tino, o “feeling” de intervir nos eventuais “erros” sempre visando o aprendizado, não uma mera pedagogia bancária (como diz FREIRE, Paulo – Pedagogia do Oprimido) no mero depósito de informações padrão do português sem o devido entendimento do educando. Ou como dizem, uma correção na “virgula” da regra padrão – descartando por vezes o descobrimento ou entendimento do aluno em relação ao português.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Educação em Língua Materna 3
Postado por Ciência da Educação às 09:13 0 comentários
Educação em Língua Materna 2
Relatório 2 – BORTONI-RICARDO, Stella Maris (Educação em Língua materna – A Sociolingüística na Sala de Aula – Capítulo II – São Paulo - Editora: Parábola 2008 – ISBN 978-85-88456-17-4).
1. OBJETIVO
Facilitar a conscientização sob a variação lingüística
2. RESUMO
Logo no início do capítulo, a autora cita a existência dos domínios sociais. Domínios esses que influenciaram e moldaram o estabelecimento ou até o desaparecimento de línguas e dialetos. Atualmente, o domínio do comércio e do capital, também optou por uma violenta exclusão de línguas, formas de falar e até culturas inteiras. Obviamente que a opção de comunicação do capital seria a priori o inglês (acho que tanto o britânico quanto o americano), mas como a contemporaneidade aponta para não mais uma polarização do comércio e do poder no mundo (falamos em sentido geopolítico), a adoção de outras formas de falar ao mundo empresarial e do capital torna-se imprescindível.Torna a questão uma questão interessante, seria o capital também suscetível à diversidade lingüísticas existentes no globo? Por que o mesmo de forma inversa faz é padronizar falares, línguas e culturas. Falar mandarim hoje se torna uma necessidade aos executivos.
Após essa peculiaridade geopolítica e lingüística da adoção do capital pelo inglês e retornando ao texto de Bortoli-Ricardo, a utilização da língua será instrumento de reforço dos papéis sociais. Geralmente, a forma de falar entre gêneros não pertencentes à família é diferente do falar entre familiares. Essas diferenças lingüísticas são mais marcantes na família, gênero e também entre gerações mais velhas e gerações mais novas.
A cultura do letramento terá terreno fértil numa espécie de transição de uma cultura predominantemente oral e como vimos no primeiro capítulo motivado pelo êxodo rural em massa para uma cultura da escrita (agora encontrada nos centros urbanos e grandes cidades).
Para a autora, justamente essa transição cultural e geográfica da população brasileira em pouco mais de meio século é que trouxe uma insegurança lingüística ao escritor Carmo Bernardes ao ter contanto com o universo escolar.
Reforça a autora que a utilização diversa da língua também é indicador da diversidade cultural.
Por outro lado, a monitoração lingüística como o formalismo de cada espaço social também pode ser um indicador dos espaços sociais na utilização da língua. Torna-se verificável a questão: a forma de falar em um tribunal (por formalismo) tradicionalmente não se apresenta à mesma maneira do falar em família, sem pressões ou monitorações.
Especificamente falando do processo de ensino da língua materna – observa uma relação entre monitoramento lingüístico e o domínio apresentado pelo professor em determinado assunto lingüístico. O grau de monitoramento dependerá do domínio de recursos comunicativos daquele que propõem-se a integrar um projeto pedagógico.
Admite a autora a diferença entre um falar regionalizado e a escrita formal.
Reflete também que a escrita oficial possui nuances na pronúncia. Um exemplo é em relação a pronúncia da consoante “t” que no Brasil do sul torna-se uma pronúncia diferente da pronúncia do nordeste que se utilizará da forma linguodental. Palavras como tudo, tia, teu soam bem característica (sotaque) a quem não vive no nordeste. As variações também se apresentam no léxico. Canjica e mungunzá significam a mesma coisa.
A forma de falar agora torna-se um composto, um instrumento identitário. A idéia de “falares” superiores torna-se uma questão política/ideológica ou socioeconômica. Nada demonstra qualquer superioridade de um falar em detrimento de outro.
Insiste na questão a autora e diz que um maior ou menor prestígio de um dialeto é uma questão histórica. Quando uma língua se constitui como língua oficial essa passa a ser vista como um dialeto “superior”. A questão é mais de status quo do que sociolingüística.
Assim, mesmo sabendo (os agentes da educação e principalmente o professor) que o preconceito lingüístico são adquiridos sob um histórico e sob a influência ideológica – a prática pedagógica, dentro do universo escolar deve ser também voltada justamente para barramento do preconceito lingüístico. Mesmo também sabendo que existe uma “norma”, uma forma “padrão” de ensinar a língua materna.
2.1 IDÉIA PRINCIPAL
A necessidade do educador/docente de se conscientizar e observar no ensino e no processo de aprendizagem da língua materna, que existe uma diversidade lingüística – dentro mesmo da língua portuguesa. E que essa diversidade sociolingüística deve ser considerada na concepção, feitura e correção de avaliações educacionais, projetos pedagógicos na melhoria da disciplina português, ser agente multiplicador da visão sociolingüística para melhor ensinar inclusive o formalismo ortográfico e gramatical visando o letramento de analfabetos ou analfabetos funcionais.
2.2 PRINCIPAIS CONCEITOS
Domínios Sociais, variação lingüística, comportamento (verbal e não verbal), cultura do letramento, divisão dialetológica (Ver Antenor Nascente).
3. COMENTÁRIOS CRÍTICOS E PERSPECTIVAS QUE A LEITURA TROUXE
Sob a perspectiva da autora, a mesma aborda a necessidade de conscientizar o educador/docente e não só os professores mas toda a sociedade de que o ensino e o processo de aprendizagem do Português sofre variações em detrimento um único padrão de falar, escrever e/ou pronunciar sua língua materna.
4. REFLITA
4.1 Podemos dizer que uma língua é superior à outra?
Em sentido sociolingüístico, não. A superioridade ou “prestígio” que uma forma de falar uma língua em detrimento à outra surge dentro de um histórico lingüístico e por uma conjunção de variáveis do tipo: política, ideológica, social e econômica. Ou seja, a “superioridade” de uma língua em detrimento à outra se dá por construções sociais, não por uma verdade científica, ou natural.
4.2 Podemos também afirmar que a escrita é mais importante do que a fala?
Não. Para o processo de interação, comunicação e para o ensino e aprendizagem da língua materna e demais ciências, a fala e a escrita são complementares não que um seja mais importante que outro.
4.3 É ainda que uma forma de se expressar oralmente é mais correta que outra?Justifique suas respostas.
Quanto à forma de se expressar oralmente não é que seja uma questão de mais ou menos correta, seria uma questão de utilização conveniente ou “padrão” para um dado domínio social. Por tradição fala-se mais formalmente na academia do que em seu ambiente familiar. Portanto não seria uma questão de mais correta, mas formas mais convenientes e adequadas para um devido contexto de interação social. Na escola, a formalidade no falar torna-se mais adequado ao professor do que uma informalidade que pode trazer fracassos ao projeto pedagógico adotado pelas escolas.
Postado por Ciência da Educação às 09:11 0 comentários
Educação em Língua Materna I
Relatório 01 - Educação em Língua Materna - Capítulo 1 (BORTONI-RICARDO, Stella Maris - 2008 - ISBN 978-85-88456-17-4)
OBJETIVO: Identificar as principais características sociolínguisticas da sociedade brasileira e suas implicações para a educação;
SÍNTESE: Sob uma exemplificação de um belo texto de Carmo Bernardes que nos mostram terminologias, sentidos específicos, nuances linguísticas do Português como língua materna (instituída), na diversidade dos falares que foi adquirida pela cultura e história popular ou até mesmo na mescla enter o "popular" e o "erudito". Termos como afrásico são melhor entendidos no contexto sociocultural do autor.
O "panhamos bicho" - que significa pegar alguma doença pode não ser entendido devidamente em algumas partes do Brasil, mesmo se comunicando pelo Português brasileiro.
A autora BORTONI-RICARDO irá elencar alguns fenômenos históricos que podem ter contribuído para a diversidade de se falar Português no Brasil sob inúmeras variantes, por sua própria diversidade.
Um dos fatores segundo a autora seria que uma aguda modificação geográfica da população brasileira que mudou do campo para a cidade e/ou centros urbanos.
Segundo BORTONI-RICARDO, apud IBGE em 1920, somente 10% da população do Brasil era urbana, vinte anos depois o percentual passa para 31,2% e em sessenta anos avança para uma total inversão demográfica (campo x cidade)...Em 1996 a porcentagem da população urbana seria em torno de 78,35% - uma total inversão em menos de um século.
A relativização da questão acima irá vir por José Eli da Veiga (apud BORTOLI-RICARDO) - onde indica que os parâmetros que aferiram a diferença entre município do campo ou urbano pode ser bem menor.
Outro argumento nesse pequeno panorama histórico das características linguísticas e sociais do Brasil seria o analfabetismo que percentualmente tem caído, mas como a população cresce o número de analfabetos, doravante analfabetos funcionais também aumenta. Tudo isso irá possibilitar uma análise geral para se elencar algumas características linguísticas no ensino de língua materna.
A diminuição do percentual do analfabetismo possui a capacidade de aumentar a cultura do letramento.
PERSPECTIVA: Pela autora - perspectiva sociolinguística e Histórica/Pedagógica;
COMENTÁRIOS CRÍTICOS: Neste capítulo de abertura da temática do ensino e da aprendizagem em língua materna -a autora trouxe um pequeno panorana histórico, do como e do por quê o brasileiro fala o Português assim como fala, as considerações são levadas em considerações compostos culturais que são falados no território nacional. A diversidade de falares é imensa.
Essa diversidade linguística, terminologias próprias de regionalismos (ver descrição antropológica em RIBEIRO, Darcy) pode ser campo de atuação de um "policiamento" ortográfico que incita uma crítica linguística do português do "vale-tudo" porem o que se tem demonstrado é que a linguística também se molda à cultura e nuances culturais próprias e específicas da qual é geograficamente falada.
Aqui, não é uma questão de estar certo ou errado mas de entender que existem compostos culturais na formação da forma de falar. Segundo BAGNO, Magno - no Brasil são aproximadamente falados além da língua materna, legalmente instituída mais de duzento dialetos.
Levando em consideração o analfabetismo, uma mudança radical na configuração da população do Brasil, que agora saía do campo para compor populações nas cidades a autora traz aos estudantes da língua, pesquisadores, pedagog@s e demais agentes da educação e das ciências sua perspectiva sociolinguística que irá traçar durante seu livro, inúmeras evidências que incitam os pesquisadores a pensar sobre o papel social, político, pedagógico e cultural que implica o ensino e a aprendizagem, utilização, formação e constituição histórica da lingua materna - que aqui no Brasil - o Português em detrimentos aos dialetos diversos inseridos pela cultura e História em todo o território nacional.
Questão extra: Provavelmente, a porcentagem de homens não alfabetizados na faixa etária de 15-19 que se mostra o dobro ( 7,9% segundo a tabela 3 do cap. 01) contra somente 4% das mulheres pode estar no fato de ter na figura paterna, no homem a "obrigação" de trabalhar, seja no campo ou grandes centros - com isso, seu letramento e interação com a cultura do letramento fica prejudicado, influenciando a evasão e um maior analfabetismo entre os homens de faixa etária entre 15-19 anos do meio rural.
Postado por Ciência da Educação às 09:04 0 comentários
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Psicologia da Educacao - Psicanalise Lacaniana
Atividade 3 – Psicanálise lacaniana e Educação (Entrevistando Lacan)
Pergunta a
A linguagem em Lacan é fundamental. Veja o que diz o autor:
"É toda a estrutura da linguagem que a experiência psicanalítica descobre" (Lacan, 1957/1998, p. 498).
A perspectiva de Lacan é lingüística e não biológica como Freud se utiliza.Assim, vemos que a constituição da linguagem em toda sua extensão é que dará a forma social do sujeito juntamente com sua formação cultural.E que por uma série e conceituações como suas referências ao gozo, ao sentimento e ao desejo, que sempre lhe atribuía como o desejo do “outro”. Onde o “outro” seria o universo de atuação do inconsciente, diferentemente da consciência da matemática e/ou da lógica formal. Para saber mais ver (NOGUEIRA, Luiz Carlos et al em versão impressa ISSN 0103-6564 ou portal Scielo).Nesse sentido as perspectivas de Lacan na formação do Sujeito são pelas construções lingüísticas e culturais, todas significativas e que escapam de uma lógica matemática (por pertencer toda a fenomenologia lingüística ao terreno do inconsciente) e não da consciência no estado de vigília. A linguagem para Lacan terá a função inclusive de dar uma maior dimensão ao homem – não somente o homem biológico, mas agora o homem que concebe, produz e reinventa ou reconstrói sua cultura e sua forma de entender a sociedade e o cosmo.
Pergunta b e Pergunta d
Vejamos essa citação em Lacan sobre o conceito de Espelho:
“O eu, constrói-se à imagem do semelhante e primeiramente da imagem que me é devolvida pelo espelho- este sou eu.(LACAN, Jacques E.)”.
E com isso vemos que o conceito espelho, primeiramente forma-se no inconsciente do bebê por ter já a figura da mãe que lhe “aparece” de forma “milagrosa”. Tal situação seria arquetípica? Talvez. Mas o fato é que Lacan torna o conceito espelho não com uma formação livre do sujeito, em movimento de interação com um mundo que é novo, mas sim pelo fato de se alienar naturalmente pelo espelhismo adquirido pelas interações, heranças e desejos intensos da mãe. Sua formação enquanto sujeito (fora dessa protoalienação advinda do espelho lacaniano) é que ficará reprimida enquanto potencialidade. O ser humano já nasce com uma noção de “eu” enquanto individualidade no outro, e na quintessência das interações sociais, do sócio, por o homem ser e ter uma formação SÓCIO/histórica.
Pergunta b (continuação) – Mas afinal, como atua o espelhismo na mente do educando, ou da pessoa que se quer analisar?
Lacan afirma que o conceito de espelho se constrói pelo entendimento lingüístico que os outros possuem de nosso ser e que à medida que o ser se aliena nas imagens formadas pela mente dos outros passa o indivíduo a enxergar um mundo, o meio e a si próprio numa série de espelhos paralelos e de forma ad infinitum. Isso significa que o espelhismo irá tratar de sugestionar o educando, ou até mesmo o professor para que ambos enxerguem e interprete estereótipos, classificações, preconceitos e construções sociais que não seria produto de sua auto-imagem, mas sim imagens disformes, imagens parciais do que os outros componentes de sua sociedade iram ter de sua pessoa. No ambiente pedagógico o espelhismo em forma paralela aprofundará e distorcerá a imagem que o educando possui do professor e também de forma inversa – o espelhismo, os “fantasmas” criados pelo professor também moldará a imagem que esse professor tem do educando. Essas imagens falsas são construídas socialmente e que podem acarretar distorções graves no processo de ensino-aprendizagem. Um exemplo: Falhas e ruídos na comunicação, bullying e suas infindas formas de atuar (seja por uma agressão verbal ou virtual) seja por uma agressão biopsíquica.
Pergunta e, Pergunta c
Dentro das escolas psicanalíticas, Lacan inovou e criou uma nova didática, uma nova pedagogia no trato como a doutrina de Freud. Forjou conceitos como o espelho e por uma abordagem também lingüística que Lacan desenvolve nesse campo, também possibilitou a Lacan a feitura de uma nova abordagem técnica da Psicanálise, com o passar do tempo, a ciência Psicologia avança e inúmeras outras correntes e tendências passam a trabalhar entre o universo lacaniano e freudiano, mas também admitindo a associação livre e conceitos de ambos. As aplicações na formação do professor e no campo didático/pedagógico são claras em detrimento sua aplicabilidade/operacionalidade no entendimento do educando, enquanto sujeito em formação sócio/histórica, em relação às causas de comportamentos agudos, no domínio de suas autoprojeções, opressões arbitrárias nos alunos.Enfim, dentro de uma possível formação do sujeito em Lacan onde o educando possa se “desalienar” parcialmente de seus espelhos e que o ambiente pedagógico possa ser virtuoso na exploração dessa potencialidade humana, que seja também significativo e que proporcione a formação de sujeitos. Toda essa situação também poderá ser aplicada de forma institucional por a escola ser um sistema aberto com a sociedade, cultura, política, religião e comportamentos gerais adquiridos.
Quanto ao trabalho docente, para Lacan o professor irá ser um mediador entre os sistemas de palavras, o professor terá a responsabilidade de decodificar signos/símbolos inteligíveis ao aluno e que também terá uma responsabilidade muito grande pelo fato de ser o professor – veículo da formação psíquica cultural básica dos jovens nas interações sociais. Tem o poder (o docente) de conduzir (e portanto controla) o entendimento do aluno às problemáticas da vida cotidiana. Assim tem o desafio o docente de não ser formal demais e também ter a responsabilidade. Tem em Lacan a perspectiva de que o professor deverá ter o cuidado de estimular a linguagem e a palavra para que assim tenha-se material
Pergunta F – Apesar de seguir o modelo psicanalítico, Lacan faz algumas críticas a esse modelo, cite duas críticas exemplificando-as:
1) Quanto ao objeto de investigação: Lacan afirma em seus escritos p. 32 que por ser a Psicologia uma ciência que lida com o homem em suas múltiplas dimensões, o objeto de investigação do psicanalista pode ser por vezes relativo não subjetivo. Isso se dá pelo fato de que Lacan considera tais objetos antropomórficos e por assim ser, pode-se não ter uma visão (a priori) clara e aguda do homem a se estudar pelo método psicanalítico. Então, tratará de expor que o objeto da Psicologia se define também por termos essencialmente relativos porem tal situação não torna o modelo psicanalítico subjetivo mas com forte fundamentação teórica, resultando num caráter TERAPÊUTICO do método psicanalítico.
2) Afirma em seus escritos p. 26 que apesar das outras Psicologias criticarem as “associações” do modelo psicanalítico, seja pela doutrina, seja pela técnica empregada – Lacan admite a validade do método por que:
“...digamos que la teoría asociacionista está dominada por la función de lo verdadero. Esta teoría está fundada en dos conceptos: uno mecanicista, cual es el del engrama; otro falazmente tenido por dato de la experiencia, esto es, el de la vinculación asociativa del fenómeno mental. El primero es una fórmula de investigación, bastante flexible por lo demás, para designar el elemento psicofisico y que no introduce más que una hipótesis, aunque fundamental; la de la producción pasiva de este elemento, Es notable que la escuela haya añadido el postulado del carácter atomístico de este elemento, ya que es, en efecto, un postulado que ha limitado la visión de sus sostenedores hasta el extremo de hacerlos "pasar al lado" de los hechos experimentales en los que se manifiesta la actividad del sujeto en la organización de la forma, hechos por lo demás tan compatibles con una interpretación materialista que posteriormente sus inventores no han podido concebirlos de distinta manera. El segundo de los conceptos, el de la vinculación asociativa, está fundada en la experiencia de las reacciones del viviente, pero se extiende a los fenómenos mentales, sin que se critiquen en modo alguno las peticiones de principios, tomadas, precisamente, de los datos psíquicos, en particular la que supone dada la forma mental de la similitud, no obstante ser tan delicada de analizar en sí misma. Así se ha introducido en el concepto explicativo el dato mismo del fenómeno que se pretende explicar. Se trata de verdaderas jugarretas conceptuales, cuya inocencia no excusa a su tosquedad y que, como lo ha destacado Janet, representan un verdadero vicio mental, propio de una escuela, que llega a ser la llave maestra utilizada en todos los giros de la teoría. Inútil decir que así se puede desconocer por completo la necesidad de una especie de análisis, de un análisis que exige, sin duda, sutileza, pero cuya ausencia torna caduca toda explicación en psicología, y que se llama análisis fenomenológico.” (LACAN,J - Los escritos de Jacques Lacan – p. 27-8 - grifo nosso)
Ou seja, Lacan vê o método de associação psicanalítico com um método que tem uma função do verdadeiro – onde admite que o fenômeno mental é “verdadeiro” e que poderia apresentar uma técnica ou doutrina de dimensão mecanicista onde sofreria críticas de um modelo possivelmente atomista do fenômeno mental e também na vinculação de vícios técnicos ao processo de associação livre de Freud e que apesar de apontar tais vícios de técnica, Lacan irá validar a forma de analisar o fenômeno mental do qual chamará posteriormente de “alucinação verdadeira” – na tentativa de descrever que apesar da incapacidade de definição objetiva de objeto, técnica ou doutrina freudiana em alguns momentos, tais situações não tiram a validade da Psicanálise. Tem-se também a perspectiva de afirmar que o processo de associação tanto em Freud como em Lacan se aplicará nas reações de experiência do educando com a escola, professor, meio, sociedade ou família.
Enfim, Lacan inova a teoria psicanalítica por que inclui a dimensão lingüística e também cultural em sua análise na formação dos sujeitos. Então, seria pela linguagem, para a criança, uma linguagem também corporal ou sob gestos que a mesma dará significado ao mundo e começará a tomar consciência de seu próprio ser, de seu corpo. Assim, passam os pequen@s a terem uma imagem simbólica, agora com um entendimento mais complexo do que é o mundo, a sociedade e seu próprio ser é que possibilitará para Lacan, ter o professor, tutor ou responsável a sistematização e análise de elementos
Postado por Ciência da Educação às 02:01 0 comentários
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O almirante negro
TEXTO PRELIMINAR
Esboço sócio político nas relações entre a etnia negra do séc XIX em diante e o império/república. A revolta da chibata sob a ótica sócio política, como marco histórico e no vislumbre teórico de uma sociedade plural.
O almirante negro a romper as trevas do racismo
Com a cerviz arqueada a terra, pregressos de João Candido Felisberto já cortava a facão, suor e sangue as monoculturas de cana e café no Brasil império em transição para a república.
Mesmo após a abolição, os novos marginais, antes escravos, miseráveis ao extremo, foi agora despedido por ineficiência no manejo da terra e por interesses monetários. O capitalismo industrial “libertou” o negro e concidadãos pobres do trabalho servil e passou a lhe pagar pela liberdade com a miséria social e política além de lhe imputar, em nome da república, as mazelas e corrupções sociais e o degredo com a vida humana.
E assim, como imundos mentirosos reais, mas com roupagem da vestalidade cristã, sempre se apresentando na nova sociedade como bons moços, mas com o intuito porco e exclusivo da exploração capitalista, o mantimento da nova balança comercial exportadora deveria ser mantida. Nesse tempo, (em meados do séc XIX), 80% da população era analfabeta e pobre.
Esse vício e essa chaga social ainda perdura; basta observarmos a África (o IDH/GINI e demais índices sociais, os piores do mundo) pode-se citar também os negros pobres da América Latina e no mundo.
Nesse difícil contexto histórico, o almirante negro teve a frente, sua paixão pelo mar (apesar de ter sido obrigado a entrar na marinha). Uma árdua jornada de escárnio profissional, violências físicas e humilhações que lhe renderam inúmeros rebaixamentos na marinha, os acoites eram freqüentes, apesar de não constar nada em sua ficha profissional na marinha. O desprezo humano foi o tom do tratamento a marinheiros negros.
O zeitgeist de época foi anunciado por Joaquim Nabuco e Luiz Gama. Não era mais ético manter formal e declaradamente favor e louvor a um regime escravista. Não cabia mais a situação para a evolução do pensamento da época. Paradoxalmente, seria mais “humano” pagar salários irrisórios por doze, quinze horas de intenso esforço físico, sem as condições ideais.
A escravidão ainda permanece e permaneceria na república, que ainda teria um longo processo para a consolidação de direitos fundamentais em nossa parca democracia.
A humilhação pública e os açoites da chibata talhavam carne humana como manteiga e sabe-se que inúmeros escravos esvaiam-se em sangue. Poças de sangue se encontrava perto dos troncos aprumados pelo senhorio.
As necessidades da pontualidade históricas em citar Joaquim Nabuco e Gama são também da necessidade de não abrir mão, até por ética histórica e científica de imiscuir romantismo narrativo em fatos.
Assim, sem lançar mão de romantismos, de suposições, a chibata por vezes se mostrava pior do que um flagron romano em carne humana. A chibata se lançada por repetidas vezes no tórax, irá talhar seus músculos. Os cortes são profundos e levaria um homem ao óbito facilmente.
Seriam possíveis pensamentos que ocorreria na mente de João Candido? Não foi possível essa verificação documental/histórica.
Não pretendia dar teor político ao ato, mas sim humano, básico. Certamente, as coerções psíquicas foram sofridas. Por talvez tentar expressar seu sonho de Brasil humano, sem veio político, que em 1910 aconteceu o levante conhecido como a Revolta da Chibata. Reuniu-se mais de dois mil marinheiros para exigir agora formal e definitivamente o fim dos açoites e coerções na marinha.
Vinte e quatro horas depois do levante, o governo republicano aceitou as reivindicações dos tripulantes dos encouraçados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo já postos frente ao antigo Distrito Federal.
De forma simbólica, essa vitória dos marinheiros seria de extrema importância histórica – como marco, da formação de nossa tão idealizada sociedade plural e multiétnica e cultural.
Acreditamos que seria provável que João Candido nunca tenha pensado na revolta em termos de via pra uma sociedade plural e multiétnica, mas sua atitude como cidadão de época foi chave para sucessivas vitórias parciais da sociedade negra e pobre do Brasil.
Torna-se um absurdo filosófico o Brasil homenagear civilmente, um cidadão que pedia somente liberdade para trabalhar. Tudo isso não deveria ser premissa fundamental da democracia e da República?
Como também, deveria ser prazeroso para os pregressos e para João Candido poder desfrutar de um pedaço de terra, com muita galinha no quintal, farofa, pimenta malagueta, feijão, mandioca, milho,banana, inhame, abóbora,poder usufruir da sua cultura fitoterápica, poder tocar tambor e alegrar-se, sambar, dançar jongo e adorar todo o vasto panteão afro-brasileiro e todo tipo de nuance sincrética entre a África e o Brasil. Respirar alem do atlântico pelos arquétipos ancestrais sem duas vias América-Africa-América-África...
Uma prova reversa desse processo sincrético agora Brasil e a África está na forma de se vestir, de falar, pela música, pela dramaturgia brasileira que é muito difundida em Angola.
A dinamicidade dos conturbados interesses de cafeicultores, latifundiários e novos comerciantes teve reflexos diretos no parlamento. A sociedade pré-capitalista do início do século vinte, ainda tinha o estado como fonte de coerção étnica.
O pestilento universo de ideologias racistas permeava a alta patente e traria com o passar do tempo, o açoite exclusivo pelo ódio étnico.
Novamente, o romantismo redacional, não é posto em questão. Visto que, uma nova frente protofascista/nazista se difundiria na Europa e depois nos EUA.
O resultado posterior desse gérmen ideológico ajudaria a formar o palco das duas guerras mundiais. Hoje, tais movimentos contemporâneos afirmam claramente sua aversão não só a negros, mas a homossexuais, latinos, ateus, pagãos, mulçumanos, hindu, chineses, asiáticos em geral.
Formam assim, núcleos sectários extremistas de intenso teor fundamental religioso (geralmente de matriz judaica cristã). Utilizam-se de todos os subterfúgios filológicos e de erudição para propagar doutrinas fascistas que são mesclas da Talmud com a Filosofia e Teologia Cristã.
Tudo chancelado em certos pontos, até hoje, por altos escalões de líderes religiosos e “investidores” do sagrado e da cultura ocidental. Religião hoje tem fim financeiro, não social, libertário.
Em 1910 as coerções psíquicas tinham também um forte tom de fundamentalismo religioso. A ideologização que norteava as decisões da marinha brasileiras eram também de extremo teor fundamental. Os que assim estivessem fora dessa norma padrão, deveria ser açoitado por que eram filhos do diabo. A associação ideológica era que; brancos era filho de deus e os negros e mestiços filhos do diabo, por isso da superioridade branca em relação aos filhos do diabo.
Não podemos falar de igualdade se não falarmos em igualdade étnica, cultural e material. O fenótipo não se pode ser mensurado moralmente pela quantidade de melanina. Essa burrice argumentativa advém de opiniões racistas. Não como fato científico. Assim também pela sua etnia, sua cultura ou forma de pensar.
Ora, como sistematizar conclusões reais acerca de uma manifestação cultural, tendo por critérios ideológicos? Ora, como sistematizar conclusões de critérios de bom mocinho e mau mocinho?
Será que a quantidade de melanina interfere em algo referente a comportamentos sociais do tipo “bom mocinho” ou “mau mocinho”?
Aos que propagam tal ignorância, faltam-lhes feeling histórico e biológico para sustentação de proposição.
Afirmações racistas, nunca são científicas, porém possuem teor ideológico e fundamental religioso.
Na esfera patrimonial, a comunidade negra sente até hoje os reflexos da exploração. A grande maioria dos negros latina e africana é ainda pobre.
A equalização de pilares de nossa sociedade é fundamental para a concretização dos direitos humanos.
Se a vida humana não está amparada em saneamento, água tratada, moradia e condições básicas para todos, de nada adiantará a erudição de convenções, unir nações ou metodizar uma ética humanista.Tudo ficará num voluntarismo e num espontaneísmo sem norte.
A revolta da Chibata não tinha corpo nem organização política. Reivindicava apenas o direito natural de trabalhar e ter condições básicas para sobreviver, sem nenhum tipo de açoite físico ou mental.
A situação se tornara insuportável porque o trabalho em mar era duro e exercido em ambientes infectos. Os porões dos navios negreiros e das embarcações do séc. XIX não tinha o menor asseio. Somente o tráfico nessas embarcações levaria trinta por cento do total de escravos-viagem à morte. Muitos eram devorados vivos por ratos, outros pela peste negra, bactérias e doenças tropicais.
Assim, não seria digno, depois de passar tudo isso, trabalhar para a marinha doze, quinze horas por dia sem nenhuma garantia e sempre viver sob intensos esforços físicos.
A revolta portanto, foi um ato de desespero em mantimento da vida. O objetivo era sobreviver e se sustentar. De forma inquestionável, a legitimidade da revolta pode se furtar dos direitos humanos para dizer: - Sim! A revolta é legítima. Abaixo o açoite e por melhores condições de trabalho para todos.
Fato é que; não se tinha absolutamente nenhum intuito político, mas sim humano. Vislumbrava-se somente trabalho e o fim da chibata.
A não existência de documentações mais precisas e completas sobre a vida dos marinheiros negros pode até ser encarada como uma prova da indiferença institucional. Muitos foram verdadeiros heróis e por vaidades pessoais e também por entendimento institucional o procedimento interno de coerção física aos marinheiros não era documentado.
Mesmo assim, era patente o ódio institucional por marinheiros negros. De forma simbólica, a vitória da revolta foi um passo para o aprofundar dos Direitos Humanos. A condição humana básica voltava à baila das discussões nos salões da intelectualidade da época.
Muitos certos, mas muitos sem feeling histórico fariam o movimento contrário à abolição, traria a forma de exploração capitalista para mantimento do status quo.
Nota sobre a religião como variável social
Numa escala histórica, existe um processo de mútua conversão moral entre o sagrado e o profano. O profano no código de ética da marinha eram as manifestações tipicamente negras, como sua culinária, vestimentas, sua matriz religiosa.
Dançar ao som dos tambores e louvar o panteão afro era heresia e profanação do sagrado. Por outro lado, o sagrado para os teólogos era somente a cartilha bíblica.
O pleno entendimento ainda não acontece pois o não entendimento de uma mútua conversão moral e interdependência entre o que é considerado sagrado e o que é profano.
Essa pretensa divisão é somente para alimentar o ego de racistas. Parte-se de um conceito por vezes, universal de deidade, mas sectariza a realidade em milhares de religiões? Isso não é uma tentativa de ecumenismo religioso e sim uma constatação social de restrições por que passa alguns religiosos.
O intento aqui é somente constatar mais uma vez a grande interdependência entre fontes profanas e de fontes sagradas, corroborando conseqüentemente a nulidade de uma fundamentação neonazista por critérios religiosos.
Ora, é público e notório que as religiões sofreram muitas influências, na cristã, o helenismo é um exemplo.
Matriz Cultural Monoteísta
A Matriz Cultural Monoteísta doravante, MCM pode-se dizer que mais da metade da população mundial tem como princípios éticos e morais a MCM como guia de vida social. A matriz é composta pelos correligionários do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo e em suas respectivas reverberações sincréticas intereligiosas.
Pensemos, o que poderia ser citado como sagrado ou profano em alguma dessas religiões que não fosse caracterizado pela existência de mútuas influências entre o que é considerado sagrado e profano da religião daquele que cita o caráter “sagrado” ou “profano”. Visto que, a sacralidade e o ser profano, não passa de descrições subjetivas de significados estritos da religião considerada “sagrada”.
As descrições são subjetivas e pessoais, e paradoxos sociais se apresentam mais uma vez.
Ora, o sectarismo religioso se furtava da prática do açoite para corrigir hereges e revoltosos negros, mas praticava assiduamente sexo com mucamas, adotava sua culinária, língua e vestimentas. Como descrito, não se apercebia na própria sociedade, fenômenos sociais paradoxais, inclusive na eterna conversão sincrética e secular entre o sagrado e o profano.
Pré-conclusões
- As idéias que motivaram os açoites eram ideológicas e fundamentais religiosas.As idéias que motivaram a revolta da chibata eram de natureza libertária e humana;
- As idéias institucionais da marinha eram “corrigir” marinheiros incompetentes, mas o motivo era o ódio racial e o sectarismo religioso;
- As idéias da revolta não tiveram em nenhum momento, teor político e de organização política e sim uma reivindicação aguda dos direitos naturais e humanos;
- Situado em uma difícil fase histórica de exploração e humilhação, João Candido, de espírito libertário, pensou a frente de seu tempo e reivindicou liberdade para trabalhar e viver. Fundamento esse dos direitos humanos, e o direito a vida.
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O destino do Brasil
Universidade de Brasília
Faculdade de Educação
Departamento de Teorias e Fundamentos
Disciplina – Antropologia e Educação
Professor(a): Leila Chalub Martins
ADDENDUM AO POVO BRASILEIRO – O DESTINO DO BRASIL
(( uma passagem pela antropologia física e cultural – ver evolucionismo, determinismos geográficos e étnicos))
No documentário o Povo Brasileiro, baseado na obra de Darcy Ribeiro, nos mostrará que o Brasil passa a moldar as formas de expressar sua "brasilidade".
Essa "brasilidade" será composta por núcleos culturais da seguinte ordem:
- Uma sociedade tipicamente/culturalmente crioula;
- - Uma sociedade Cabocla;
- - Uma sociedade Sertaneja;
- - Uma sociedade Caipira;
- - Uma sociedade Sulina;
Cada núcleo cultural dessa brasilidade que ainda está se formando, tem suas característica próprias (vide milenarismo religioso no Sertanejo)mas também características em comum com relação ao mundo, à religião, superstições,ao valores, à vestes, culinária, à produção material, à agricultura, ao sexo, família, sociedade, leis etc, etc.
A sociedade Crioula e Cabocla nasce a primeira tendo elemento humano principal o afrodescendente. A sertaneja o mulato, o europeu e o mulato e o índio, na caipira uma mescla de etnias também se funde com certas predominâncias genéticas, a sulina terá a genética europeizada. Muitos alemães, italianos, holandeses nessa parte do Brasil.
Tal visão é muito interessante. A medida em que o tempo histórico passa, núcleos culturais se fixaram em sociedade de características próprias e também em comum (Caboclas, Sertaneja, Sulina) tem suas nuances religiosas próprias, mas tem no cristianismo um elemento comum.
Provavelmente desses núcleos básicos, a cultura brasileira irá se expressar em sua singularidade e também em sua pluralidade por não ser estática, essa nova cultura se refaz, evolui, se sincretiza, se molda aos tempos atuais e se reinventa.
Ser brasileiro é ser singular e plural ao mesmo tempo. É ter um fenótipo mestiço e não necessariamente ter a cultura mestiça (cabocla por exemplo). Ou pode ser branco e se adequar e viver e se encontrar a cultura mestiça, negra.
O Brasil torna-se um gigante plural que com o passar do tempo vai construindo sua cultura e ainda a está construindo, a redescobrindo e a sincretizando-a, com a cultura de massa/urbanizada, pós-moderna.
Por vezes de forma religiosa milenar (Sertanejo tradicional), por vezes no desenvolvimento pragmático do "sangue alemão", seja pela malandragem urbana do carioca mulato, seja pela música ou culinária caipira.
O Brasil se materializa no cotidiano dessas culturas, mas também não é estático por que temos a cultura urbana, conectada, uma sociedade de cultura tecnológica.
O Brasil também se materializa nessa cultura de massa.
Foi dito no tópico anterior:
Tal visão é muito interessante. A medida em que o tempo histórico passa, núcleos culturais se fixaram em sociedade de características próprias e também em comum (Caboclas, Sertaneja, Sulina) tem suas nuances religiosas próprias, mas tem no cristianismo um elemento comum.
Mais ainda interessante é verificar o que é dito por Darcy na composição cultural, com o passar do tempo e sua independência com o feitio de teorias antropológicas da "brasilidade":
"É, porém, irresistível, como aventura intelectual, a procura dessas generalizações. É também indispensável, porque nenhum povo vive sem uma teoria de si mesmo. Se não tem uma antropologia que a proveja, improvisa-a e difunde-a no folclore." (RIBEIRO, Darcy - Povo Brasileiro - Introdução Brasis - p. 269)
Tal feitura, tal feitio se dá no tempo e no espaço independente de antropólogos, teóricos, cientistas sociais sistematizarem uma teoria antropológica de Brasil como nação plural, multiétnica.
A brasilidade está portanto em aberto e em eterna sincronia com a história e com os momentos da sociedade, carregando suas virtudes e mazelas. Seu desenvolvimento e também seu atraso.
A brasilidade é portanto metamoforzeada pela história e pela integração cultural de vários povos, principalmente negros, índios e europeus.
A brasilidade que está se formando e se autoformando acontece nesse exato momento. E que de forma impressionante não está sujeita a erudições teóricas, nem a sistematizações antropológicas gerais.
O Destino Nacional (RIBEIRO, Darcy – O Povo Brasileiro p.446)
O Brasil do século XXI é ainda escravista, agro-exportador, latifundiarista, acumulador, violento, etnocêntrico, racista e extremamente desigual.
Todas as autoridades religiosas, empresariais e políticas, nunca estiveram realmente preocupadas e nunca realmente atuaram para reduzir o estrato da sociedade concernente aos pobres e miseráveis.
O aliciamento fora da lei recém decretada era comum para a exploração servil e sexual de famílias pobres.
A república ainda faz o jogo da burguesia e empresariado brasileiro. Nosso sistema econômico ainda é pela primazia do lucro e tal sistema só segue operando à base da exploração índia e negra, hoje mestiça que afundada no atraso, não consegue como massa social, galgar posições sociais relevantes.
Um conglomerado de etnias sem norte, sem sentido de nação começa a se formar e a fundar pelo “cimento” chamado a tempo de Ilha Brasil. As instituições brasileiras estão começando a funcionar, nosso clamor cidadão está começando a dar sua cara. O Brasil e suas engrenagens de máquina pública democrática começa a dar condições para o Brasil que ainda não se reconhece como brasileiro. Brasileiro latino. Genuíno ser plural, advinda de matrizes negras, índias e européias e no atual momento histórico começa a tomar forma de nação de incluídos e não marginalizados.
Uma nação que se reconheça em sua cultura, em sua crença, em sua terra, em sua língua. Um povo que sinta recompensado com política plurais, pontuais e atuais, assim como tem sido a Política Afirmativa de Cotas.
Um povo feliz por ter labor, um povo pacato. Um povo preparado para produzir de forma sustentável. Um povo organizado politicamente, em torno de uma proposta de nação advinda de uma maioria congressual.
Uma sociedade produzindo conhecimento científico tecnológico e aplicando todo esse conhecimento no campo, em projetos sustentáveis para todos.
Não existirá uma nação de destino promissor sem a aceitação da pluralidade em todos os âmbitos da vida civil e de oportunidades profissionais para todos.
O estado, a sociedade, as associações e organizações civis devem em pleno acordo político traçar um novo projeto de Brasil.
Um Brasil de inclusão digital, de fomento à ciência, do fomento ao conhecimento técnico, de fomento a formas de economias alternativas, orgânicas, sustentáveis.
Fomentar um Brasil que leia e releia muito. Um Brasil que leia e releia, leia e releia seus clássicos, seus intelectuais, seus mitos e lendas, sua cultura, suas belezas e patrimônios naturais, sua diversidade, sua brasileridade, seu eterno inventar de Brasis.
De gente que saiba repassar e bem português e matemática. De gente que saiba que o Brasil do Piauí, não é só Oeiras e Teresina e sim um Piauí da Serra da Capivara, de Salobro, de Canaeira, Angico Branco, Sebastião Leal, Flores do Piauí, Brejo do Piauí, Uruçu, Macambira e da fantástica região de Santana do Cariri – região única para paleontólogos. Os registros de fósseis são contados aos milhares. Achados aos quilos por toda a região ainda pouco estudada.
De gente que saiba que Bahia possui alem de diamante, diamantes azuis, ouro, esmeralda e prata, relevante importância na preservação de biomas como chapada Diamantina, Bahia de gente trabalhadora, de gente que sabia que não temos somente Bahia de Salvador, Ilhéus ou Feira de Santana, mas uma Bahia imensa, imensamente negra de Camaçari, Serra Preta, Ribeira do Pombal, Capim Grosso, Queimado, Carbaína, Nuguaçu, Jacobina, Jeremoabo, Pedro Alexandre, Sandra Frígida, Uauá, Patamuté, Pinhões, Abreu, Junco, Umaniú, Apamirim, Delfino, Gameleira do Assuruá, Ibitunane, Ibipetum, Upuçaba, Canaíba, Miniaçu, Itanagé, Ibitirá, Caraibuna, Guaripá, Mozondó, Iguara, Carrapichel, Tiguaçu, Sambaíba, Acajutiba, Ibatuí, Calambes, Batuí, Ibiporã, Tapiraipé. Por um país que não faça do Norte do país uma terra sei lei, onde o camponês, onde o devedor ao patrão latifundiário é morto como suíno em feira. Por um Governo Federal que atue veementemente na matança de brasileiros pelo “pistolismo” a mando do patrão latifundiário. Por um Governo Federal que atue veementemente e definitivamente da revitalização e sustentabilidade de toda a região da BR 163. Um país preocupado, extremamente preocupado com o povo do Tocantins e seus biomas e relevância hídrica. Uma nação atenta a saúde geral das populações periféricas de Belém, Rio Branco e Macapá. Por uma nação que saiba que o estado de Minas Gerais é rico e desenvolvido, as minas gerais de Belo Horizonte, de Juiz de Fora. Mas também que existe uma Minas Gerais que é extremamente pobre e desnutrida, miserável e escravizada até hoje no interior e rincões. Essa MG é a MG de Juporina, Tejuco, Bom Jantar, Andrequicé, Quíntinos, Guimarânia, Guarda Mor, Vazante, Carmo do Parnaíba, Catiara, Arcos, Formiga, Passos, Itamagi, Heliodora, Natércia, Soledade de Minas, uma Minas Gerais de Aiuruoca.Uma nação que atue em políticas epidemiológica principalmente as tropicais (malária, febre amarela, dengue) de forma planejada, mapeada e científica preventiva. Uma nação que difunda a verdadeira guerra contra da Dengue. Uma nação preocupada e atuante com a frágil saúde de nossa nação indígena e sua cultura. Uma nação que redescubra o Tupi-guarani e dialetos crioulos.Uma nação que diga não ao machismo e que respeite o sofrimento histórico da mulher brasileira Um Brasil que respeite efetivamente a lei Maria da Penha.
Uma brasileridade despojada de etnocentrismos “made in usa”, preceitos raciais, regionalismos e bairrismos, mas principalmente uma brasilidade despojada de preconceitos de classe. Evoluamos para uma sociedade includente e que saiba conviver com pobres, doentes, pessoas com necessidades especiais (inclusive suas necessidades educacionais). Por um Brasil que não venda órgãos humanos, nem faça das listas de espera por transplantes negociatas porcas e antiéticas.Por um Brasil que saiba a linguagem de sinais, surdo mudo.
Que sejamos uma sociedade pacata, desarmada e politizada. Por uma sociedade latina menos bruta, menos violenta, menos homicida. Menos genocida. Menos armamentista e belicista. Saibamos regular essa torpe autodestrutividade para garantirmos perpetuação de espécie. Onde estariam os acordos multilaterais do controle de armamentos?
Uma sociedade que mantenha e aperfeiçoe seu sistema único de saúde. Que o mesmo seja e permaneça universal, gratuito e de qualidade a atender demandas sociais regionais e nacionais de forma rápida e descentralizada.
Para que nossas crianças, jovens e idosos possam ter seus direitos e estatutos respeitados. E que o estado possa sem rodeio, tratar esses estatutos de forma responsável, planejada e bem executada.
Por uma sociedade que inclua pessoas com necessidades especiais em não só em ônibus, em lazer e entreterimento especializados, na produção de arte para esse público. Por uma sociedade mobilizada em torno de uma real revitalização de nosso sistema de transporte, priorizando hidrovias, ferrovias e as “infovias”.
Para que a mulher negra seja respeitada, valorizada e que não mais seja violentada pela sociedade, nem psíquica, nem fisicamente.Para que a mulher brasileira possa desfrutar de seis meses de licença maternidade e ser detentora de meios para criar seus filhos com dignidade. Para que mulher brasileira possa ter todas as condições de amamentar seu filho com leite materno e somente leite materno. Para que o tráfico humano, de órgãos e a exploração sexual sejam minimizados e não fomentada no exterior, por uma agenda especial no ministério do turismo para tratar dessas questões.
Por uma previdência universal, uniforme, seletiva, distributiva, equânime, irredutível e democrática.
Por uma autoridade policial amiga da população, não responsável por matanças injustificáveis no abuso do poder e profissão. Por um ministério público atuante, fiscalizador e mantenedor dos direitos dos brasileiros.
Por uma sociedade virtuosa e cheia de sede pelo conhecimento científico.Uma sociedade bem alimentada física e mentalmente com boa cultura, inclusão social, lazer. Que o brasileiro se veja na TV. Que a TV fale do saci, do Jurupari, do Boitatá, de Monteiro Lobato, do Bumba Meu Boi, de xaxado, de literatura em cordel, de reisados, de festas de reis, do batuque, da catira, do forró, de Caruaru em desafio a Campina Grande, que o Brasil relembre a ciranda, o jongo, samba de roda, mas que também produza música popular nova, misturada, brasileira mesmo; contemporânea. Que a TV mostre os pequenos, médios, desconhecidos e invisíveis Brasis em suas peculiaridades. Que a TV, a internet, o acesso ao conhecimento seja diversificado, brasileirizado e difundido gratuitamente a todo grande norte/nordeste, que alcance todo o centro-oeste do Brasil, principalmente no Tocantis e Mato Grosso.
Uma sociedade de portas abertas para os latinos, africanos, europeus e americanos que tenham o intuito de desenvolver o país e possam ser recebidos como filhos da terra, como brasileiros, como irmãos.
Por uma sociedade atenta e atualizada sobre a viabilidade estratégica da criação do banco do sul e fortalecimento do Mercosul em sua posição estratégica de contra ponto aos demais blocos econômicos.
Por uma sociedade latina forte, integrada, e integralizada geopoliticamente e que se comunique diariamente, e que diariamente receba feedbacks de nosso irmãos latinos.Que conheçamos os atuais problemas da sociedade Argentina, Chilena, Paraguaia, Boliviana e sua atual crise, Peruana, Equatoriana, Venezuelana, Uruguaia. Da sociedade Colombiana com sua triste realidade governamental irresponsável de matança sistemática de civis.
De uma sociedade atenta para seus principais e secundários biomas e reservas de água doce. Por uma sociedade que tenha políticas trans-fronteiriça,trans-nacionais, trans-soberanas (sob chancela dos representantes dos países do Mercosul) e que atue em todo o bioma amazônico, de forma soberana e soberana latina e também no bioma da patagônia, das savanas argentinas, da cordilheira dos Andes e sua reserva de água doce e na importância da formação da bacia amazônica, da biodiversidade da América Latina, do pantanal. Para com o importante bioma do Cerrado/Caatinga e da gigantesca reserva de água doce e potável - Aqüífero Guarani. Que a sociedade brasileira e latina saiba se posicionar politicamente acerca da sistemática matança de civis colombianos e peruanos – recentemente das etnias awajun e wampis povos indígenas da amazônia peruana, foram mortos não menos do quê trezentos civis. Em Bagua (região peruana) a carnificina, no dia 05 de junho de 2009 chegou a níveis deploráveis para qualquer intervenção diplomática ou estatal – o etnocídio a mando do governo Alan Garcia já acontecera. Centenas de corpos eram amontoados e cremados nas próprias rodovias fechadas pelas etnias indígenas como meio de protesto às arbitrariedades contra a vida indígena peruana que assume aproximadamente onze por cento da população peruana. Um verdadeiro desastre social. Em Bogotá, o mandatário Uribe passeia por dois dias em toda a América Latina, agradecendo não sei o quê, e é recebido por todos os líderes de governos latinos onde ao mesmo tempo abre as fronteiras e arreganha a soberania colombiana ao mercado bélico de BAE Systems, Lockeed Martin, General Dinamics, Raytheon etc para mais matanças de civis latinos. Hoje (2009), o mandatário colombiano enfrenta pelo ministério público, mais de 1.250 processos militares no desaparecimento de mais de 2 mil jovens a partir de 2002, – na cidade de Soacha (distrito de Bogotá) mais de trinta jovens desapareceram e logo após, foram contatos pelo exército colombiano em dezenas de covas rasas como “baixas em combate”, desse total de mais de 2 mil desaparecidos, centenas de mulheres e crianças. Pela divulgação dos crimes de lesa-humanidade publicado em 2009 – a cúpula de Uribe exoneraria três generais e mais 25 militares de alta patente debaixo da chancela da comunidade internacional. Publicação na grande mídia? – Nenhuma. Por uma sociedade latina plural e que reafirme a auto determinação de seus povos.Por uma sociedade que saiba responder civil/politicamente pela formação de uma perigosa zona de fechamento dos corredores ecológicos onde a produção de soja e grandes pastagens de gado, já ameaçam a integração e equilíbrio de milhares de anos entre a maior savana do mundo em biodiversidade cerrado (contem 1/3 da biodiversidade brasileira) e o bioma amazônico tropical. A sustentabilidade na região da BR 163 seria um tosco e parco exemplo para resolver um problema estrutural, que avança inclusive pelo Tocantins, caatinga adentro pela força do pistolismo. Um perigoso desequilíbrio ecológico pode reduzir drasticamente reservas de água do cerrado e de fontes do aqüífero guarani, trazer desertificações, aniquilamento de toda uma cadeia entomológica vital para polinização de plantas e para o reino vegetal, de pequenos roedores, pássaros e ainda desequilíbrio no ciclo de chuvas e/ou estiagens contribuindo para resultados como a gravíssima situação atual de Santa Catarina onde também corrobora a histórica falta de estruturas de acolhimento aos pobres e interioranos (pequenos agricultores e camponeses). Em termos gerais ecológicos, tais políticas devem ser imediatamente executadas pelo Governo Federal em termos de resposta ao avanço da monocultura de soja e gado em detrimento aos já poucos corredores ecológicos cerrado/caatinga/bioma amazônico, podendo pela devastação sistemática desses corredores, sumiço de rios, plantas e animais. Paradoxalmente, a retórica produtivista fica por conta do Agrobussiness. Mentira retórica em termos de produção de alimentos onde – a agricultura familiar responde por aproximadamente 57% do consumo de feijão e mais de 50% no consumo de mandioca ou abóbora.
Por uma sociedade atenta ao seu capital biológico, arqueológico/paleontológico de seus sítios e reservas. Ao seu potencial na produção de remédios e tratamentos de doenças e ao mafioso processo de patenteamento de produtos genuínos brasileiros. Que o Brasil reformule parques industriais, que o Brasil inove tecnologicamente para dar vazão a todo esse potencial citado acima.
Por uma Brasil que mude definitivamente a configuração de sua balança comercial, de seus atores econômicos e políticos. Que o Brasil se liberte do débil ciclo neokeneysiano de financiamentos públicos em somente tempos de crises sistêmicas e passe a investir na agricultura dos pequenos barateando o acesso a tecnologia e sementes, impactos positivos? Sim, tanto na saúde, na educação, como no esporte e cultura. Que o Brasil possa aumentar consideravelmente suas rubricas nessas áreas estratégicas e de inteligência e que possa finalmente produzir não só commodities, mas bens duráveis e de alto valor agregado. Que o Brasil possa desfrutar da jazida pré-sal e da tecnologia dos biocombustíveis e demais fontes alternativas de produção de energia limpa.
Que o consumo interno e o fortalecimento da produção básica – seu superávit primário não seja estancado pelos juros capitalistas impagáveis.Hoje, o Ministério de Guido Mantega – já sinaliza para uma sobretaxa de 2% para capitais especulativos internacionais que tem por intuito especular as riquezas brasileiras mas sem nenhuma contra partida.Enfim, por uma nação politizada e atualizada e seja tais assuntos pauta perene de uma agenda institucional referendada por um projeto de Brasil livre, libertário, humano, pacato, deliberativo, transparente, virtuoso e republicano.
Por uma sociedade brasileira, plural, latina, coesa, libertária, humana, fraterna e trabalhadora. Arduamente trabalhadora para reconstruir as estruturas necessárias ao bem estar das futuras gerações.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Artigo Final - Sociologia da educacao
Universidade de Brasília
Faculdade de Educação – Sociologia da Educação
A/c: Profª - Drª - Sonia Carvalho
Artigo Crítico da Obra Vigiar e Punir (FOUCAULT, Michel) – Corpos dóceis. Condicionantes disciplinares em FOUCAULT do pedagógico disciplinar ao pedagógico sócio interacionista. A mecânica própria de poder descrito em FOUCAULT e os impactos no fenômeno pedagógico - Este como fenômeno multidimensional, forjado nas interações sociais, aberto e também de natureza imaterial/cultural. Da fase bárbara das idéias à sociedade do conhecimento. Ensaio de uma crítica sociológica sobre a mecânica de poder em Foucault e o fenômeno Pedagógico contemporâneo. O fenômeno pedagógico como constituinte relevante da investigação sociológica.
Sob a avaliação da Profª - Drª Sônia Carvalho da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília – Campus Darcy Ribeiro.
Abstract
The system prisional current, the aphorisms that the government uses in the policies making of public safety, the relation prostitute between state and bellicose commerce, the coercion and the discipline in your concepts singularity in FOUCAULT, allied objectively to the impacts of the wars and of the death tolls in your more widespread and gloomy meaning – also under FOUCAULT's Perspective is intrinsically linked with modus operandi of the capital and under a continuous process of meticulous control of the individual body and also of the collective body(society).In the chapter - Docile bodies; a great panorama of as a structure, a power mechanics, which with pass it of the history, a great ideological reverberation in a form of was done think “Roman’s” school for juridical ideal and for a contratualism under the aegis to Loque and Rousseu’s a logic impregnated of the dynamics of microphisical of the power imposing a strong discipline and control varied dimensional in the bodies, which then they become “docile”, as grows exponentially the relation between obedience and utility; utility and obedience. A critical panorama to the coercion mechanism that FOUCAULT introduces in her Work so much in the current society, regarding the education. To the pedagogical phenomenon, it remains the fight by the deepning of a society of the knowledge that aims the mutual human development and the breaking of instituted powers. Under a acurated and perfected to look critical, FOUCAULT undresses a coercions head office imposed to the man conditioning the pedagogical phenomenon in the History and the History in the pedagogical phenomenon. The pedagogical phenomenon as important constituent of the sociological investigation.
Words keys: Pedagogy, Foucault, Power, body, Discipliny.
1. Introdução e problematização
O sistema prisional atual, as chacinas urbanas e rurais, os aforismos que o governo se utiliza na feitura de políticas de segurança pública, a prostituta relação entre estado e comércio bélico, a coerção e a disciplina em sua singularidade de conceitos em FOUCAULT, aliado objetivamente aos impactos das guerras e das mortandades em seu significado mais extenso e sombrio – também sob a perspectiva de FOUCAULT está intrinsecamente ligado com o modus operandi do capital e sob um processo contínuo de controle minucioso do corpo individual e também coletivo molda, condiciona e ainda persiste no fenômeno pedagógico.
No capítulo Corpos dóceis um grande panorama de como uma estrutura, uma mecânica de poder, que com o passar da história, uma grande reverberação ideológica se fez de uma forma de pensar que “romanizou” a escola por um ideal jurídico e “contratualizou” sob um viés loqueano/rousseano seu mantimento impondo uma forte disciplina e controle multidimensional nos corpos, que por sua vez se tornam “dóceis”, à medida que cresce exponencialmente a relação entre obediência e utilidade; utilidade e obediência. Um choque ideológico se faz presente, pois o homem rechaça a opressão física e psíquica e em outros não se faz diferença alguma, seja pelo conformismo, seja por um fatalismo existencial, na condição de conceito de Paulo Freire – os esfarrapados: homens e mulheres que se encontram no fatalismo da nulidade de consumo e nutrição.
Assim, de uma maneira histórica, o fenômeno pedagógico em suas dimensões fora institucionalizado e disciplinado de uma forma minuciosa visando a eficiência do governo/administração do rei, autoridade, ou estado.
Pela divisão do trabalho e um extenso e dissimulado processo de concentração de poder, o corpo do homem e o homem num corpo social passa a ser moldado, inclusive de forma fisiológica ao idealismo vigente – um processo de alienação que se cristalizou na lei e nas convenções da sociedade moderna. Fazendo um corte transversal/analítico entre a História e a Filosofia:
Nossa revisão das instituições educacionais leva a uma revisão da imagem que temos do homem. As criaturas de que necessitam as escolas como clientes não têm autonomia nem motivação para se desenvolverem por si mesmas. Podemos dizer que a escolarização universal é a culminância de uma empresa de Prometeu e que a alternativa é um mundo feito para o homem epimeteu. Enquanto dizemos que a alternativa para os funis escolásticos é um mundo tornado transparente pelas verdadeiras teias de comunicação e enquanto sabemos exatamente como poderiam funcionar, só podemos esperar que a natureza epimetéia do homem reapareça; não podemos planejá-la, muito menos produzi-la.(ILICH, Ivan – Sociedade sem escolas – p. 113-14).
Vemos um interessante jogo de metáforas e de significados conceituais da mitologia grega que nos remete ao papel da escola na sociedade hodierna. Pode soar até como um falso ascetismo, mas a metáfora vai de encontro a situações que fazem parte do discurso político vigente que aplicará chavões acerca da Pedagogia que confundem o senso comum e a sociedade.Com isso, de modo bem simplificado, também se faz uma crítica dentro da atual crítica que seria as ações de Prometeu, “na abertura da caixa de pandora”, e no intuito rasteiro, por ser vão seu fim de imputar todas as mazelas do mundo no chavão da falta de educação. Ilich vai além e coloca um ideal de homem, o homem Epimeteu, não pro falso ascetismo (novamente) mas pela necessidade de uma nítida evolução do pensamento, inclusive do pensamento pedagógico. Á frente veremos que estamos ainda na fase bárbara na concepção de idéias.
A produção e distribuição da riqueza se concentram com instituições poderosas enquanto que tanto o corpo do homem individual quanto o coletivo irá sofrer duplamente pelo impacto da sectarização, da classificação, da formação cita FOUCAULT de quadros-vivos, conceito esse que significará uma técnica de poder ou um processo do saber, trata-se da quintessência da microfísica do poder, seria a mecânica da microfísica do poder. Como que por um processo histórico e violento o homem fora moldado ao ideal da belle époque, na “virtude cavalheiresca” do homem e da mulher “civilizada”. Hoje, nosso sistema prisional está institucionalmente fundado em masmorras, viciado em sua subsistência, podre, fétido, para masoquistas ou cult’s(1) do negativismo como fim o estado e seu povo se aliena e onde a idéia de um homem constituído de uma moral e livre torna-se carta fora do baralho na dinâmica da sociedade capitalista.
(1) Denominação dada a qualquer nuance dos componentes de uma cultura, ou de grupos culturais específicos que se unem, ou se identificam de forma padronizada, onde o padrão pode ser uma moda, uma ideologia, religião, estilo musical, formas de sentimentos e comportamentos podendo caracterizar uma tribo, segmento social que adota um mesmo sistema simbólico para um determinado padrão social e de relação com o meio, conforme cultura autodeclarada. Esta como declaração livre de seu adepto. Logicamente que o conceito que em parte é cunhado na literatura mundial, mas ao mesmo tempo se mostra em aberto, por que tanto o movimento pedagógico, o processo de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo e afetivo de um humano, a composição e absorção de sua matriz cultural e demais influências que a compõem, necessariamente possui uma dimensão subjetiva e intransferível. Atemporal para aquela criança ou jovem que sente o mundo e reflete sobre o mesmo. O conceito cult não é uma classificação, mas dentro do contexto político, a palavra remete-se a uma estrutura de cultura criada pelo capitalismo que subsiste pelo controle amplo dos corpos ao aprender, pensar, vestir-se, organizar-se em grupo, exercer e pontuar como quiser a cidadania e a difusão do saber. O cult ao negativismo como fim, seria uma construção social, que geralmente se torna falsa sob a égide dos fatos sociais ao se relacionar, liberdade, ética e cidadania em sentido lato ao cidadão. O cult ao negativismo não é uma classificação tribal, tipo a tribo dos skatistas, ou dos hippies – trata-se de uma superestrutura de ordem cultural, que torna-se uma força condicionante que se encontra além das percepções e dos pensamentos comuns, mas somente uma reflexão elaborada, uma reflexão sociológica poderá desvencilhar determinadas causas a determinados efeitos ou fato sociais. Fato social como fato exterior, coercitivo e generalizante conforme Durkheim.
Um paradoxo de literatura se apresenta. Como? Onde? Um paradoxo de literatura histórica e filosófica se apresenta na composição e comparação entre ILICH e FOUCAULT dentro da seguinte situação:
Ilich em Sociedade sem Escolas coloca a obrigatoriedade de um currículo, Foucault em Corpos Dóceis identifica que o currículo também é uma nuance da estrutura de poder que se forma nas idéias e nas ações das escolas. Por um lado Ilich tem o tino de perceber a necessidade de um resgate do homem em uma dimensão maior do que seu próprio extermínio, mas ao mesmo tempo para o fenômeno pedagógico escorrega e impõe obrigatoriedade de um currículo de disciplinas mediante a idade e critérios que podem atualmente não corresponder a real realidade do fenômeno pedagógico com ou não conteúdos pré-estabelecidos. Seria quem sabe um choque ideológico de uma corrente conteudista e uma pedagogia aberta, libertária, dialética, histórica e evolutiva – fincada no empirismo e não no mero conteúdo (mesmo sendo parte desse conteúdo, conteúdos científicos).
Ilich não se encontra dentro de uma crítica conteudista, mas coloca uma obrigatoriedade curricular.Não se torna uma critica final aos conteúdos, mas para o referencial do fenômeno pedagógico, não somente conteúdo faz o educando aprender efetivamente, mas uma conjunção entre sociedade educada, governo representativo e democrático e uma filosofia pedagógica voltada para a formação de sujeitos que estabeleça contato com meios e possibilidades que estejam para alem da formação de corpos dóceis, fossilizados ao fatalismo e também à violenta alienação na formação de uma sociedade esfacelada e dividida intencionalmente para o controle ideológico.
Trata somente de um complemento crítico à democratização de conhecimento, pensando numa possível sociedade do conhecimento. Estar ainda na fase bárbara das idéias, conforme Morin – não se faz de nada absurdo e sim plausível. O absurdo é sim a realidade que se apresenta onde não temos a mínima decência de assassinar irmãos em plena luz do dia, mas nos utilizamos da “noite” para fazerem seu rasteiro proselitismo moralístico na TV, impondo fazer sexo às escondidas por exemplo por ser pecaminoso e vexatório à balança do senso comum e da sociedade sectária e maniqueísta. Essa lógica de pensamento se encontra em Lennon que diz literalmente:
"Vivemos em um mundo onde nos escondemos para fazer amor...e enquanto isso a violência é praticada em plena luz do dia.LENNON, Jonh – Integrante dos Beatles.)"
2. Vigiar e Punir (FOUCAULT, Michel) – Corpos dóceis; uma perspectiva crítica quanto ao fenômeno pedagógico contemporâneo.
Nesse pendulo de relativismos morais falemos mais especificamente do texto de FOUCAULT, que inicia sua análise com uma frase significativa. A existência de uma retórica corporal e de uma estética de retórica corporal. Essa lógica e essa estética corporal darão o norte no tratamento da aprendizagem e do ambiente pedagógico nas instituições que são tidas como rígidas, disciplinadas ao extremo, como as instituições religiosas e militares.
Nesse contexto, FOUCAULT identifica uma espécie de redução materialista da alma e também identifica uma teoria geral do adestramento. Nessa teoria geral do adestramento, o corpo (doravante sempre como individual e social) está preso no interior de vários poderes que imporá limitações e coerções diversas ao corpo.
A coerção tem seu peso mais pela força física do que por um sistema de sinais, uma ideologia.Entende-se por disciplina, uma relação entre docilidade mais utilidade. A disciplina não é tida como uma escravidão, não é apropriação de corpos, não é uma domesticidade nem vassalidade (uma submissão codificada historicamente), mas sim um mecanismo que impõe uma relação de obediência e utilidade e utilidade e obediência. O corpo então entra numa maquinaria de poder que o reconstrói (conforme ideologia, religião, cosmovisão).
Cita uma anatomia política como uma multiplicidade de processos disciplinares. Seria verossímil afirmar a disciplina no processo pedagógico contemporâneo? Sim. Plenamente factual a proposição. Motivo esse que impede uma verdadeira democratização de C&T visando uma sociedade do conhecimento, não a atual sociedade proibicionista e violenta.
Trata-se de um salto qualitativo do processo pedagógico em sentido de expansão e transformação social ainda não abraça setores da sociedade, os bolsões de pobreza são um bom exemplo. Afirma FOUCAULT que não é objetivo traçar um histórico das instituições disciplinares, mas de investimento político e detalhado do corpo numa nova microfísica do poder.
O autor também trará uma detalhada análise das dimensões ínfima e infinita. Assim, o autor tratará de como que a sociedade, a religião, as instituições de ensino na idade média e posterior, os agentes da educação e o próprio conhecimento se especificou, se identificou aos detalhes, ao ínfimo, ao minucioso em suas investigações e também ao Infinito, sendo essas agudezas de pólos - situação chamada pelo autor de um cálculo místico entro o ínfimo e o infinito. Ou seja, especificando demais a realidade ou obscurecendo-a com o Infinito, com o dogma religioso. Assim, uma rigorosa classificação dos corpos sob destreza, habilidade ou força individualizou o processo agora do trabalho.
Essa estrita relação do calculo místico entre o ínfimo e o infinito, também se reflete na disciplina, no currículo, diretrizes, planejamentos, arquitetura e método escolar.Ora, um currículo extremamente detalhado poda a personalidade do educando, podendo ser um processo de extremo sofrimento biopsíquico.
O homem se compôs em sua história sócio-interativa, pelo trabalho e pela evolução, no trabalho, que agora se encontra totalmente imbuído da ideologia da disciplina, tratará de alienar o homem em última instância – a orgânica/fisiológica. A reverberação no estado, durante a história e durante a história da disciplina é claro, configuração de um estado proibicionista, violento e disciplinador.
Cita FOUCAULT que por uma romanização da república, que tinha por base um ideário individual na imposição de uma sociedade disciplinada, hierarquizada e militar. Gerando assim, um alinhamento obrigatório de toda a sociedade e o sujeito enquanto sujeito se identifica ou é identificado por uma classificação.
Numa citação muito interessante, o autor afirma da necessidade de um novo espaço geográfico para o fenômeno pedagógico acontecer, o problema é que as dimensões para que tal fenômeno ocorra são complexos, arquiteturais, funcionais e hierárquicos.
O autor cunha o termo “quadros vivos” da sociedade que passa a moldar as massas perigosas à sua multiplicidade organizada e controlada. Os quadros são a difusão de uma sociedade protocapitalista até os dias de hoje que tentará racionalizar natureza, sociedade e homem. O quadro é ao mesmo tempo técnica de poder e um processo de saber, trata-se de organizar o múltiplo para dominar. Configura-se aqui, a mecânica da microfísica do poder celular. Uma mecânica de poder, que tem caráter disciplinar e calculado matematicamente para ser mais eficiente, num menor espaço de tempo, sendo a dimensão tempo toda ela sistematizada de forma única por FOUCAULT. Vejamos a frente algumas possíveis considerações sobre essa relação disciplina, tempo e corpo.
2.1 FOUCAULT e a dimensão do tempo na coerção minuciosa dos corpos.
“O tempo penetra no corpo, e com todos os controles minuciosos do poder”.(FOUCAULT, Michel).
O conceito de minúcias nos remete à forma da disciplina de uma boa caligrafia, de como manusear um fuzil, trançar um tapete funcionalmente - criando assim uma codificação instrumental do corpo.
Dentro de uma lógica de máxima eficiência em menor tempo a economia alienou o trabalho e todas as normas educacionais temporais, num intuito claro de condicionamento ou manipulação gerando manobras excessivamente artificiais.
Torna-se agora a coerção um processo natural e orgânico.Inicia-se no oriente e Europa a aprendizagem corporativista (as corporações de tapeceria em 1667 são um bom exemplo), em 1737 inaugura-se uma escola de desenho com técnicas minuciosas de ensino.
O tempo disciplinar imporá pouco a pouco ao processo pedagógico inúmeras restrições e limitações. Nas instituições militares não foi diferente, o tempo descrito por FOUCAULT terá um cálculo exato para obtenção de melhores resultados. Isolar o tempo de formação, organizar seqüências de atividades conforme um planejamento/análise e finalizar segmentos temporais sob uma prova e ciclicamente apertar cada vez mais a forma e a estética no tratamento do tempo se apresenta como panorama possível. Questão que possui em FOUCAULT uma profundidade analítica e que caberia uma séria análise sob o ambiente pedagógico e escolas em geral. Não se torna nem um pouco absurdo afirmar que a História da Pedagogia também é a História da disciplina coerciva de viés conservador.
O que conhece o homem da matéria, do meio em que vive, do espaço sideral ou de sua natureza? Incitamos a reflexão não em relação aos doutos em ciência, ou ao pronto erudita. Incitamos agora a reflexão em termos de soberania nacional e de democratização radical ao acesso ao conhecimento. O homem douto em ciência sabe muita coisa relevante, o conhecimento atual sabe muita coisa relevante, técnica e que opera verdadeiras maravilhas ao homem, mas o cidadão não tem acesso a esses louros.
Com não seria diferente, a história da disciplina, formará uma pedagogia analítica e minuciosa em inúmeros processos e subprocessos, séries e subséries, grupos e subgrupos.
Uma micro e macrofísica do poder se apresenta. Com novas técnicas de sujeição a dinâmica de controle dos corpos passa de um controle de dinastias/autoridades religiosas para evoluções contínuas dos quadros vivos, onde cada quadro, uma classificação um estereótipo ou subclassificação.
Dar-se-á então, vazão na história da educação a um aperfeiçoamento autoritário. A micro e a macrofísica do poder se manifestará não apenas na coerção à danação eterna, mas por uma geometria de segmento divisíveis que visará calcular (literalmente) movimentos avançados para os próximos passos da manipulação.
Então a disciplina visará também obtenção de um aparelho eficiente – onde sua identificação é por um lócus na fábrica, por uma função, dentro de um horário. Uma grande e longa crítica ao pensamento “tempos e movimentos” de Taylor e Fayol – pais da administração e com vasta literatura aprovada em todo o mundo dos executivos, tomadores de decisões ou autoridades pode ser feita sob a perspectiva pedagógica sob a visão disciplinar de FOUCAULT.
A escola por sua vez, levará ao automatismo no trato com o fenômeno pedagógico contemporâneo ou a um sistema de sinais que pela disciplina influencia os corpos que controla sob as dimensões: celular, orgânicos, genética e combinatória (que seria a junção de todas as dimensões). Essa combinação levará a táticas ideológicas. Identifica o autor que a tática mais elevada seria a combinação calculada.
Finaliza FOUCAULT com um esboço sistêmico do pensamento da época onde os juristas procuravam um pacto com um modelo primitivo para reconstrução do corpo social e o militares desenvolveria inúmeras técnicas de coerção e opressão ao corpo individual quanto ao corpo coletivo. A combinação de ambos traria um dos germens do atual estado da arte da sociedade globalcida. Nada diferente da moenda humana, descrita no livro O Povo Brasileiro (RIBEIRO, Darcy) ou quadro socioeconômico da ONU onde bilhões vivem menos de um dolar ao dia.
3. Considerações Finais
A História da Pedagogia e a Pedagogia na História se vêem imersa numa superestrutura e numa infraestrutura coerciva e excessivamente/artificialmente disciplinadora. Propõe sob restrições, identificação mais acurada do fenômeno pedagógico admitindo inclusive uma dimensão cultural e imaterial, desmistificar o excessivo peso imposto aos agentes da educação, admitir posteriormente que uma maquinaria de poder influencia cabalmente nossos compostos mentais, atitudes, sentimentos, comportamento até nossa fisiologia.
Sim, admite-se que a disciplina sob a égide de FOUCAULT tem uma dimensão orgânica e fisiológica – calculada justamente para o controle. Sob uma geometria calculada, adquiri-se táticas para o controle extremo dos corpos e mentes em todo o globo.
Essa maquinaria de poder é também fato social e poderá ser identificado no contato reflexivo com grandes pensadores, pela observação e reflexão detalhada da realidade e dos fatos sociais, comparando-os com a literatura apresentada literatura essa que deve preferencialmente ter peso científico e acadêmico.
O fenômeno pedagógico nas dimensões histórico-cultural fica somente na difusão de conhecimento relevante aos círculos dos catedráticos e possuidores de poder (ideológico ou material). O estado brasileiro ainda não possui mecanismos civis para avançar para uma sociedade do conhecimento.
O autor FOUCAULT em sua obra Vigiar e Punir, mais especificamente no capítulo Corpos dóceis – nos remete a uma detalhada análise sobre como uma microfísica do poder atua. Condiciona e alinha os homens numa padronização disciplinar, se utilizando da dimensão tempo e de uma geometria para obter o máximo de eficiência num menor período de tempo.
Ao fenômeno pedagógico contemporâneo - o não determinismo de formas de aprendizagem padronizadas, violentamente impostas e minuciosamente monitoradas visando lucro ou um resultado útil. Em FOUCAULT, poderemos obter dados e situações empíricas que se apresentam ao fenômeno pedagógico contemporâneo como restrições de análise e a partir daí, encontrar sínteses e soluções práticas e operacionalizáveis na recomposição do fenômeno pedagógico na história ou mesmo no próprio entendimento do fenômeno pedagógico contemporâneo.
Tratou-se também de encontrar padrões, formas cíclicas dos fatos sociais para inferir da possibilidade concreta de entender melhor o fenômeno pedagógico contemporâneo na desvinculação de determinadas causas sociais e também naturais a determinados fatos sociais (geralmente de cunho ideológico, determinístico ou dogmático) que não reflete a realidade num possível desencadeamento entre causas e efeitos sociais mensuráveis de alguma forma. Em outras palavras, tenta desmistificar que a educação não tem por potência a resolução das mazelas da “caixa de pandora”, mas pela educação, abrir a possibilidade de uma sociedade mais cidadã, includente e verdadeiramente democrática.
Seria encarar o fenômeno pedagógico atual, como um fenômeno multidimensional, aberto, dialético, imprevisível em sua totalidade, forjado pelas interações sociais e que possui inclusive em sua constituição ontológica, uma natureza imaterial e cultural. Mas para que se encontre e que se dê vazão a tão
4. Referências Bibliográficas
ILICH, Ivan – Sociedade sem Escolas;
FOUCAULT, Michel – Vigiar e Punir – Cap. Corpos dóceis;
FREIRE, Paulo – Pedagogia do Oprimido – Sobre o conceito dos esfarrapados;
MORIN, Edgar – Os sete saberes da Educação – Sobre a era bárbara das idéias;
TAYLOR, F e FAYOL, Henri – Acerca da teoria geral da administração em choque com a disciplina em FOUCAULT;
RIBEIRO, Darcy – O Povo Brasileiro – Acerca da característica da monocultura da cana e da casa grande serem uma moenda humana, uma moenda que tem por combustível o homem e toda sua energia corporal. Uma moenda que consumia humanos;
Ver mitologia grega clássica de Prometeu e Epimeteu, A caixa de Pandora;
STRAUSS, Levi – O que é Mito – Coleção primeiros passos – Acerca de o mito ser uma mensagem codificada e com significados múltiplos;
LENNON, Jonh – Integrante dos Beatles em analogia às inversões de valores da belle époque;
MARX, KARL – Sob a conceituação de infra e superestrutura;
PEREIRA, Saulo F – Em análise ao ENEPE 2009 sob a conceituação dos esfarrapados de Freire – Disponível em: http://traquinagenspedagogicas.blogspot.com/;
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